Tarefas imediatas, internacionalismo e perspectiva revolucionária

Perante a tragédia provocada pelos incêndios no concelho de Pedrógão Grande e numa vasta região do Centro do País, as primeiras palavras desta Abertura são para testemunhar profunda tristeza pela perda de numerosas vidas humanas e exprimir a activa solidariedade do PCP, desde o primeiro momento protagonizada pelo Secretário-geral do Partido, para com as populações atingidas. Simultaneamente, sendo necessária uma séria reflexão sobre as causas estruturais que estão na origem de tão dramáticos acontecimentos, é impossível não apontar desde já as maiores responsabilidades à política de direita de sucessivos governos e às suas opções de fundo em relação à floresta.

O Partido tem sublinhado que vivemos no plano nacional uma situação particularmente exigente, num quadro internacional em que a contra-ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo, inseparável do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, faz pesar grandes perigos sobre o futuro da Humanidade, exigindo a intensificação da luta contra o militarismo e a guerra e em defesa da paz.
A indispensável prioridade às tarefas especificamente nacionais, a concentração de esforços na luta quotidiana em defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo, pela ruptura com a política de direita e com os constrangimentos externos que impedem o desenvolvimento do país e que têm servido ao governo do PS para justificar graves limitações aos direitos laborais e a direitos sociais básicos, não só não é contraditória como exige uma redobrada atenção ao enquadramento internacional da luta do povo português e à solidariedade para com os povos vítimas da ingerência e agressão do imperialismo, nomeadamente com os povos da Síria e da Venezuela bolivariana. Nunca é demais insistir que na identidade do PCP patriotismo e internacionalismo são inseparáveis, são duas faces de uma mesma moeda. Valorizando as múltiplas iniciativas que em Portugal têm tido lugar na frente da paz e da solidariedade e o combate às operações de desinformação e manipulação ideológica do imperialismo, em que a chamada «guerra ao terrorismo» está a ser utilizada para o ataque a direitos e liberdades fundamentais e para intensificar operações imperialistas de agressão, o PCP não poupará esforços para reforçar a unidade do movimento comunista internacional e a frente mundial anti-imperialista.

Sim, a prioridade vai para a luta em torno de objectivos concretos e imediatos, para levar o mais longe possível a necessária reposição de direitos, salários e rendimentos, pela contratação colectiva, pela eliminação do trabalho precário e sem direitos, por todo um vasto leque de reivindicações populares que têm dado lugar ao crescimento da luta nas empresas e na rua. Nada pode substituir o desenvolvimento da acção popular de massas para o avanço da consciência política dos trabalhadores e do conjunto da sociedade. Qualquer subestimação desta realidade, que exige um judicioso trabalho de organização e muita perseverança política, é profundamente prejudicial. A impaciência não é boa conselheira. Não há proclamações «revolucionárias» que possam substituir com êxito o trabalho de formiguinha, de propaganda e agitação audaciosa, de organização paciente. Ao mesmo tempo é indispensável, como frequentemente temos sublinhado, que a muito exigente dinâmica de intervenção que caracteriza a acção partidária nunca obscureça a perspectiva revolucionária em que tal acção se insere, não faça esquecer os objectivos supremos e a razão de ser do Partido, e que tenhamos sempre, como colectivo e no plano individual de cada militante, a noção clara de onde vimos e para onde queremos ir.

É com este espírito que o PCP está a comemorar o Centenário da Revolução de Outubro, com o Comité Central e as Organizações de todo o Partido fazendo um grande esforço para encontrar, no seu exigente calendário de intervenção, espaço e tempo para promover um amplo conjunto de iniciativas que, com o lema «Centenário da Revolução de Outubro, exigência da actualidade e do futuro», visa pôr em evidência aquele que foi o maior acontecimento libertador da história da humanidade, o valor das extraordinárias conquistas e realizações do socialismo na União Soviética, a exigência da superação revolucionária do capitalismo. Realizado no passado dia 17 de Junho na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Seminário, que contou com uma intervenção de abertura do Secretário-geral do Partido e reuniu cerca de quatro centenas de participantes e valiosas contribuições de perto de vinte oradores convidados, foi uma valiosa iniciativa que muito contribuirá para a elevação da preparação e o fortalecimento da confiança de todo o Partido para a realização das tarefas que temos por diante. A reedição, entre outras obras alusivas à Revolução de Outubro, de Dez Dias que Abalaram o Mundo de John Reed deve ser aproveitada para divulgar e promover a mais larga leitura possível deste belíssimo e impressionante fresco sobre a conquista do poder, pela primeira vez na história, pelo proletariado.

O Comité Central na sua reunião de 25 de Junho fez a análise da situação nacional e internacional e aprovou o comunicado que neste número publicamos, e que, no quadro das decisões do XX Congresso, deve constituir a base para a intervenção do colectivo partidário no futuro imediato. Valorizando o que com a actual solução política foi conseguido em matéria de reposição de direitos, salários e rendimentos, o CC sublinha uma vez mais o seu carácter limitado perante as necessidades e expectativas das massas chama a atenção para «a cada vez mais visível convergência em matérias de relevância entre o Governo do PS e o PSD e o CDS», uma «convergência demonstrativa de que quando se trata de interesses marcantes o PS não se desvia daquela que tem sido a sua vinculação de décadas com a política de direita». A intensificação da luta pela ruptura com a política de direita e com os constrangimentos externos e por uma política patriótica e de esquerda, tendo como núcleo a luta de massas, confirma-se como orientação necessária e indispensável para alcançar a alternativa que o progresso económico e social e a soberania do país exige. Sublinhando «a importante dinâmica de luta de massas atingida nos últimos meses, envolvendo centenas de milhar de trabalhadores», o Comité Central, entre as múltiplas tarefas apontadas, destacou particularmente a  Festa do Avante! que terá lugar a 1, 2 e 3 de Setembro e as Eleições Autárquicas. São tarefas da maior importância que devem ser conjugadas com um permanente empenhamento no reforço do Partido.

Entramos, entrámos já, no período estival, período em que grande parte dos membros do Partido tirarão férias para um merecido e necessário descanso. Mas procuramos que tudo se processe da maneira mais coordenada possível, de modo a assegurar a continuidade de uma dinâmica partidária que não pode parar. A luta de classes não conhece pausas. E as exigências que estão colocadas aos comunistas no plano nacional e internacional são realmente grandes. Mas com sentido de responsabilidade e correctos métodos de organização vamos criar condições para, entre outros objectivos, ter a grande e bela Festa do «Avante! que precisamos e a dinâmica, já em curso, para alcançar nas Autárquicas o resultado eleitoral da CDU de que o País precisa.

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18.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Dias 28 e 29 de Outubro, realizou-se em Hanói, capital da República Socialista do Vietname, o 18.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), acolhido pelo Partido Comunista do Vietname, com o tema «A crise capitalista e a ofensiva imperialista – Estratégia e tácticas dos Partidos Comunistas e Operários na luta pela paz, pelos direitos dos trabalhadores e dos povos, pelo socialismo», que contou com a participação de 57 partidos, de 49 países, dos cinco continentes.

É a primeira vez que um EIPCO tem lugar num país que assume como objectivo a construção do socialismo. Vietname e povo vietnamita que, sob a liderança de Ho Chi Minh e do seu partido, travaram uma luta heróica contra o colonialismo francês, contra o invasor japonês e contra agressão do imperialismo norte-americano, unindo à luta pela conquista da soberania e independência nacionais, a luta pela sua emancipação social, lançando-se no gigantesco empreendimento da reconstrução nacional, do progresso económico e social, da construção das bases da sociedade socialista.

O 18.º EIPCO adoptou um Apelo onde são sublinhados os crescentes desafios causados pelo capitalismo em profunda crise, pelas intervenções e ingerências do imperialismo, e são valorizadas as lutas dos trabalhadores e dos povos contra a ofensiva do imperialismo, pelos direitos laborais, sociais e democráticos, pela soberania e independência nacional, pela paz e pelo socialismo.

No Apelo são apontados eixos para o desenvolvimento de acções comuns e convergentes pelos partidos participantes neste processo de cooperação multilateral, nomeadamente em torno: do intercâmbio de experiências sobre a construção do socialismo no Século XXI; da celebração do 100.º aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro, realçando o seu significado histórico, a contribuição do socialismo para o avanço da luta dos trabalhadores e dos povos pela sua emancipação e a necessidade de fortalecer a luta pela paz, pelo progresso social e pelo socialismo; da comemoração do 150.º aniversário da publicação de O Capital de Karl Marx; ou do intercâmbio de experiências em torno do fortalecimento dos partidos comunistas, da luta de massas e da luta ideológica.

Foi ainda definido como eixo a acção em torno da defesa das liberdades e direitos democráticos e da rejeição do anti-comunismo e de todas as formas de discriminação, a solidariedade aos comunistas que enfrentam perseguições e proibições da sua actividade, como acontece na Ucrânia, nomeadamente desenvolvendo iniciativas por ocasião da comemoração da Vitória sobre o nazi-fascismo.

Foi igualmente apontado o desenvolvimento de acções visando o alargamento da frente anti-imperialista e o fortalecimento da luta pela paz, contra as ocupações, intervenções e ingerências do imperialismo, contra a NATO e o seu alargamento, contra o militarismo, as armas nucleares e as bases militares estrangeiras, pela resolução pacífica e justa de todos os conflitos baseada nos princípios do Direito Internacional.

O Apelo sublinha ainda a importância da intensificação de acções exigindo o fim do bloqueio dos EUA contra Cuba e pela concretização do direito do povo palestino a um Estado livre, soberano e independente. Assim como a solidariedade com todos os povos na Ásia, no Médio Oriente, em África, na América Latina e na Europa que enfrentam a ocupação, a intervenção, a interferência e o bloqueio do imperialismo.

No Apelo, os partidos participantes no 18.º EIPCO reafirmam ainda a sua solidariedade de sempre com o povo vietnamita na construção e defesa da sua pátria socialista.

O Encontro Internacional decidiu ainda a composição do Grupo de Trabalho do processo dos EIPCO para o período 2016-2019, que passou a integrar os seguintes partidos: PC do Brasil, PC de Cuba, AKEL (Chipre), PC da Boémia e Morávia, PC da Grécia, PC da Índia, PC da Índia (Marxista), Partido do Povo (Irão), PC Libanês, PC do Nepal (UML), PC Palestiniano, PC da Federação Russa, PC Operário Russo, PC Sul Africano, PC de Espanha, PC, Turquia, PC da Ucrânia, PC do Vietname e Partido Comunista Português. Até à realização do próximo Encontro Internacional, será aberto um novo período para que outros partidos que tencionem integrar o Grupo de Trabalho possam expressar essa intenção, sendo tomada uma decisão no próximo Encontro Internacional.

Em 2017, o 19.º EIPCO será realizado na Federação Russa, acolhido pelo Partido Comunista da Federação Russa, por ocasião da comemoração do 100º aniversário da Revolução Socialista de Outubro.

O PCP fez-se representar por Pedro Guerreiro, membro do Secretariado do Comité Central e responsável pela Secção Internacional do PCP, e por Ângelo Alves, membro da Comissão Política do Comité Central e da Secção Internacional do PCP.

O PCP teve oportunidade de intervir na sessão plenária do Encontro Internacional, sintetizando os elementos essenciais contidos na sua contribuição ao 18.º EIPCO (ver: http://www.pcp.pt/contribuicao-do-pcp-no-18o-encontro-internacional-de-partidos-comunistas-operarios).

Contribuição do PCP no 18.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (excertos)

O Partido Comunista Português expressa as suas saudações fraternais aos partidos participantes no 18.º Encontro Internacional de Partidos Comunista e Operários e, particularmente, ao Partido Comunista do Vietname, reafirmando a sua solidariedade e amizade de sempre com o heróico povo vietnamita e formulando os melhores êxitos ao PCV nas importantes tarefas em que está empenhado, no desenvolvimento económico e social da sua pátria, na resposta aos anseios dos trabalhadores e povo vietnamita, na construção do socialismo. (…)

Na opinião do PCP a situação internacional continua marcada pelo aprofundamento da crise estrutural do capitalismo e pelo prosseguimento de um complexo e contraditório processo de rearrumação de forças à escala mundial, quadro em que o imperialismo intensifica uma violenta e multifacetada ofensiva que se confronta crescentemente com a resistência e luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus direitos e soberania e de Estados em defesa da sua independência e desenvolvimento.

Uma situação onde, entre outras expressões do agravamento dos traços mais negativos do capitalismo, sobressai o domínio do capital financeiro e especulativo sobre a economia e a acentuação da centralização e concentração do capital, da apropriação monopolista de riquezas e matérias-primas, da exploração, da investida contra direitos sociais, do ataque a liberdades, a direitos democráticos e à soberania e independência nacionais, da liberalização do comércio mundial como instrumento de domínio económico e político ou da centralização do poder em instâncias supranacionais dominadas pelas grandes potências imperialistas.

O mundo continua confrontado com uma crise cíclica desencadeada em 2007/8. Uma crise centrada na Tríade (EUA, UE, Japão) – onde a situação é de estagnação ou crescimento anémico –, cujos efeitos se estendem a todo o planeta. Crise cíclica que é indissociável de uma realidade mais profunda, a crise estrutural do capitalismo, reflectida na incapacidade do sistema dominante em encontrar soluções para a ultrapassar. Determinadas pelo grande capital financeiro e especulativo e não atacando as suas verdadeiras causas, as medidas tomadas para debelar a crise apenas a prolongam e tornam mais violenta a explosão do pico de crise seguinte. (…)

A complexa e perigosa situação na Europa é consequência do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo e, simultaneamente, do processo de integração capitalista europeu. A natureza de classe da União Europeia – um instrumento de domínio ao serviço do grande capital e das grandes potências europeias, profundamente contrário aos ditireitos, interesses e aspirações dos povos – intensifica as contradições em torno da questão de classe, da questão nacional e das rivalidades inter-imperialistas. Estas contradições estão presentes nos recentes e importantes desenvolvimentos, como é o caso do referendo britânico.

A resposta do grande capital à crise na e da União Europeia é ela própria um factor de aprofundamento destas copntradições. O facto de hoje se considerar abertamente a possibilidade de uma profunda reconfiguração, ou mesmo do fim, do Euro e até da União Europeia, é um exemplo do aprofundamento destas contradições. (…)

O grande capital, as grandes potências e as forças que têm conduzido o processo de integração capitalista – direita e social-democracia – tentam agora uma nova fuga em frente baseada na ideia de salvar a Europa da ameaça da extrema-direita. Mas a questão é exactamente a oposta, salvar a Europa deste e doutros perigos, passa por derrotar a União Europeia. (…)

Perante a ofensiva exploradora e opressora, agudiza-se a luta de classes e estreita-se a base social de apoio do capitalismo, agregando à luta da classe operária e dos trabalhadores outras classes e camadas sociais que lutam em defesa dos seus interesses específicos.

Num quadro em que verificam recuos, mas também importantes avanços por parte das forças progressistas e revolucionárias, a luta dos trabalhadores e dos povos é caracterizada por uma persistente e decidida resistência. (…)

O imperialismo, particularmente o imperialismo norte-americano – a grande potência hegemónica do mundo capitalista – tenta contrariar o declínio do seu peso económico relativo através da intensificação da exploração, da imposição da sua supremacia nas relações económicas e da acentuação da sua escalada agressiva, visando submeter ou destruir quem de alguma forma lhe resista, como forças e países (e diversificadas articulações entre países) que afirmando e defendendo a sua soberania e independência nacionais assumam a opção de caminhos para o seu desenvolvimento fora do quadro do domínio hegemónico do imperialismo, designadamente do imperialismo norte-americano.

Neste quadro, o imperialismo procura negar o direito à auto-determinação dos povos e condenar ao subdesenvolvimento inúmeros países, empenha-se no desrespeito dos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional e na instrumentalização da ONU, promove o militarismo e a guerra, reforça a NATO e uma multiplicidade de alianças e parcerias militares ofensivas, intensifica a escalada armamentista e a instalação de novos e sofisticados armamentos, fomenta o terrorismo, incluindo o terrorismo de Estado, a ingerência, a desestabilização e a agressão contra Estados soberanos em, praticamente, todos os continentes, com o perigo, e mesmo a ameaça, de uma escalada e generalização de conflitos militares no plano mundial com incalculáveis proporções.

Os EUA e a NATO, com os seus aliados, são responsáveis por todos os grandes conflitos militares da actualidade, constituindo a sua ofensiva a grande ameaça que os povos enfrentam. (…)

Uma realidade que coloca com premência o fortalecimento da solidariedade com os povos vítimas da desestabilização e guerra imperialistas e da luta pela paz, contra o militarismo e a guerra, contra a NATO e a militarização da União Europeia.

A ofensiva agressiva do imperialismo visando a soberania dos povos e a independência dos Estados alarga e diversifica as forças que objectivamente convergem na luta anti-imperialista.

A situação internacional coloca em evidência a interligação entre a defesa da soberania e independência nacionais, a luta pela paz e a luta pelo progresso e emancipação social, realçando a relação intrínseca entre a questão de classe e a questão nacional no processo de emancipação dos trabalhadores e dos povos.

Neste quadro, o PCP considera da maior importância o fortalecimento, a unidade e o incremento da capacidade de acção do movimento comunista e revolucionário internacional. Objectivo que passa necessariamente pelo fortalecimento de cada partido comunista ou outra força revolucionária – da sua ligação às massas e à sua realidade nacional, da sua capacidade de definir o seu programa e tarefas – e pelo reforço da sua solidariedade e cooperação.

Neste sentido, o PCP empenha-se no fortalecimento da solidariedade recíproca e da cooperação entre partidos comunistas, contribuindo para o aprofundamento do debate, valorizando em cada momento o que favoreça a unidade na acção e afirmando a identidade, o ideal e projecto comunista, seja no âmbito das suas relações bilaterais ou no quadro multilateral – como o processo dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO).

O PCP considera que prejudica o fortalecimento do movimento comunista tanto o desenvolvimento de tendências liquidacionistas e social-democratizantes, como de concepções e práticas dogmáticas e sectárias, que, na opinião do PCP, não contribuem para o reforço do movimento comunista e para a sua unidade na acção, introduzindo factores de divisão, afastamento e incompreensão que dificultam os necessários avanços na sua solidariedade internacionalista, e na relação deste com outras forças progressistas e de esquerda.

Baseado na sua própria experiência e na experiência histórica do movimento comunista, o PCP considera essencial no relacionamento entre partidos comunistas a observância de princípios, como a igualdade de direitos, a independência, o respeito mútuo, a não ingerência nos assuntos internos, a franqueza e solidariedade recíproca. Da mesma forma, o PCP considera que naturais diferenças, e mesmo divergências, na análise da situação internacional e sobre a estratégia e táctica na luta pelo socialismo, não devem impossibilitar a discussão franca e fraternal com vista ao exame de problemas comuns e à aproximação de posições, e impedir a unidade e capacidade de intervenção do movimento comunista e revolucionário internacional, incluindo a sua cooperação, a sua acção comum ou convergente na luta contra o inimigo comum e pela emancipação dos trabalhadores e dos povos. (…)

Para o PCP, a actual situação internacional coloca com particular premência a necessidade da aproximação, do reforço dos laços de solidariedade e do desenvolvimento da cooperação dos partidos comunistas e demais forças revolucionárias – com a afirmação dos seus objectivos próprios e sem diluição da sua identidade – com outras forças da paz, patrióticas, democráticas, progressistas e anti-imperialistas, contribuindo para o intercâmbio de experiências e para a unidade na acção em torno de objectivos de luta imediatos que correspondam à defesa dos direitos dos trabalhadores e dos povos.

Solidariedade que não significa, exige ou é condicionada a uma total identificação com as forças que protagonizam a resistência e a luta, nem necessariamente com todas as opções e soluções por estas tomadas, mas que coloca no primeiro plano a defesa de princípios e objectivos, nomeadamente de direitos fundamentais dos povos que são condição para o avanço da luta no sentido da sua emancipação social e nacional. (…)

Para o PCP, a crise estrutural do capitalismo e a violenta ofensiva do imperialismo colocam a necessidade de fortalecer uma ampla frente anti-imperialista que trave a ofensiva do imperialismo e abra caminho à construção de uma nova ordem internacional, de paz, soberania e progresso social. Do mesmo modo, a realidade demonstra a necessidade de um forte e vigoroso movimento comunista e revolucionário internacional, da existência de fortes partidos comunistas e revolucionários que promovam a resistência e luta dos trabalhadores e dos povos, em defesa dos seus direitos, pelo avanço da transformação social e da superação revolucionária do capitalismo. (…)

No tempo em que vivemos, 100 anos após a Revolução Socialista de Outubro e no seguimento da evolução que teve lugar no século XX, em que o sistema capitalista, com a sua natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora, com as consequências destruidoras e trágicas que comporta, é atravessado pelo agravamento da sua crise estrutural, torna-se ainda mais evidente a importância e alcance dos objectivos desse maior acontecimento da história da humanidade e a afirmação do socialismo como exigência da actualidade e do futuro. (…)

O PCP aponta como objectivo ao povo português a construção da sociedade socialista, partindo da realidade e da experiência da revolução portuguesa, assimilando criticamente a experiência revolucionária mundial. Ao propor o seu Programa «Uma democracia avançada – Os valores de Abril no futuro de Portugal», o PCP considera que a realização deste processo de profunda transformação e desenvolvimento da sociedade portuguesa é, já em si, parte integrante da construção do socialismo em Portugal. A luta que o PCP trava pela defesa, reposição e conquista de direitos, pela ruptura com a política de direita e pela concretização de uma política patriótica e de esquerda fazem parte da luta pela democracia avançada, assim como esta é parte integrante da luta pelo socialismo.

O socialismo, por diferenciados caminhos e etapas, afirma-se como objectivo da luta dos povos, enquanto perspectiva e condição de futuro inseparável da plena libertação e realização humanas. (…)

É nesse processo de luta e de construção que os comunistas portugueses se entregam com inabalável determinação.

O VII Congresso da Internacional Comunista – Significado e ensinamentos

por Domingos Abrantes

Há 80 anos, entre 25 de Julho e 20 de Agosto de 1935, na cidade de Moscovo, teve lugar o VII – e último – Congresso da Internacional Comunista (IC), que apesar do imenso tempo decorrido permanece como um dos maiores acontecimentos do movimento comunista e operário e exemplo da capacidade de definir orientações tácticas e estratégicas, na base da crítica e autocrítica, do trabalho colectivo e discussões democráticas alicerçadas no marxismo-leninismo, para responder a novas realidades e ultrapassar teses que se tinham tornado um sério entrave ao desenvolvimento do movimento comunista e conduzido ao enfraquecimento da sua ligação às massas.

Tendo como tarefas centrais o combate ao sectarismo, que marcara profundamente as orientações da IC durante mais de uma década, o retomar de teses leninistas sobre o trabalho de massas e da frente única, intensificar a luta contra o fascismo e a guerra, o VII Congresso deu um poderoso impulso ao movimento comunista, contribuiu para transformar os partidos comunistas em grandes partidos revolucionários, prestigiados, com um papel fundamental na luta contra a ofensiva do capital, contra o fascismo, contra a guerra, pela democracia e o socialismo. «Os partidos comunistas tornaram-se factores reais na vida política em grande número de países».

O VII Congresso foi preparado e realizado numa situação mundial extremamente difícil, perigosa e complexa, em que a reacção internacional ganhou novo fôlego com a subida do nazismo ao poder na Alemanha. O capital desencadeava a mais poderosa ofensiva contra os trabalhadores e suas condições de vida. As liberdades democrático-burguesas tinham sido liquidadas na maior parte dos países. As organizações operárias e a sua imprensa proibidas. O movimento operário em geral vivia uma fase de refluxo. Os partidos comunistas que não tinham sido ilegalizados contavam-se pelos dedos. Para além do número brutal de militantes assassinados, centenas de milhar de outros encontravam-se nas cadeias e nos campos de concentração. A ameaça de uma nova guerra mundial, tendo como eixo fundamental a agressão à União Soviética, tinha entrado no campo da preparação prática. O fascismo tinha-se tornado um perigo universal.

No pólo oposto, enquanto o capitalismo estava mergulhado na crise, na URSS o socialismo conhecia enormes êxitos, erradicando chagas sociais, nomeadamente o desemprego.

Ao movimento comunista colocava-se então a necessidade de reavaliar teses e experiências, de definir a etapa em que se estava, de responder às preocupações manifestadas pelas massas e sectores políticos cada vez mais numerosos. Tratava-se de responder à questão que fazer para barrar o caminho ao fascismo, para impedir a guerra, para reforçar o movimento comunista e antifascista.

A resposta a esta questão deu-a o VII Congresso, retomando e desenvolvendo teses leninistas sobre a luta de massas, a política de alianças e a frente única operária e popular, a diversidade de vias para o socialismo, a correlação entre a luta pela democracia e pelo socialismo, etc.

O quadro do mundo é hoje muito diferente de 1935, mas há realidades que convirá não subestimar e ensinamentos que importa não esquecer: o capitalismo está mergulhado numa profunda crise, não perdeu a sua natureza exploradora e predadora, nem a guerra lhe deixou de ser inerente, além de que, como é clássico, o capitalismo procura superar as suas dificuldades intensificando a exploração dos trabalhadores e das massas populares, limitando direitos e liberdades. O capitalismo na sua fase imperialista – como salientou Lénine e a vida confirma – tende para a reacção. Forças fascistas e fascizantes tornam-se cada vez mais ameaçadoras. As guerras de agressão imperialista multiplicam-se e os perigos de uma nova guerra mundial não é coisa que não deva ser considerada como uma possibilidade real.

O VII Congresso não passou à história apenas por ter sido capaz de, num momento de viragem, elaborar uma estratégia e táctica adequadas a esse momento. Ficou na história também porque rompendo com princípios dogmáticos e voluntaristas nas questões teóricas, abandonando a prática de construir realidades a partir da teoria, procedendo a uma análise crítica e autocrítica das orientações e do funcionamento da IC à época, retomando teses fundamentais do leninismo há muito tempo abandonadas, deu uma enorme contribuição para o desenvolvimento do marxismo-leninismo e para o desenvolvimento do movimento comunista.

A deriva sectária que marcou a IC depois da morte de Lénine radica nas condições históricas em que nasceu e se desenvolveu a IC e o movimento comunista, sem subestimar a responsabilidade de todo um conjunto de dirigentes.

A ruptura com a II Internacional, com os partidos socialistas e sociais-democratas caídos no pântano do oportunismo, o trabalho de agrupar as forças revolucionárias, criar partidos políticos da classe operária – partidos comunistas – capazes de assegurar a sua acção independente, de classe, em defesa dos seus interesses e contra o capital, era o grande objectivo que se colocou com a fundação da IC.

A acção independente da classe operária tinha como exigência o combate ao reformismo, a denúncia da colaboração de partidos socialistas e sociais-democratas com a burguesia, e mesmo dos seus crimes contra o movimento operário – o Congresso fundador da IC (Março/1919) teve lugar dois meses depois do esmagamento do levantamento operário na Alemanha e dos assassinatos de Rosa Luxemburg e Karl Liebkecht –, a que estava associada a sua colaboração com as classes dominantes.

Sem abandonar a necessidade do combate ao reformismo, Lénine cedo percebeu que – operada a ruptura com a II Internacional – o esquerdismo se iria tornar no perigo principal, o que o levou a escrever O Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, livro distribuído aos delegados ao II Congresso da IC, com o objectivo de dotar os jovens partidos comunistas de orientações tácticas revolucionárias.

Mas, um ano depois, Lénine teve de travar uma árdua batalha contra o esquerdismo para defender as orientações tácticas da IC que elaborara para o III Congresso (1921), quando a tarefa era dotar os jovens partidos comunistas – «que não eram ainda verdadeiros partidos comunistas» – de sólidos princípios tácticos de luta revolucionária, numa altura em que o movimento operário tinha sofrido pesadas derrotas em vários países.

Punha-se então aos comunistas a tarefa de reforçar a sua organização, de ir às massas, ganhar o apoio da maioria da classe operária, de estabelecer uma frente única operária e anti-imperialista. Táctica que os esquerdistas classificavam de «estática», opondo-lhe a «táctica ofensiva», aventureira, levando Lénine a defender ser necessário passar à ofensiva contra o esquerdismo, combatendo-o impiedosamente, porque «caso contrário, não há comunismo, nem Internacional Comunista».1

Mais tarde, Lénine diria: «Passaram-se já 8 meses desde o III Congresso da Internacional Comunista. pelos vistos o nosso debate de então com os «esquerdistas» já está ultrapassado. Resolvido pela vida».2

Lénine aqui enganou-se, Depois da sua morte (Janeiro de 1924) paulatinamente foi sendo construído todo um «edifício teórico» sectário, dogmático, desfasado da realidade e que na prática significou em toda a linha a aplicação da «teoria da ofensiva», agora num quadro muito mais difícil para o movimento comunista e operário. Um «edifício teórico» que depois do VI Congresso entrou em construção acelerada e que se traduziu numa actividade extremamente sectária.

Entretanto, a vida que, como salientava Lénine, é mais verde que a teoria, começou a abrir caminho para a alteração das orientações erradas.

Não sem forte oposição, o Comité Executivo da IC retomou o caminho de confrontar os reformistas com as suas responsabilidades, tendo dirigido, em 1933, 1934 e 1935, apelos à II internacional, a partidos socialistas e sociais-democratas, às organizações de trabalhadores para acções comuns contra a ofensiva do capital, o fascismo e a guerra.

Embora a resposta da II Internacional tivesse sido negativa, pondo em evidência as pesadas responsabilidades da social-democracia no avanço do fascismo e no desencadeamento da guerra, a iniciativa teve o apoio de personalidades e sectores, mesmo de partidos sociais-democratas – eles próprios vítimas do fascismo – que crescentemente participavam em acções comuns com os comunistas.

O apelo (1932) de H. Barbusse e R. Roland para a constituição de uma frente de intelectuais contra a guerra foi subscrito por destacados intelectuais de todo o mundo.

Com a criação do Comité Internacional Amesterdão/Pleyel contra a guerra e o fascismo (1934) por iniciativa de H. Barbusse foram criados milhares de comités de intelectuais de várias tendências que se incorporaram na luta antifascista.

Na Áustria (1934), trabalhadores sociais-democratas e comunistas desencadearam uma acção insurreccional para fazer frente ao fascismo.

Em torno da defesa de Dimitrov, a ser julgado pelos nazis em Leipzig (1933), desenvolveu-se em todo o mundo um poderoso movimento de solidariedade antifascista, impondo uma derrota aos nazis.

As grandes acções populares em França (Fevereiro de 1934) derrotando a tentativa de golpe fascista, e as que se seguiram em 1935, e em Espanha, na base de uma ampla unidade de comunistas, socialistas e radicais, impondo não só a derrota do fascismo mas importantes transformações sócio-económicas, tornaram-se um exemplo do caminho a seguir para derrotar o fascismo.

O antifascismo como etapa de luta tinha entrado na ordem do dia.

A subida de Hitler ao poder na Alemanha (Janeiro de 1933) fez «soar as campainhas». As tendências unitárias, a iniciativa dos Partidos Comunistas tornou mais fácil a intervenção de vários dirigentes da Internacional, de importantes partidos comunistas, incluindo do PCUS, que há já algum tempo, enfrentando obstinadas resistências, defendiam a necessidade de proceder à reavaliação das orientações seguidas à época, de elaborar novas orientações tácticas que levassem ao objectivo fundamental e premente: a formação de uma vasta frente contra o fascismo, a reacção e a ofensiva do capital, que abrangesse «não apenas os operários defensores da ditadura do proletariado, mas a maioria da classe operária», segundo as ideias defendidas por Lénine no III Congresso da IC.

Da maior importância para a viragem foi a realização do XIII Plenário do Comité Executivo (Dez. 1933) – a primeira grande reunião depois da tomada do poder pelo nazismo na Alemanha, que, embora mantendo teses erradas, aprovou teses que significaram uma mudança, tendo avançado uma nova caracterização do fascismo – que seria aprovada pelo Congresso – e tomou a decisão histórica de convocar o VII Congresso.

A preparação do VII Congresso e a sua realização irão centrar-se na resposta às questões prementes que se punham ao movimento comunista.

O facto de na primeira reunião da Comissão Preparatória do Congresso Kuusinem (destacado dirigente do PCUS e da IC) ter defendido a necessidade de uma mudança táctica radical, e Manuilski (igualmente destacado dirigente do PCUS e da IC) e Dimitrov terem chamado a atenção para que face à situação criada nos países capitalistas a palavra de ordem de luta imediata pela ditadura do proletariado estar desfasada da realidade e que era necessário uma palavra de ordem mais realista e que, opondo-se ao sectarismo reinante, tivessem posto o acento na necessidade de os comunistas tomarem nas suas mãos a luta pela frente única da classe operária, lutarem por conversações com partidos pequeno-burgueses, com partidos camponeses, com organizações que os fascistas queriam submeter à sua influência, mostra quanto tinham amadurecido as condições para a viragem necessária.

A carta que Dimitrov dirigiu a 1 de Julho de 1934 ao Comité Executivo da IC e ao Comité Central do PCUS – colocando as suas próprias reflexões, e que eram comuns a vários outros dirigentes da IC, incluindo dirigentes do PCUS e de importantes partidos comunistas – é de grande importância para a compreensão do avanço que essas reflexões tinham atingido e quanto tinha amadurecido a necessidade de uma reavaliação das orientações tácticas e a ruptura com orientações erradas e profundamente enraizadas à época.

A carta de Dimitrov especificava basicamente as questões prementes que na sua opinião se impunha reavaliar e que deveriam determinar a estrutura do seu relatório a apresentar ao Congresso. E essas questões, das quais derivam várias outras, tinham a ver com a natureza do fascismo, a social-democracia, a frente única, a Direcção da IC.

Dada a sua extensão, limitamo-nos a referir apenas algumas partes da carta:

Sobre a social-democracia coloca as interrogações de se era justo qualificá-la em bloco como «social-fascista» – posição que considera ter levado ao corte com operários sociais-democratas; se era justo considerar a social-democracia em todas as circunstâncias como o principal suporte social da burguesia e os grupúsculos social-democratas de esquerda como o perigo principal, bem como se era justo classificar em bloco todos os quadros dirigentes dos partidos social-democratas e dos sindicatos reformistas como traidores conscientes da classe operária.

No que se refere à frente única, Dimitrov avança desde logo o que pensa ser necessário decidir que era mudar a táctica em função da nova realidade; que em lugar de aplicar a táctica da frente única claramente como uma manobra para desmascarar a social-democracia se devia fazer da táctica da frente única um factor eficaz de desenvolvimento da luta de massas contra a ofensiva do fascismo.

Dimitrov tinha um conhecimento muito profundo sobre os graves problemas existentes na Direcção da IC. As propostas que avança no sentido da democratização do funcionamento da IC têm subjacente uma crítica muito clara a esse funcionamento.

Começa por considerar indispensável mudar de métodos de trabalho e de direcção da IC, tendo em conta ser impossível decidir a partir de Moscovo todas as questões e em relação às 65 secções, que actuavam em condições muito diversas umas das outras.

Desassombradamente defende ser necessário realizar uma grande crítica bolchevique, chamando a atenção que o receio do seu uso deixou sem explicação grandes problemas políticos.

Finalmente, defende ser particularmente necessário uma ligação estreita entre a direcção da IC e a Comissão Política do PCUS.3

O Congresso realizar-se-ia um ano depois da carta de Dimitrov e com um ano de atraso em relação à data prevista. Um período durante o qual se sistematizaram experiências, reavaliaram percursos e a validade de certas teses à luz da realidade concreta, amadureceram as soluções que tornaram possível ultrapassar dificuldades. Todo um trabalho que se pode avaliar pela riqueza de ideias que, aprofundadas pelo VII Congresso, dotaram o movimento comunista de sólidas e fundadas orientações para responder a um período extremamente difícil para os trabalhadores e os povos.

As questões debatidas no Congresso e sobre as quais se aprovaram orientações e tomaram decisões, abarcam uma vastidão de matérias. Concentremo-nos apenas em algumas questões nucleares e de certo modo inseparáveis.

No centro da discussão estiveram questões do fascismo considerado o perigo principal para os trabalhadores, os povos e a paz, pelo que o Congresso exigiu dos comunistas acabar com a subestimação inadmissível do projecto fascista nas suas fileiras.4

O Congresso confirmou e precisou a definição da natureza do fascismo avançada no XIII Plenário do Comité Executivo de que «O fascismo é uma ditadura terrorista declarada dos elementos mais reaccionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro»5. Definição que se tornou clássica e que, ao caracterizar o fascismo pela sua natureza de classe, o seu lugar na evolução do capitalismo na fase imperialista, bem como as classes beneficiárias do fascismo, sublinhou as contradições entre o fascismo e a democracia, rejeitando as teses de que o fascismo era uma simples substituição de um governo burguês por outro governo burguês, mas a substituição de uma forma estatal de dominação burguesa – a democracia burguesa – por uma outra forma de dominação – a ditadura terrorista do grande capital.

A rectificação da natureza do fascismo até então em vigor na IC foi a chave para a elaboração de novas orientações tácticas e estratégicas que permitiram um extraordinário desenvolvimento na criação de uma ampla frente popular de luta contra o fascismo, o imperialismo e a guerra.

Partindo da análise da natureza do fascismo e da ameaça que representava, o Congresso declarou que a realização da frente única da classe operária era naquela etapa histórica «a tarefa principal, imediata do movimento internacional»6

Uma frente única cujo conteúdo se definia pela luta em defesa dos interesses económicos e políticos da classe operária, pela procura de estabelecer relações com partidos sociais-democratas – que continuavam a ter enorme influência na classe operária, bem como nos sindicatos –, todos os trabalhadores independentes das suas opções políticas ou religiosas, pelo trabalho nos sindicatos fascistas, com vistas a acções comuns.

Mas na procura de acções comuns os comunistas não podiam nunca esquecer a sua posição de classe independente «As acções comuns com os partidos e organizações social-democratas, não só não excluem, como torna ainda mais necessário uma crítica da social-democracia como ideologia e prática da colaboração de classes».7

E tendo em conta que se produziam alterações em sectores sociais-democratas no sentido da unidade, o Congresso recomendava que «intensificando a luta contra a parte reaccionária da social-democracia, os comunistas devem estabelecer a mais estreita colaboração com os operários, militantes e organizações social-democratas de esquerda que lutam contra a política reformista e defendem a frente única com o partido comunista»8

Salientava-se ainda com particular ênfase de que o êxito das orientações dependiam do reforço contínuo, em todos os aspectos, dos próprios partidos comunistas.

O Congresso, à luz da definição da etapa em que se estava e da necessidade de se criar uma vasta frente popular contra o fascismo, procedeu a uma radical revisão das teses anti-leninistas acerca da democracia-burguesa, que não faziam destrinça entre democracia burguesa e regimes fascistas e que revelaram enorme incompreensão quanto à necessidade vital da luta por reivindicações democráticas gerais e antifascistas, não no sentido de ter o parlamentarismo como objectivo – como faziam os reformistas – mas como necessidade da classe operária conquistar posições e condições para melhor desenvolver o seu combate.

A experiência das frentes populares mostrava que a luta das massas unidas por reivindicações antifascistas e democráticas ultrapassava o quadro tradicional das liberdades democrático-burguesas, aproximando a luta pelo socialismo. Conclusão que Dimitrov reforçava com palavras de Lénine: «seria um erro capital crer que a luta pela democracia é susceptível de desviar o proletariado da revolução socialista, ou de eclipsá-la, de a esbater, etc. Pelo contrário (…) o proletariado não se pode preparar para a vitória sobre a burguesia se ele mesmo não trava uma luta generalizada sistemática e revolucionária pela democracia».9

Dimitrov lembrava que para o proletariado não é indiferente as condições em que luta, proletariado que derramou muito sangue na luta pela liberdade e em defesa das liberdades democráticas.

A tese leninista da correlação entre a luta pela democracia e pelo socialismo assume nos nossos dias enorme actualidade. Os comunistas portugueses podem avaliar todo o seu alcance pelas teses da revolução democrática e nacional e sua materialização na revolução antifascista, na luta contra a política de direita de desfiguramento do regime democrático de Abril, na luta pela realização do seu Programa por uma «Democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal».

Retomando teses do IV Congresso da IC sobre a questão colonial e nacional, elaboradas por Lénine, rejeitando teses sectárias que definiam as burguesias nacionais e as massas pequeno-burguesas nos países coloniais, como tendo um papel reaccionário,considerando imprópria a palavra de ordem da luta pela ditadura do proletariado generalizada a esses países, o Congresso, definindo a natureza da luta libertadora dos povos oprimidos na etapa à época como uma revolução anti-imperialista de libertação nacional, deu uma contribuição inestimável para o desenvolvimento da luta anti-colonislista, para o reforço da aliança povos oprimidos e trabalhadores dos países capitalistas, para o alargamento da influência do movimento comunista junto daqueles povos.

As orientações aprovadas em matéria de métodos de trabalho e estrutura orgânica da IC introduziram alterações significativas no domínio das relações entre partidos comunistas e organismos dirigentes da IC, e nos métodos do seu funcionamento. Considerando a necessidade de consagrar a direcção operativa nas secções, tendo em conta a realidade em que cada secção actuava, o Congresso incumbiu o Comité Executivo de transferir o centro de gravidade da sua actividade sobre a elaboração das orientações políticas e tácticas fundamentais do movimento operário internacional para os partidos e deixar de se imiscuir directamente nos assuntos internos da organização dos partidos comunistas.10

O VII Congresso marcou uma viragem radical nas orientações da IC: trabalho de massas em todos os países; abriu caminhos para a derrota do fascismo; a unidade da classe operária e das forças antifascistas; impulsionou a luta contra a guerra; o movimento comunista ganhou enorme prestígio e influência.

O legado teórico político e ideológico do VII Congresso tornou-se património colectivo. Conhecê-lo, assimilá-lo, saber utilizá-lo na busca de resposta aos novos problemas que a vida em permanente mudança coloca inexoravelmente, é um dever que se coloca a todas as forças revolucionárias e em particular aos comunistas.

As orientações do VII Congresso foram da maior importância para o desenvolvimento do PCP como partido de vanguarda da classe operária portuguesa e para ultrapassar concepções sectárias e voluntaristas – nuns casos por influência da IC, noutros por responsabilidade própria –, para a sua ligação às massas, o trabalho nos sindicatos fascistas, a unidade da classe operária, para a elaboração de uma estratégia de luta e de unidade antifascista, tendo em conta as realidades nacionais.

Já antes do VII Congresso Bento Gonçalves e outros dirigentes do Partido se tinham empenhado num trabalho que assegurasse a ligação do Partido às massas, que considerasse o trabalho sindical como indispensável para essa ligação, que assumisse a luta quotidiana dos trabalhadores, a elaboração de uma estratégia de luta antifascista assente na análise da natureza do fascismo – surpreendentemente mais precisa que a de muitos partidos comunistas – e da arrumação de forças em Portugal. Um trabalho dificultado pela permanência de fortes tendências sectárias e voluntaristas em matéria de táctica de luta.

A participação de uma delegação do PCP no VII Congresso, dirigida por Bento Gonçalves, e sobretudo as conversações que se seguiram ao Congresso entre a delegação do Partido, na qual foi integrado o camarada Álvaro Cunhal11 e o Comité Executivo da IC, encontro no qual se discutiram as orientações do Congresso e sua aplicação em Portugal à luz da realidade portuguesa e das experiências do PCP, foi da maior importância para que o Partido pudesse operar a viragem que se impunha.

Bento Gonçalves antes da sua prisão ainda sistematizou as orientações do Congresso e elaborou um plano de trabalho para a sua concretização, tendo em conta a realidade portuguesa.

A constituição da Frente Popular Portuguesa, expressão directa dessas orientações, apesar das suas limitações e pouca intervenção política, representou uma grande vitória política do PCP: pela primeira vez foi possível, depois da instauração do fascismo criar uma estrutura unitária entre o partido da classe operária – e por sua iniciativa – e sectores e personalidades democratas, alguns dos quais tinham desempenhado as mais altas responsabilidades de Estado na República.

A prisão de Bento Gonçalves e restantes membros do Secretariado (Novembro/1935), a instabilidade a nível da direcção que se lhe seguiu, as resistências à necessária viragem na actividade política, nomeadamente no que se refere à necessidade de trabalhar nos sindicatos fascistas, impossibilitou a aplicação das orientações do VII Congresso, só possível depois da reorganização de 1940/41, iniciando o processo de elaboração de uma estratégia de luta antifascista, tendo a classe operária e o seu partido político – o PCP – como eixo e motor, estratégia para a qual o camarada Álvaro Cunhal deu contribuição determinante. Quando se realiza o III Congresso, o Partido encontrava-se no ponto de viragem: «Só em 1943, a consolidação do Partido, o rápido desenvolvimento da sua organização, a ampla difusão da sua imprensa e, sobretudo, as grandes lutas da classe operária dirigidas pelo Partido, aumentando extraordinariamente o prestígio do Partido ante todas as camadas democráticas, criam condições para que o Partido tome com êxito a iniciativa da constituição duma frente antifascista».12

Bento Gonçalves, assassinado no Tarrafal em 1942, não pôde ver a transformação do Partido no grande partido nacional para que tanto trabalhou, mas não se enganou quando afirmou, ao terminar a sua intervenção no VII Congresso da IC: «Inspirados nas decisões do VII Congresso e na ajuda política da IC, conseguiremos vencer os nossos erros, as nossas hesitações e debilidades, tornar-nos-emos um partido digno da classe operária e da Internacional Comunista».13

Notas

(1) Lénine, «Em Defesa da Táctica da Internacional Comunista, in Obras Escolhidas, t. 5, «Edições «Avante!», Lisboa, 1986, p. 226.

(2) Lénine, «Notas de Um Publicista», op. cit., p. 319.

(3) Carta de Dimitrov, in L’Internationale Communiste et la lutte contre le fascisme et la guerre (1934-1939), Éditions du Progrès, 1980, pp. 30-32.

(4) Relatório de G. Dimitrov ao VII Congresso, op. cit., p. 129.

(5) Le fascisme, le danger de guerra et les tâches des partis communistes (Thèses, decisions et résolutions de la XIII Assemblée Plenière du C.E. de l’ lC (Dez. 1933), Bureau d’éditions, Paris, 1934, p. 6.

(6) Resolução sobre o Relatório de G. Dimitrov, in L’Internationale Communiste et la lutte contre le fascisme et la guerre (1934-1939), Éditions du Progrès, 1980, p. 386.

(7) Idem, p. 390.

(8) Idem, p. 390.

(9) Intervenção de Dimitrov no encerramento do VII Congresso, in L’Internationale Communiste et la lutte contre le fascisme et la guerre (1934-1939), Éditions du Progrès, 1980, p. 212. Citado em Lénine, Obras Completas, t. 22, Éditions Sociales, Éditions du Progrès, 1973, p. 256.

(10) Resolução sobre o Relatório de W. Pieck ao VII Congresso, in L’Internationale Communiste et la lutte contre le fascisme et la guerre (1934-1939), Éditions du Progrès, 1980, p. 379.

(11) Álvaro Cunhal, como Secretário Geral da Federação das Juventudes Portuguesas, encontrava-se em Moscovo para participar no VI Congresso Internacional das Juventudes Comunistas.

(12) In O Militante N.º 181, Dezembro de 1973, p. 13.

(13) Bento Gonçalves, in «O PCP e o VII Congresso da Internacional Comunista», Edições «Avante!», Lisboa, 1985, p. 255.

Sobre o VII Congresso da IC ver ainda:

– Domingos Abrantes, «Importância e actualidade. VII Congresso da Internacional Comunista», in O Militante N.º 277, Julho-Agosto/2005, p. 24.

Chefes de Estado vão a Caracas para despedir-se de Chávez

Chefes de Estado vão a Caracas para despedir-se de Chávez

Comovidos pela morte de Hugo Chávez, os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Uruguai, José Pepe Mujica, e da Bolívia, Evo Morales, viajaram nesta quarta-feira (6) a Caracas, para participar das cerimônias de homenagem ao líder bolivariano. Durante o cortejo fúnebre que percorreu a capital do país, o presidente Evo, visivelmente emocionado e vestindo uma jaqueta com o rosto de Che Guevara, esteve ao lado do presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro.
AFP

Presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, Uruguai, José Mujica, e Bolívia, Evo Morales, comparecem ao velório de Hugo Chávez na Academia Militar de Caracas.

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1942 – Com a Operação Urano, Exército Vermelho dá início à derrocada nazista

1942 – Com a Operação Urano, Exército Vermelho dá início à derrocada nazista
Por Max Altman
Contra-ofensiva soviética na Batalha de Stalingrado foi derrota fatal para a Alemanha na Segunda Guerra

O Exército Vermelho, sob o comando do general Georgi Zhukov, lança em 21 de novembro de 1942 a Operação Urano, a grande contra-ofensiva soviética que mudou a maré na Batalha de Stalingrado.

Exército Vermelho começa reação contra ofensiva nazista na cidade conhecida atualmente como Volvogrado

Em 22 de junho de 1941, a despeito dos termos do Pacto Molotov-Ribbentrop de 1939, a Alemanha nazista lançou uma maciça invasão contra a União Soviética. Ajudado pela sua força aérea amplamente superior, o exército alemão investiu celeremente através das planícies russas, infligindo terríveis baixas ao Exército Vermelho e à população soviética. Com o auxílio de tropas de seus aliados do Eixo, os germânicos conquistaram vasto território e, em meados de outubro, as grandes cidades russas de Leningrado e Moscou já estavam em estado de sítio. No entanto, os soviéticos resistiram e, com a chegada do inverno, forçaram a ofensiva alemã a uma pausa.

Para a ofensiva do verão de 1942, Adolf Hitler ordenou que o 6º Exército, sob o comando do general Friedrich Von Paulus, tomasse Stalingrado no sul, um centro industrial e obstáculo ao controle nazista das preciosas jazidas de petróleo do Cáucaso. Em agosto, o 6º Exército teutônico logrou avanços através do rio Volga enquanto o 4º Esquadrão aéreo da Luftwaffe reduzia Stalingrado (atual Volvogrado) a um amontoado de escombros fumegantes, matando mais de 40 mil civis.

Posição defensiva soviética, durante o rigoroso inverno de 1942

No começo de setembro o general Von Paulus ordenou as primeiras ofensivas diretamente à cidade, estimando que, no espaço de dez dias, ela estaria capturada. Começaram então as mais terríveis, acirradas e heroicas batalhas da Segunda Guerra Mundial e, certamente a mais importante, porquanto se transformou no ponto de inflexão da guerra entre a Alemanha e a União Soviética.

Na tentativa de tomar Stalingrado, o 6º Exército alemão defrontou-se com o general Vasily Zhukov que comandava um implacável e encarniçado Exército Vermelho. Este se valeu das ruínas da cidade como vantagem, transformando os edifícios destruídos e os escombros em fortificações defensivas naturais.

Empregando um método de combate que os alemães classificaram de Rattenkrieg ou “Guerra de Ratos”, as tropas soviéticas, divididas em esquadrões de 8 ou 10 homens, lutaram em casa por casa e por cada centímetro de terreno.

O marechal Von Paulus, ao centro, após a rendição

O líder soviético Joseph Stalin estava determinado a libertar a cidade que carregava seu nome e, em novembro, ordenou o envio de substanciais reforços. Em 19 de novembro, Zhukov lançou uma grande contra-ofensiva por fora do raio de Stalingrado. O comando alemão subestimou a escala do contra-ataque e o 6º Exército foi rapidamente suplantado pela ação, que envolveu 500 mil soldados soviéticos, 900 tanques e 1.400 aviões. Em três dias, toda a força germânica de mais de 200 mil homens estava cercada.

As tropas romenas e italianas se renderam, mas as alemãs resistiram, mesmo recebendo suprimentos limitados por ar e aguardando reforços. Hitler ordenou a Von Paulus que não recuasse, promovendo-o a marechal de campo – alegando que um marechal alemão jamais se rendeu.

Infantaria alemã, com o auxílio de um blindado StuG III, ataca perímetro da cidade

Mas o implacável Exército Vermelho, além da falta de suprimentos, agravada pelo rigor do inverno, cobraram muitas vidas. De modo que, em 21 de janeiro de 1943, o último dos aeroportos ainda controlado pelos alemães, caísse, cortando completamente a chegada dos suprimentos. Em 31 de janeiro, Von Paulus capitula e, em 2 de fevereiro, o restante das tropas germânicas – apenas 90 mil tinham sobrevivido – se rende.

A Batalha de Stalingrado mudou a maré de toda a Segunda Guerra Mundial. O general Zhukov conduziu mais tarde o avanço soviético sobre Berlim. O general Von Paulus, após ter sido libertado pelos soviéticos em 1953, fixou residência na Alemanha Oriental.

A cidade de Stalingrado em ruínas, após batalha decisiva

40 partidos comunistas e operários dizem ao anticomunismo no Cazaquistão e na Geórgia

O anticomunismo não passará! – No Cazaquistão e na Geórgia

Sexta 28 de Outubro de 2011

Quase 40 partidos comunistas e operários (PCO’s) de todo o mundo subscreveram uma declaração conjunta que repudia a ofensiva anticomunista no Cazaquistão e na Geórgia.

«Na era pós-soviética, a histeria anticomunista está de novo plenamente em marcha. Na véspera do aniversário da liquidação do poder soviético em Moscovo, em 1993, um tribunal do Cazaquistão suspendeu a actividade do Partido Comunista», começa por dizer o documento.

«O regime governante – explica-se – usou um pretexto ridículo para ilegalizar o PC do Cazaquistão», cujo foi a participação do seu primeiro secretário, Gaziz Aldamjarov, num encontro de uma organização cidadã não inscrita nos registos governamentais. Antes, já «numerosos activistas do partido foram objecto de perseguição policial», lembra ainda a nota, que exemplifica com o caso da dirigente de uma organização regional, Nurijash Abdrimova, «condenada a uma pesada multa por se ter dirigido aos trabalhadores da KasMunaiGas em greve».

Para os PCO’s, «a suspensão da actividade do Partido é mais um acto da odiosa tirania das autoridades cazaques. O regime semimonárquico de Nazarbaev não tolera a única força de oposição no país, que forma a consciência de classe, luta valorosamente contra os despedimentos massivos e a depauperação dos trabalhadores, e combate consequentemente pela amizade entre as nações».

Precedentemente, acrescenta-se ainda na declaração, «o parlamento da Geórgia, sob as ordens de Saakashvili [presidente do país], aprovou uma lei persecutória que proíbe os membros do antigo Partido Comunista da União Soviética e da Liga da Juventude Comunista, assim como ex-empregados de instituições soviéticas, de ocuparem cargos na Administração Pública ou leccionarem nas universidades».
No documento, que continua aberto à subscrição de outros partidos irmãos, os PCO’s condenam «energicamente o anticomunismo bárbaro e cavernícola» nas duas ex-repúblicas soviéticas e concluem que «o anticomunismo não passará!».

O texto foi até agora assinado pelo

PC da Federação Russa

União dos Partidos Comunistas – PCUS,

PC da Ucrânia

PC da Bielorrússia

Partido dos Comunistas da República da Moldávia

PC da Arménia

PC do Azerbeijão

Partido dos Comunistas do Quirguistão

PC da Ossétia do Sul

PC da Abecázia

PC Trasndeniestriano

PADS da Argélia

PC do Bangladesh

Partido dos Trabalhadores da Bélgica

PC da Grã-Bretanha

Novo PC da Grã-Bretanha

PC da Boémia e Morávia

PC Francês

PC da Grécia

Partido do Trabalho do Irão – Tudeh

PC de Israel

Partido dos Comunistas Italianos

PC Libanês

Frente Socialista do Povo da Lituânia

PC do Luxemburgo

PC do México

PC da Noruega

PC do Paquistão

PC Palestiniano

PC das Filipinas

Partido Comunista Português

Novo PC da Jugoslávia

Partido dos Comunistas da Sérvia

PC Sul-Africano

PC dos Povos de Espanha

PC da Suécia

PC Sírio

PC da Turquia.