Chilenos organizam protestos em defesa da educação pública

Manifestações contra a mercantilização da educação ocorrem nesta terça-feira no Chile. No país não há ensino universitário gratuito. Os protestos contra o presidente Sebastián Piñera e o sistema educacional começaram em 2010.

Estudantes, professores e mais de cem organizações não governamentais, entidades sindicais e movimentos sociais realizam protestos por uma educação pública e gratuita no Chile. Nesta terça-feira (28), uma série de manifestações em defesa de mudanças do sistema educacional ocorrem no país.

Os chilenos pedem o fim da manutenção do ensino privado, acesso gratuito às universidades públicas e mais vagas na educação básica. As manifestações contra o presidente Sebastián Piñera e o sistema educacional no Chile começaram em 2010, quando ele assumiu o governo.

O movimento intensificou novamente os protestos neste mês de agosto. No dia 9, cerca de 100 mil estudantes e professores foram às ruas da capital chilena. Manifestação semelhante aconteceu no dia 23.

No Chile, não há ensino universitário gratuito. As universidades públicas são pagas, geralmente através de programas de financiamento, que resultam no endividamento dos estudantes. Nas universidades particulares, o ensino é de má qualidade e as mensalidades são caras. Além disso, falta fiscalização por parte do governo nas instituições privadas.

De São Paulo, da Radioagência NP, com informações do Brasil de Fato, Vivian Fernandes.

Anúncios

Estudantes chilenos pedem estatização do cobre para garantir ensino público

Em protestos, mais de 250 mil estudantes saíram às ruas de todo o país pelo direito à educação. Eles pedem a estatização das jazidas de cobre controladas por mineradoras privadas para financiar o ensino.

Mais de 250 mil chilenos saem às ruas de todo o país no primeiro protesto do movimento estudantil deste ano. Somente na capital Santiago, cerca de 150 mil pessoas participaram das manifestações. O apoio de outros movimentos sociais e trabalhadores, em especial os mineiros, foi significativo nas marchas organizadas pela Confederação dos Estudantes do Chile (Confech).

A principal reivindicação é o direito a uma educação pública e gratuita de qualidade. No Chile, não há ensino universitário gratuito. Os alunos pagam mensalidades nas universidades públicas ou contraem dívidas em financiamentos. Protestos massivos com o mesmo tema tiveram seu auge no ano de 2011, quando reuniam 500 mil jovens nas manifestações.

A marcha estudantil ocorreu com tranquilidade até o ato final, em Santiago. Confrontos entre estudantes e policiais militares (carabineiros) aconteceram só depois de finalizada a marcha.

O apoio mútuo entre trabalhadores mineiros e estudantes ficou evidente com uma das pautas do protesto, a estatização das jazidas de cobre controladas por mineradoras privadas para financiar a gratuidade no ensino público. A mineração de cobre é responsável por mais de 50% do PIB do país, porém, somente 33% das minas são do Estado chileno.

Os trabalhadores em mineração realizaram uma greve, na última terça-feira (9), em que cerca de 45 mil mineiros paralisaram todas as jazidas da empresa estatal de cobre, Codelco, e algumas privadas.

Chilenos organizam protestos em defesa da educação pública

Manifestações contra a mercantilização da educação ocorrem nesta terça-feira no Chile. No país não há ensino universitário gratuito. Os protestos contra o presidente Sebastián Piñera e o sistema educacional começaram em 2010.

Estudantes, professores e mais de cem organizações não governamentais, entidades sindicais e movimentos sociais realizam protestos por uma educação pública e gratuita no Chile. Nesta terça-feira (28), uma série de manifestações em defesa de mudanças do sistema educacional ocorrem no país.

Os chilenos pedem o fim da manutenção do ensino privado, acesso gratuito às universidades públicas e mais vagas na educação básica. As manifestações contra o presidente Sebastián Piñera e o sistema educacional no Chile começaram em 2010, quando ele assumiu o governo.

O movimento intensificou novamente os protestos neste mês de agosto. No dia 9, cerca de 100 mil estudantes e professores foram às ruas da capital chilena. Manifestação semelhante aconteceu no dia 23.

No Chile, não há ensino universitário gratuito. As universidades públicas são pagas, geralmente através de programas de financiamento, que resultam no endividamento dos estudantes. Nas universidades particulares, o ensino é de má qualidade e as mensalidades são caras. Além disso, falta fiscalização por parte do governo nas instituições privadas.

De São Paulo, da Radioagência NP, com informações do Brasil de Fato, Vivian Fernandes.

No Chile, estudantes preparam paralisação nacional

Após a forte repressão policial às manifestações estudantis que ocorreram na última semana, os estudantes chilenos estão preparando uma paralisação nacional, que irá contar com a adesão de outros segmentos sociais. A estimativa é de que pelo menos 100 mil pessoas estejam nas ruas de Santiago nesta terça-feira (09). Para falar sobre a mobilização, a estudante de psicologia da Universidade do Chile e integrante da Corrente estudantil Práxis, Valentina Olivares, concedeu a seguinte entrevista à jornalista Luciana Silvestre Girelli para a Radioagência NP .

Radioagência NP: Quais os objetivos da paralisação?

Valentina Olivares: Haverá uma jornada nacional de protestos pela educação, na qual não somente estudantes, mas professores, trabalhadores da educação em geral, funcionários públicos e os trabalhadores da construção civil estarão em marcha contra as forças de repressão policial e contra o governo. Também convocamos uma paralisação produtiva de todos os trabalhadores do Chile, em 17 de agosto, para apoiar a luta dos estudantes. Haverá também uma paralisação nacional convocada pela CUT para os dias 24 e 25 deste mês.

Radioagência NP: Qual tem sido a resposta do governo às reivindicações estudantis?

VO: Há muita repressão policial e perseguição política nas ruas e nas escolas aos dirigentes de base. Também há uma tentativa de invibiazibilizar o que acontece nas regiões pelo bloqueio midiático. A resposta concreta exigida pelos estudantes na Confederação de Estudantes do Chile (CONFECH) deveria ser dada na última quarta-feira (03), mas o governo continuou com a posição de levar a resolução da questão para o parlamento, onde a população não tem influência nenhuma. As propostas feitas pelo governo para serem levadas ao parlamento apenas aprofundam a contra reforma neoliberal da educação.

Radioagência NP: Quais as principais reivindicações dos estudantes?

VO: Educação gratuita e de qualidade em todos os níveis. No caso da educação secundária, exigimos que os colégios voltem a ser mantidos pelo Estado, ou seja, queremos a desmunicipalização. Na educação superior queremos o aumento do financiamento público para as universidades, porque menos de 10% de recursos aplicados em educação superior são de origem pública.

Radioagência NP: Quais as perspectivas para o movimento?

VO: A perspectiva de luta é convocar todos os setores populares para as manifestações. Na semana passada, famílias saíram às ruas para defender a luta pela educação. Foram feitos protestos e barricadas. O fato demonstrou um apoio popular muito forte. A mobilização não vai diminuir até que alcancemos nossas demandas.

De São Paulo, da Radioagência NP, com informações de Luciana Silvestre Girelli,  Vivian Fernandes.

Modelo neoliberal impede mudanças profundas na educação chilena

A pressão por mudanças no sistema educacional do Chile levou o governo do presidente Sebastián Piñera a propor 21 novas medidas, na última segunda-feira (01), entre as quais está a garantia constitucional do direito à uma educação de qualidade. Os estudantes e professores chilenos seguem protestando há cerca de três meses. Eles informaram que analisarão a proposta do governo e darão uma resposta na próxima sexta-feira (05).

Para o secretário de Formação da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) do Chile, Víctor Ulloa, devido ao seu modelo neoliberal, o governo Piñera não realizará mudanças profundas no ensino do país.

“Eu acredito que o tema resgatou e deixou instalado: o Chile requer outro tipo educação. E este governo, em nossa opinião, não tem possibilidade de dar respostas, com suas fórmulas, ao problema da educação pública chilena. Toda sua proposta está muito longe do que os estudantes, professores e atores políticos reivindicam hoje em dia”.

Estudantes universitários, secundaristas e professores se manifestam em defesa de um ensino público e de qualidade, por mais investimentos para a educação e pela regulamentação do ensino privado.

A educação superior no Chile, em sua grande parte, é privatizada. São cobradas mensalidades que variam de US$ 1 mil a US$ 2 mil – aproximadamente R$ 1,5 a R$ 3,1 mil –, nas principais universidades públicas e particulares do país.

Mais uma marcha pela Educação foi convocada para a próxima quinta-feira (4). As entidades estudantis e de professores optaram por realizá-la à noite, para que os demais trabalhadores e cidadãos chilenos possam comparecer. Os manifestantes garantiram que as negociações com o governo não irão impedir a continuidade dos protestos.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.