As origens de uma obsessão. Um estudo sobre o antissemitismo de Adolf Hitler

A presente iniciativa de pesquisa tem como objetivo analisar aspectos relevantes ligados a formação ideológica do ditador Adolf Hitler, em especial seu antissemitismo. Para isso se propõe a investigar as alterações que esse conceito sofreu ao longo do século XIX, bem como as apropriações posteriores com as quais Hitler teve contato durante sua juventude, passando por Braunau am Inn, Linz, Viena e finalmente Munique, onde o ditador inicia sua carreira política. Visando atingir o objetivo supracitado este trabalho se debruça sobre questões como a historicidade do conceito de raça, o caráter não-biológico das ideias professadas por Hitler e a imagem construída por ele acerca dos judeus, visando contextualizar a ideologia constituída e divulgada ao longo da República de Weimar.

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Humor, propaganda e persuasão: As charges e seu lugar na propaganda nazista.

Na ascensão e na constituição do Estado Totalitário Nazista, a propaganda exerceu papel central. Percebemos sua ação não apenas nas fronteiras alemãs, mas também no exterior, em territórios nos quais houvesse a possibilidade de angariar simpatizantes para o partido. Dentre os vários meios utilizados para isso encontramos os “jornais panfletários”, ligados ao NSDAP. Ao buscarmos, nesta dissertação, a aproximação entre a propaganda na Alemanha e a transmitida no exterior, selecionamos os jornais Der Stürmer, de Nuremberg, e o Deutscher Morgen, impresso em São Paulo. Destas publicações destacamos as charges nelas veiculadas como exemplo representativo deste discurso propagandístico.

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O reich, o traço e o riso: o nazismo segundo os caricaturistas da careta durante a II guerra mundial

Este texto pretende mostrar alguns dos caminhos percorridos por três caricaturistas da revista ilustrada Careta, de circulação nacional, para promover um discurso libertário contra o nazismo de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. O trabalho com as charges trouxe à luz fontes que representa m uma via alternativa da resistência cultural brasileira ao alinhamento do país às ditaduras europeias do período.

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Leia a crítica de ‘Hitler’, do historiador inglês Ian Kershaw

Hitler, de Ian Kershaw. Tradução de Pedro Maia Soares. Companhia das Letras, 1160 páginas. R$ 78

Por Arthur Ituassu

Aconstrução do mito é uma poderosa arma da modernidade, afirmam os filósofos franceses Philippe Lacoue-Labarthe e Jean-Luc Nancy. Como é próprio da era moderna, a expressão política não está no ser político, mas no que ele mitologicamente representa. Quais os limites dessa representação? A modernidade do Holocausto, da bomba atômica, da miséria, das guerras e da violência social, da degradação humana e ecológica, já se provou sem limites. Pode a representação política mitológica mover as massas em direção não somente ao equívoco mas ao que há de mais desumano e absurdo? Pode, e o nazismo é a prova mais cabal disso.

Não à toa, continuamos a ler e publicar obras sobre uma certa sociedade representada numa figura político-mitológica específica que, na falta de palavras, nos faz sentir vergonha de nossa existência. Afinal, como afirmam Lacoue-Labarthe e Nancy: “O absoluto não pode ser qualquer coisa que se coloca fora de mim, ele é o sonho com o qual eu posso me identificar.”

O livro de Ian Kershaw é mais um que se soma à biblioteca da tragédia. Não sem méritos. Galgado com seu trabalho à nobreza britânica, Sir Ian Kershaw preenche o lugar deixado aberto desde a publicação em 1973 da obra clássica de mesmo tema do jornalista e historiador alemão Joachim Fest.

Uma das virtudes de Kershaw é descartar logo de início a discussão de Fest sobre a “grandeza histórica” do biografado. “Na inabalável certeza de exprimir um acordo profundo entre o espírito e a tendência da época, assim como na capacidade de tornar patente essa tendência, existe, certamente, um fator de grandeza histórica”, escreveu Fest, influenciado pelo historiador suíço Jacob Burckhardt, segundo o qual a definição de “grandeza histórica” representa “uma vontade que transcende o individual”, uma “misteriosa coincidência entre o egoísmo do indivíduo e a vontade de todos.” Ora, pode realmente existir alguma “grandeza” na morte de 50 milhões de pessoas decorrente dos conflitos da Segunda Guerra Mundial? No assassinato deliberado de 6 milhões de judeus?

Num certo sentido, Kershaw lida melhor que Fest com o dilema fundamental da historiografia do tema, dividida entre a desconstrução do mito e a construção histórica do contexto. Ou seja, não atribui o mesmo protagonismo que Fest ao personagem, mas ao mesmo tempo não isenta o carocho de suas responsabilidades. Assim, escapa da armadilha epistemológica que envolve o assunto. Por um lado, ao focar em demasia no Belzebu, o historiador pode favorecer à isenção do corpo social — atitude comum na Alemanha pós-guerra. Por outro, ao enfatizar o contexto, a história tende a esvaziar a responsabilidade individual — “Hamlet without the prince”.

Nesse sentido, as duas questões principais que o autor se coloca são: 1) como um sujeito inseguro, fracassado, mentiroso, carente e socialmente repugnante consegue chegar ao topo do poder político em uma sociedade complexa como a Alemanha dos anos 1930?; e 2) como esse mesmo ignóbil pôde exercer o poder durante um pouco mais de uma década e levar o mesmo país a uma campanha suicida de expansão pela Europa?

Sobre o primeiro ponto, Ian Kershaw não hesita em apontar o dedo para a elite nacionalista e conservadora alemã da época, que catapultou Hitler do fundo do poço para a Chancelaria, vendo nele uma oportunidade de poder. No que diz respeito ao exercício político, Kershaw introduz o conceito de “trabalhar para o Fuehrer”: sem uma organização formalmente hierarquizada e um comando central ativo no dia a dia das questões do Estado, com a exceção da guerra, o regime nazista pôde funcionar a partir de autoridades autoatribuídas que procuravam seguir as diretrizes estabelecidas pelo arauto, muitas vezes da forma mais radical possível, como forma de galgar posições.

Mas o que falta ao texto de Kershaw e sobra no de Joachim Fest é a relação entre a chegada do nazismo ao poder e a cultura política alemã, em especial no que envolve a famigerada questão da identidade nacional do país. Como afirma Fest, a derrocada do nazismo marca o fim do século XIX na Alemanha, a impossibilidade de construção de uma comunidade política “original”, “própria”, em meio ao avanço das ideologias “estrangeiras” e internacionalistas do liberalismo e do socialismo, e a representação mais clara desse constrangimento será a Alemanha dividida do pós-guerra.

De qualquer forma, ao fim, além da depressão profunda, a sensação que fica se traduz em mais um dilema: ao mesmo tempo em que é de suma importância manter a história viva, será que não nos esforçamos demais para explicar o inexplicável? Como bem diria Karl Popper, a nobreza da História não reside no esgotamento do tema, mas na manutenção de sua natureza inesgotável. Apenas 65 anos depois do inferno, hordas de turistas de todos os cantos se encontram hoje em Berlim, destino da moda do mundo hype liberal globalizado. A cultura judaica voltou a florescer na Alemanha, com a chegada de judeus do Leste Europeu. O diacho, no entanto, está vivo e se esconde nos lugares mais improváveis. Basta procurar, por exemplo, na lista dos livros mais vendidos do país.

ARTHUR ITUASSU é professor de Comunicação e doutor em Relações Internacionais pela PUC-Rio

Ian Kershaw fala sobre sua biografia de Adolf Hitler

por Miguel Conde

Quando resolveu aprender alemão, em 1969, o historiador inglês Ian Kershaw estava convencido de que a língua seria muito útil em seus estudos sobre o campesinato medieval germânico. Em poucos anos, porém, seu recém-adquirido conhecimento das intrincadas declinações teutônicas seria aplicado a tópicos menos remotos. Ao juntar-se nos anos 1970 ao chamado Projeto Bavária, um grupo de pesquisas sobre a vida cotidiana na Alemanha de 1933 a 1945 liderado pelo historiador alemão Martin Broszat, Kershaw deixou para trás a formação de medievalista para dedicar-se aos acontecimentos mais dramáticos do século XX: o regime nazista, a Segunda Guerra, o Holocausto. Sua reputação como um dos mais brilhantes pesquisadores do Terceiro Reich começou a ser estabelecida com seu primeiro livro sobre o tema, um estudo de 1980 sobre o culto a Hitler, e tem seu ponto alto nas 2.122 páginas de sua biografia do ditador alemão. Publicada em dois volumes em 1998 e 2000, “Hitler” ganhou em 2008 uma versão condensada de mais de mil páginas, agora publicada aqui pela Companhia das Letras em tradução de Pedro Maia Soares. Por telefone, Kershaw conversou com O GLOBO sobre a obra.

O senhor diz em seu livro que para entender Adolf Hitler é mais importante compreender seu poder do que sua personalidade. Poderia explicar essa observação?

IAN KERSHAW: Hitler teve, é claro, um impacto extraordinário, não ultrapassado por nenhuma outra figura do século XX, mas explicar isso apenas ou principalmente em termos de sua personalidade seria de certa maneira enganoso. O que temos que entender são as condições que permitiram a essa figura, de quem ninguém havia ouvido falar até 1919, conquistar tanto poder sobre um Estado tão sofisticado quanto a Alemanha. E, em seguida, ver as condições, estruturas e mentalidades que permitiram que esse poder fosse exercido nos 12 anos seguintes com um efeito tão terrível sobre a Alemanha, a Europa e o mundo.

Não é difícil pensar a ascensão e o poder de Hitler sem levar em consideração certos traços pessoais, como o talento retórico e o apelo carismático?

KERSHAW: Hitler era um orador extraordinário, mas temos que lembrar que até 1928 esse orador extraordinário tinha muito pouco impacto sobre a sociedade alemã. Nas eleições de 1928, apenas 2,6% votaram pelo partido de Hitler. Nos anos 1920 ele já era um orador poderoso, mas o que ele dizia tinha interesse para um percentual muito pequeno da população. Nas condições da Depressão, de 1930 em diante, isso mudou. A crise na sociedade alemã, que foi uma verdadeira crise de identidade nacional, fez com que a mensagem de Hitler atraísse setores muito mais amplos da população, levando-o dos arrabaldes para o centro do espectro político da época.

Quais foram os fatores fundamentais que levaram à chegada de Hitler ao poder?

KERSHAW: Em primeiro lugar, devemos lembrar que a República de Weimar, essa república liberal estabelecida em 1919, teve desde o início sua legitimidade questionada por setores da sociedade — setores cada vez maiores não apenas da população alemã, mas mais especificamente da elite do país. Eram pessoas na economia, no Exército, no mercado imobiliário, que buscavam uma oportunidade para se livrar dessa democracia que detestavam tanto. Durante os anos 1920, eles examinaram diversas possibilidades. Não tinham como primeira opção uma ditadura comandada por Hitler. Mas nos anos 1930, conforme uma crise sucedia a outra e o sistema político entrou em colapso, eles passaram a apoiar Hitler e arquitetaram sua chegada ao posto de chanceler em 1933. A elite conservadora e nacionalista da Alemanha foi o grupo mais fundamental na chegada de Hitler ao poder.

Entre as ideias de Hitler, quais tinham maior ressonância na sociedade alemã?

KERSHAW: As ideias cruciais para que ele chegasse ao poder não eram exclusivas de Hitler, mas ele as apresentava de uma forma particular. O essencial era botar a Alemanha de pé de novo, depois dessa crise existencial no país. Ele dizia: “só nós podemos tornar a Alemanha forte de novo, devolver seu orgulho como um país”. Era uma forma de nacionalismo extremo baseado no poder das Forças Armadas. Desde o início Hitler forjou uma aliança com os militares, dizendo que daria a eles tudo que eles quisessem, e com isso ele conseguiu também o apoio desse setor vital do Estado.

Então, em sua avaliação, Hitler se tornou tão poderoso porque conseguiu convencer a Alemanha de que a tornaria poderosa.

KERSHAW: Exatamente isso. As ideias mais importantes para ele, sobre os judeus e a expansão das fronteiras orientais, foram secundárias na popularidade e na ascensão do nazismo. As pessoas sabiam que ele era um antissemita fervoroso, mas esse não foi o principal motivo pelo qual o apoiaram.

Seu livro diz que o processo de formação da personalidade de Hitler é um enigma para os historiadores. Por quê?

IAN KERSHAW: Existem poucos registros da vida de Hitler antes de ele se tornar um político, aos 30 anos de idade, em 1919. Seu desenvolvimento inicial tem que ser reconstituído a partir de fontes insuficientes, com mais especulações do que fatos. Quando ele entra na política, vemos um indivíduo que em termos psicológicos já está mais ou menos formado, mas as origens dessa personalidade realmente permanecem até certo ponto um enigma.

O senhor escreve ainda que, mesmo quando usada num sentido negativo, como acontece em estudos sobre Hitler, a noção de grandeza acaba por ter um efeito laudatório. Como escapar ao tom elevado que parece quase inevitável quando se fala de alguém que teve a importância histórica de Hitler?

KERSHAW: É óbvio que Hitler foi um indivíduo muito importante, mas o termo “grandeza” tem de fato implicações apologéticas, mesmo que se fale numa grandeza negativa. Ele põe de lado as outras pessoas, parece sugerir que elas fizeram o que fizeram porque era impossível resistir a ele. Queria encontrar explicações racionais para as coisas aparentemente irracionais que as pessoas fizeram. Tentar olhar além do indivíduo, para pensar como o papel desse indivíduo foi possível, encontrar explicações sociais e políticas para o poder dessa pessoa que de muitas formas era uma mediocridade, apesar de seus talentos, certamente seu talento retórico demagógico. Em outras circunstâncias que não as da Alemanha daquele período ninguém teria ouvido falar de Hitler.

Existe algo no papel de Hitler como Fuehrer distinto de outras posições de liderança autoritária no século XX?

KERSHAW: Há semelhanças , mas nada que chegue perto. Pode-se pensar em Mussolini na Itália, em Franco na Espanha, em Stalin na Rússia. Nos três casos, o líder era crucial, mas em nenhum deles exercia o poder de forma tão personalizada quanto Hitler. Na Alemanha nazista não havia um senado, um gabinete, um conselho, nenhum tipo de corpo político que pudesse ao menos ponderar as opiniões de Hitler.

O senhor faz um exercício especulativo no livro, discutindo o que teria acontecido se Hitler por algum motivo não houvesse chegado à liderança da Alemanha. Poderia falar sobre isso?

KERSHAW: Como você diz, é apenas uma especulação, mas acho que podemos fazer três hipóteses plausíveis. Se um outro líder nacionalista que não Hitler houvesse chegado ao poder em 1933 o resultado seria a completa desintegração do Estado alemão e sua conversão num Estado policial de arbítrio? Quase certamente não. Segunda: teria havido o Holocausto? Discriminação sem dúvida, legislação contra judeus também, mas o Holocausto é quase certo que não. E, por último, teria havido uma guerra europeia geral em 1939? As tensões no continente eram óbvias, e qualquer governo alemão teria tentado se livrar do acordo de Versalhes, mas também aqui a resposta é não. Basta lembrar que no final dos anos 1930 mesmo Goering, o braço direito e sucessor designado de Hitler, queria recuar da política externa expansionista, e que o Exército tinha receios de que o país caminhasse para uma grande conflagração.

O quanto o alemão médio, se for possível fazer essa abstração, estava envolvido com a visão de mundo de Hitler?

KERSHAW: É difícil falar nesses termos a respeito de uma população de 60 milhões de pessoas. Arriscando a generalização, pode-se dizer que os sucessos da política externa nos anos 1930, como a remilitarização da região a oeste do Reno e a Anschluss com a Áustria [anexação da Áustria à Alemanha nazista], foram muito populares. As pessoas defendiam a expansão, mas não queriam uma guerra. Quando começou a campanha militar, houve muito entusiasmo com os sucessos, mas o apoio despencou assim que começaram os reveses. As políticas antissemitas, por sua vez, tiveram apoio crescente da população alemã. Havia cada vez mais apoio à ideia de expulsar os judeus da Alemanha, o que é diferente do apoio ao extermínio — não se falava disso na Alemanha da época. É claro que na prática isso levou diretamente ao extermínio de 6 milhões de pessoas. Em todas essas questões, porém, devemos lembrar que essa era uma ditadura terrorista. Temos uma sensação muito indireta e parcial do apoio e da oposição ao regime, porque as pessoas não expressavam com liberdade suas opiniões.

Embora o senhor não considere o antissemitismo o fato essencial na popularidade de Hitler, diz que ele era o centro de sua visão de mundo. É possível dizer de que maneira o antissemitismo de Hitler se formou?

KERSHAW: Sabemos muito pouco sobre o antissemitismo de Hitler antes do início de sua vida política partidária, em 1919. Ele viveu em Viena no início do século XX e quase certamente já era antissemita àquela época, mas provavelmente não num grau diferente do de outros moradores da cidade. Ninguém que o conheceu antes de 1919 cita o antissemitismo como traço fundamental de sua personalidade. Daí em diante, porém, ele está sempre presente. Quando Hitler escreve “Mein kampf” (“Minha luta”), em meados dos anos 1920, esse antissemitismo já é o centro de uma visão de mundo que toma os judeus como a base de todos os problemas de Alemanha, e que não muda até sua morte, em 1945.

Dissecting Hitler

Por: Sir Ian Kershaw

The knighthood awarded to Professor Ian Kershaw is just the latest in a long line of plaudits for the best-selling historian, explains Andrew Walker of the BBC’s News Profiles Unit.

Ian Kershaw, professor of modern history at Sheffield University, is widely regarded as the world’s leading expert on Adolf Hitler and the Third Reich.

His magisterial two-volume biography of the dictator, titled Hubris and Nemesis respectively, has redefined the way we look at that darkest of eras.

Born in Oldham, Lancashire, in 1943, the son of a mechanic in the Royal Air Force, he was initially educated at a local Roman Catholic primary school.

He admits that, at first, “I never thought of myself as academically able.” But he passed the 11-plus examination and went on to a predominantly Protestant grammar school.

Feeling “marked out and different,” as one of only three Catholics in the school, he transferred to St Bede’s Catholic grammar in Manchester.

For history A level, he was taught by a Catholic priest, Father Burke. The experience was to change the young Ian Kershaw’s life.

“He was brilliant,” Sir Ian told said in an interview. “When teaching the Reformation, he gave such a loaded Catholic interpretation that I was forced into the reference library in order to challenge him.”

“Real-ale addict”

Ian Kershaw went on to Liverpool University and found himself in a history department full of medieval scholars, becoming an expert in the period himself.

A self-confessed “real-ale addict”, Sir Ian was particularly fascinated by an account book from Bolton Priory in the Yorkshire Dales.

The document detailed how a monastic community of 20 people managed a community which consumed some 60,000 gallons of ale a year. His undergraduate analysis of the manuscript paved the way for his later triumphs.

But it was a visit to the then West Germany in 1972 which brought him face-to-face with one of the twentieth century’s greatest evils.

Stunned by an aging Nazi’s remark that “the Jew is a louse”, he decided to do some research on the social history of the Nazism.

He abandoned his work on the medieval period and moved to teach modern history at Manchester and then Sheffield, universities.

Books including The Nazi Dictatorship and The Hitler Myth have become central texts for students around the world.

But it was his decade of work on Hitler, which transformed both the study of the dictator and the reputation of the academic.

Sir Ian rejected the “great man” theory of history. Instead, he focused on the social climate which surrounded Hitler which made his rise to power that much easier – but also would help precipitate his eventual destruction.

The policies and initiatives which characterised Hitler’s dictatorship, he asserts, were often the work of the functionaries and admirers who surrounded him. They, in the words of one Nazi Party official, aimed “to work towards the Fuhrer along the lines that he would wish.”

He was among the first academics to debunk the myth of the highly-organised party machine. Underlings and minions were given carte blanche for terror as they competed to win favour with Hitler.

As for Hitler himself, Sir Ian described him as a man without an inner life, viewing his domain with “abstract brutality.”

Completing the work, which is set to be televised by the American CBS network, was a great relief to Sir Ian.

“I can’t tell you how happy I was when that bullet finally went through that bloke’s head,” he quipped.

There is no doubt that millions would agree with him on that.

Financial Times fala de Grupos neonazistas que desafiam o mito de democracia racial no Brasil e cita Jair Bolsonoro

Matéria publicada nesta terça-feira (10) pelo Financial Times fala sobre uma nova descoberta que o Brasil está revelando aos poucos, no que diz respeito à sua ideologia política e igualdades sociais. Segundo a reportagem, quando o delegado da Polícia Civil Paulo César Jardim ordenou uma série de buscas em casas de supostos neonazistas em dezembro do ano passado, em Porto Alegre (RS), não imaginava o que descobriria.

O Times revela que o latente movimento neonazista do Brasil, com seu submundo de violência, suásticas e propaganda de ódio, estava tendo seus membros recrutados por extremistas de direita na Ucrânia para lutar contra rebeldes pró-Rússia na guerra civil ucraniana, iniciada após a Rússia anexar a Crimeia em 2014.

O diário de finanças acrescenta que de acordo com César Jardim, a chamada Divisão Misantrópica, um movimento de extrema direita ucraniano, alinhado ao grupo paramilitar de direita Azov Battalion, que foi incorporado à Guarda Nacional ucraniana, estava por trás do recrutamento. Após descobrir o plano, a polícia, agora, investiga se algum brasileiro chegou a se juntar ao conflito ucraniano. A revelação de que movimentos ultranacionalistas brasileiros estão buscando experiência de combate no exterior é um fenômeno preocupante que chocou o país, que se considera um caldeirão de mistura racial.

A ascensão de grupos neonazistas desafia o mito popular de que o racismo não existe no Brasil, analisa o Financial Times. Embora a extrema direita ainda seja marginal no Congresso, políticos ultranacionalistas e seus entusiastas vêm preenchendo o vácuo deixado após o impeachment de Dilma Rousseff.

Enquanto a extrema-direita ainda é vista como a sombra da política em um país que se libertou da ditadura militar em meados dos anos 80, políticos ultra-conservadores e seus partidários estão dispostos a preencher um vácuo que se desenvolveu bastante na votação de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, da Câmara dos Deputados, quando Jair Bolsonaro, congressista de extrema-direita e ex-capitão do exército brasileiro, citou um torturador histórico ao votar a favor de sua saída da presidência.

Ainda no ano passado, um grupo de ultraconservadores invadiu o Congresso e rasgou bandeiras, clamando pelo retorno do governo militar. Bolsonaro negou ser neonazista, mas os críticos o acusam de compartilhar muitos pontos de vista do movimento, como o racismo e a intolerância.

Os movimentos neonazistas concentram-se, principalmente, no sul e sudeste do país, do Rio de Janeiro e São Paulo até o Rio Grande do Sul. Essas regiões foram as que, no passado, receberam o fluxo de imigrantes vindos da Alemanha, da Polônia e da Itália, aponta texto do noticiário britânico.

De acordo com analistas, a maioria dos movimentos começou em sites que propagam o discurso de ódio na internet. Segundo um artigo da antropologista Adriana Dias, da Unicamp, dos 200 milhões de habitantes do país, 150 mil são simpatizantes ou envolvidos em movimentos neonazistas.

“A violência expressada por esses grupos, seja em ataques físicos contra negros, judeus ou homossexuais, ou a disseminação de sua literatura de ódio exigiu muito trabalho nos últimos anos”, escreveu Dias.

A tese de Dias se comprova na descoberta de redes de recrutamento, como a descoberta por Jardim, em ataques de nazistas contra gays na Avenida Paulista e no crescente preconceito contra nordestinos. O policial diz que a inflexibilidade de ideias é o principal problema para lidar com esses movimentos.

“Esses não são criminosos comuns, eles têm uma ideologia. São pessoas que acreditam em limpeza étnica, em pureza racial”, diz o delegado.