The Wall Street Journal: Ataques de Trump colocam em risco exportação de carros do México

País ganhou nove das onze fábricas do setor na América do Norte nos últimos seis anos

Matéria publicada nesta quarta-feira (11) pelo The Wall Street Journal conta que o México teme a possibilidade de um recuo súbito na sua pujante indústria automobilística, depois que várias montadoras cancelaram planos de novos investimentos no país nos últimos dias ou anunciaram que poderão cancelá-los devido às ameaças do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, de puni-las com impostos de importação. O diretor da Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchionne, disse na segunda-feira (9) que a montadora pode sair totalmente do México se o governo Trump levar adiante a promessa de impor tarifas sobre os carros importados do México.

O Journal destaca que o México ganhou nove das 11 novas fábricas automobilísticas anunciadas na América do Norte ao longo de seis anos, de acordo com o Centro de Pesquisa Automotiva de Detroit, o que criou centenas de milhares de novos empregos e transformou o país no quarto maior exportador de veículos do mundo, atrás da Alemanha, Japão e Coreia do Sul. Contudo, pelo menos uma dessas novas fábricas — e talvez mais, caso Trump leve adiante seus discurso — não será construída agora, depois que a Ford Motor Co. anunciou na semana passada que estava cancelando seus planos de construir uma fábrica de US$ 1,6 bilhão na cidade de San Luis Potosí, a cerca de 400 quilômetros da capital, Cidade do México. O anúncio alarmou muitas pessoas da região, que cresceu acostumada com constantes anúncios de aberturas de fábricas e de contratação de funcionários. Agora, cerca de 2.800 vagas da fábrica da Ford e milhares de outros empregos indiretos deixarão de ser criados.

O diário norte-americano afirma que o México produziu no ano passado 3,5 milhões de veículos leves, em comparação com 1,98 milhão dez anos antes, segundo informou na segunda-feira a associação da indústria automotiva. Apenas nos últimos quatro anos, o México atraiu US$ 17 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) relacionados ao setor automotivo, de acordo com dados do governo. A manufatura automotiva é hoje o segundo maior setor do México, atrás do de processamento de alimentos. As dez montadoras estrangeiras presentes no México e seus 1.300 fornecedores — assim como uma dezena de fabricantes de caminhões pesados e ônibus — empregam 730 mil pessoas diretamente, de acordo com executivos da indústria.

O noticiário acrescenta que a indústria automotiva e de autopeças também responde por grande parte do déficit comercial dos EUA de US$ 60 bilhões com o México, segundo a Organização Internacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Os consumidores americanos compram mais de 65% dos carros que o México exporta. Isso pode explicar por que Trump tem se concentrado principalmente na indústria automotiva. Na semana passada, o ex-magnata do setor imobiliário criticou a Toyota Motor Corp. pelos seus planos de usar o México para exportar alguns de seus carros Corolla para os EUA, prometendo revidar com um imposto de importação sobre os veículos que ela trouxer cruzando a fronteira.

Por ora, a Toyota e outras montadoras afirmam que vão continuar no México. A diretora-presidente da General Motors Co., Mary Barra, disse na noite de domingo que a companhia não irá transferir sua produção de pequenos veículos do México para os EUA. Poucos lugares no México se tornaram tão dependentes da indústria automobilística do que a região no centro do país. A GM foi pioneira em meados dos anos 90 na cidade de Silao, no Estado de Guanajuato, que na época era um município agrícola. A Nissan, que tem outra fábrica ao sul da Cidade do México, começou a produção em Aguascalientes logo depois.

A Mazda começou produzindo carros há três anos em Salamanca, a cerca de 50 quilômetros ao sul de Silao, e a Honda, mais ou menos na mesma época, em Celaya, nas proximidades. A Toyota está começando a instalação da sua nova fábrica também perto de Celaya. A região tem fácil acesso à fronteira dos EUA e com as duas costas do país por duas ferrovias e uma moderna rede de rodovias de alta velocidade.

WSJ afirma que algumas autoridades mexicanas dizem que será difícil de brecar o crescimento do México como uma plataforma global de produção de veículos. Ao contrário do agora silencioso terreno da Ford, a construção de novas instalações em parques industriais próximos continua a todo vapor.

Anúncios

Sobre as eleições presidenciais nos EUA

por Jorge Cadima

As eleições presidenciais norte-americanas de 2016 evidenciaram de forma inquestionável a profunda crise social, económica, política e ideológica da super-potência imperialista. Revelaram também, de forma contundente, a existência de profundas clivagens no seio da classe dominante dos EUA, e com o grande capital europeu promotor do cada vez mais anti-democrático processo de integração capitalista na Europa. Tudo isto é expressão da profunda crise do sistema capitalista e, em particular, da crise que assola os dois principais pilares desse sistema no plano mundial: os EUA e a UE. Independentemente das muitas incertezas e da possibilidade de acontecimentos surpreendentes, mesmo no futuro imediato, é seguro que a vitória de Trump irá acelerar as contradições e provocar novos sobressaltos que agudizarão ainda mais a crise. Não é mesmo de excluir a possibilidade que se esteja perante um processo de grandes convulsões no sistema capitalista mundial.

O descontentamento como expressão da crise social

Se há facto que todo o processo eleitoral das eleições presidenciais tornou patente é o profundíssimo descontentamento que reina no seio do povo norte-americano. Descontentamento que, pela sua extensão e profundidade, terá apanhado de surpresa quantos se limitam a acreditar e reproduzir os mitos e as mentiras da comunicação social dominante. Basta referir que um sério candidato à candidatura do Partido Democrático (Sanders) se auto-proclamava ‘socialista’ (independentemente da verdade dos factos) para se perceber que algo de inédito se passa nos EUA. E a profunda crise de legitimidade do sistema político nos EUA ficou visível no facto de o vencedor das eleições, Trump, passar os seus comícios a dizer que Hillary Clinton era corrupta e deveria estar presa, apresentando-se como homem providencial para ‘drenar o pântano’ da corrupção em Washington.

A constatação da crise no plano político não pode ser explicada por quem apenas assimila a propaganda mediática do sistema. Esse descontentamento profundo e generalizado reflecte uma realidade que foi mantida escondida durante décadas nos telejornais e manchetes: a realidade do acentuado empobrecimento da maioria do povo norte-americano, num país onde a obscena riqueza duma minoria é cada vez maior; a realidade de muitos trabalhadores que nem com um duplo emprego conseguem sair da pobreza. Esse empobrecimento começou a ganhar maior expressão de massas em finais dos anos 70, com o avanço da ofensiva anti-social do capitalismo. Os EUA são o mais rico país do planeta, mas acompanham a Papua Nova Guiné como únicos países onde não existe o direito legal à licença de maternidade; nos EUA nem sequer existem baixas por razões de saúde, garantidas por lei (Time1, 16.1.15). Não existe um sistema nacional de saúde público universal2, facto que se reflecte em múltiplos indicadores3. Os EUA têm 34% dos bilionários do planeta, mas a mais alta taxa de pobreza entre os países desenvolvidos: um em cada seis norte-americanos (46,2 milhões de pessoas) vive abaixo do limiar da pobreza4. Vários estudos recentes indicam que a esperança de vida está a diminuir entre a população no seu conjunto, e de forma mais assinalável entre a população branca, uma tendência que foi «atribuída ao que por vezes se chama as doenças do desespero: overdoses [de drogas], alcoolismo e suicídios»5. Em 2015 o número de mortes por consumo de opiáceos excedeu, pela primeira vez na história, o número de mortes por armas de fogo6. Facto notável, quando mesmo a comunicação social reflecte a verdadeira epidemia de massacres e tiroteios que ceifam a vida a muitos norte-americanos.

O sistema responde a esta explosiva situação social (que não foi invertida nos anos de Obama) com a criminalização dos pobres. Os EUA têm 4,4% da população mundial, mas 22% dos presos7(quase 2,3 milhões de norte-americanos estão nas prisões). A partir da presidência Reagan (nos anos 80) muitas prisões foram privatizadas e são fonte de mão-de-obra a custos reduzidíssimos, num sistema de sobre-exploração que já recebeu o nome de ‘complexo prisional-industrial’. A população prisional é, em grande medida, constituída pelos sectores mais pobres e explorados do país. Dentro e fora das prisões, a violência caracteriza o sistema. As autênticas execuções policiais nas ruas do país (sobretudo de afro-americanos) já quase nem são notícia. A violência irracional que é imagem de marca do poder planetário do imperialismo norte-americano é a outra face da moeda da violência e repressão sobre a sua própria população, e em particular as camadas mais pobres.

É hoje uma evidência incontestável, proclamada até por alguns candidatos à Casa Branca, que a tão propalada ‘democracia’ norte-americana é na realidade um sistema de poder duma pequena minoria de ultra-ricos, visando torná-los ainda mais ricos. Como os comunistas sempre afirmaram, não é possível esquecer o adjectivo ‘burguesa’ quando se avalia a realidade de sistemas formalmente democráticos no contexto do capitalismo. Quanto muito, a expressão ‘democracia burguesa’ peca por alargar demasiado o quadro dos beneficiários do sistema hoje vigente nos EUA.

A crise do imperialismo EUA

A explosão da crise de 2007-2008 teve o seu epicentro nos EUA. Ao longo das últimas décadas, o outrora industrialmente pujante capitalismo dos EUA foi-se tornando um casino tóxico-dependente dos subsídios estatais e da gigantesca máquina de guerra e subversão que impôs ao resto do planeta a pilhagem em larga escala do «consenso de Washington». Décadas de deslocalização da produção pelo grande capital norte-americano (que servia também para atacar a situação social da classe operária dos EUA), a especulação, a fraude, os mecanismos financeiros cada vez mais divorciados da produção (que a baixa tendencial da taxa de lucro deixava de tornar atraente) criaram um sistema fictício de ‘riqueza’ sem contrapartida material. Um sistema assente na hegemonia do imperialismo norte-americano sobre o sistema financeiro mundial; na sua grande comunicação social de massas (incluindo a sua componente hollywoodiana); e no seu gigantesco aparato de guerra (incluindo os seus serviços secretos como a CIA). O resto do planeta alimentava o cada vez mais parasitário e decadente capitalismo dos EUA, que se afundava num endividamento insustentável (como desde há muitos anos afirmam as Resoluções Políticas dos Congressos do PCP).

Mas, de forma dialética, essa desindustrialização e deslocalização produtiva para fora dos EUA contribuiu para fazer crescer novas potências emergentes ou reemergentes. Há 25 anos o PIB dos EUA representava quase um quarto do PIB mundial (e quase o triplo do PIB do Japão, a segunda maior potência capitalista). Hoje essa percentagem8 é de cerca de 16%, percentagem quase idêntica à da China (e talvez um pouco menor).

A consciência da insustentabilidade no plano económico da sua hegemonia conduziu a classe dirigente dos EUA a ensaiar, no início deste milénio, uma afirmação unilateral do seu poder pela via militar. A expressão mais visível dessa opção foi a invasão do Iraque em 2003 e os choques públicos da presidência Bush com duas grandes potências europeias, o eixo franco-alemão que então hegemonizava a UE. O fracasso dessa iniciativa unilateral, e a eclosão da crise mundial do capitalismo em 2007-2008, traduziu-se numa renovada aliança EUA-UE, hegemonizada pelos EUA, que tem marcado as presidências de Obama. Uma aliança que, por entre rivalidades e contradições sempre presentes, procurou enfrentar os efeitos da crise através do reforço das políticas de dominação planetária imperialista pela via da guerra e subversão (Líbia, Síria, Ucrânia, Iémen, e colaboração no Afeganistão e Iraque, contra-ofensiva na América Latina e África) e de brutais políticas contra os seus próprios povos (como as troikas) que acompanharam os salvamentos e subsídios à banca e ao sistema financeiro.

Quase uma década após a eclosão da grande crise do capitalismo, é uma evidência que o sistema não foi capaz de resolver os problemas de fundo. Novas explosões de crise estão no horizonte. A crise na, e da, União Europeia tornou-se indisfarçável. Pelo caminho, o sistema isolou-se socialmente. O controlo ideológico sobre os povos está a vacilar. Cresceu a oposição à hegemonia imperialista euro-americana por parte de países que viram a sua própria existência posta em causa, com particular destaque para a Rússia. O auxílio militar da Rússia à Síria e a crescente colaboração de Rússia e China – não apenas no plano económico – assinalaram uma nova fase da crise e dos seus telúricos reflexos políticos.

A ascensão de Trump

A vitória de Trump nas eleições presidenciais dos EUA não está desligada desta dupla faceta – interna e externa – da crise dos EUA. Multimilionário,Trump não é um candidato anti-sistema, apesar de toda a sua retórica. Pelo contrário, é expressão desse sistema, embora cavalgue o descontentamento que ele gera. Reflecte clivagens no seio da classe dominante sobre a melhor forma de enfrentar a crise da super-potência do capitalismo. Ainda não é inteiramente clara a estratégia destes sectores no plano internacional. Mas a própria palavra de ordem «Make America Great Again» (‘tornemos de novo grande a América’), bem como a reacção quase histérica dos principais dirigentes europeus à vitória de Trump, permite antever que a estratégia dos EUA de Trump irá acentuar a primeira componente do binómio rivalidade-concertação, que sempre caracterizou as relações entre as principais potências imperialistas do nosso tempo. A reiterada decisão de romper com o TPP e outros Tratados de comércio inimigos dos povos e da soberania dos Estados deve ser vista nesta óptica.

Menos incertezas existem quanto ao significado duma presidência Trump para os trabalhadores e o povo norte-americano. As primeiras nomeações de Trump já deixam antever um governo composto por multimilionários ultra-reaccionários, ligados aos sectores financeiro (Goldman Sachs) e petrolífero (Exxon), e marcado pelo ódio aos direitos dos trabalhadores e do povo. O pântano não será drenado, embora possa ser repovoado de novos crocodilos. Ameaçadora é a presença de pelo menos três ex-Generais (o Ministro da Defesa, o responsável pelo Departamento de Segurança Interna – Homeland Security – e o Conselheiro de Segurança Nacional). Para lá de inevitáveis campanhas demagógicas, o que se perspectiva é uma acentuação das políticas anti-sociais e de ofensiva de classe, acompanhadas dum crescente autoritarismo e militarismo.

Não devem ser subestimadas as clivagens que emergiram no seio da classe dominante dos EUA. A violência da campanha eleitoral não foi apenas fogo de vista, nem resultou do facto de uns serem mais ‘progressistas’ do que outros. O que está em jogo é o futuro da super-potência imperialista e o seu papel planetário. O apoio a Hillary Clinton da quase totalidade do sistema mediático, de boa parte dos serviços secretos9 e de quase todo o aparelho ligado à política internacional dos EUA (incluindo muitos ‘neocons’ do tempo de Bush e da guerra do Iraque), é um facto. Em Agosto, em plena campanha eleitoral, meia centena de destacados Republicanos, muitos dos quais ligados a anteriores Presidentes Republicanos (incluindo o ex-chefe da CIA e da NSA Michael Hayden, o famigerado John Negroponte, ex-Chefes do aparelho de Homeland Security, criado no rescaldo do 11 de Setembro, como Michael Chernoff e Tom Ridge) tornaram público um apelo para não eleger Trump, acusando-o de «pôr em risco a segurança nacional do nosso país»10. A comunicação social apoiante de Clinton quase apelidou Trump de agente do presidente russo Putin. Nas vésperas da reunião do Colégio Eleitoral (que realmente elege o Presidente dos EUA)11, o Washington Post(9.12.16) voltou à carga com artigo de título «Estudo secreto da CIA diz que a Rússia tentou ajudar Trump a ganhar a Casa Branca», ao que Trump retorquiu afirmando «é a mesma gente que disse que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa»12. Não se pode excluir que, até à tomada de posse do novo presidente (dia 20 de Janeiro), possa acontecer «algo de louco» que impeça a tomada de posse, como antevê o cineasta Michael Moore (NBC, 9.12.16). Michel Chossudovsky não exclui a possibilidade duma crise constitucional nos EUA13. O próprio facto de Trump ter perdido para Hillary Clinton o voto popular14 contribui para aumentar essa possibilidade, cujas consequências seriam imprevisíveis.

A crise do capitalismo mundial irá agravar-se

Há ainda muita incerteza sobre as linhas de força duma presidência Trump no plano internacional. Seria errado sobrevalorizar declarações proferidas durante a campanha eleitoral, até porque elas foram frequentemente contraditórias. Nem o sistema de poder nos EUA depende dum único homem, nem a natureza de classe do sistema e as suas taras podem ser esquecidas. Foi a consciência desse facto que impediu que o PCP embarcasse nas euforias Obamomaníacas de há oito anos atrás, alertando (correctamente, como o tempo veio comprovar) que Obama era um candidato gerado pelo sistema no rescaldo da sua grande crise, para tentar canalizar o descontentamento já então reinante e não para o transformar. Poderá existir algum desanuviamento nas relações EUA-Rússia, mas mesmo isso não é certo, sendo já visível um reforço ulterior da fortíssima campanha anti-russa (poderá também existir alguma provocação enorme, que relance a confrontação entre as duas maiores potências nucleares). Com a equipa Trump adensam-se ameaças ao Irão, RPD Coreia, Cuba e ao povo paletino, e multiplicam-se provocações à China. É quase certo que as relações dos EUA com as potências europeias conhecerão novo período de importantes sobressaltos, com consequências ainda imprevisíveis, mas de enorme impacto mundial.

A instabilidade e incerteza que marcam a crise sistémica do capitalismo terão tendência a crescer. As rivalidades entre potências imperialistas tenderão a agudizar-se, à medida que a concertação for dando cada vez mais lugar ao salve-se quem puder e à rivalidade. Os perigos de que o sistema resvale para soluções de força continuam no horizonte, mesmo que sob formas diversas. Aos povos não cabe esperar por soluções que venham do âmago do sistema. É imperioso lutar pelas alternativas de paz, progresso e transformação social, que apenas com a sua luta poderão ser alcançadas. É imperioso não perder de vista que, como a História ensina e a realidade torna cada vez mais evidente, o capitalismo nada tem para oferecer aos povos, excepto exploração, miséria e guerra.

Notas

(1) O artigo refere ainda que apenas 41% das mulheres gozam duma licença de maternidade paga – pela via de contratos de trabalho – mas que em média recebem apenas 31% dos seus salários durante as 3,3 semanas de duração média dessa licença. A situação é ainda pior para as mulheres trabalhadoras cuja escolaridade não ia além do ensino secundário: apenas 29% goza de licença de maternidade paga e a sua duração média é de apenas 2,3 semanas. Em Janeiro de 2016 o Presidente Obama propôs que as trabalhadoras do Governo Federal passassem a ter direito a seis semanas de licença de parto.

(2) O propagandeado Obamacare é um acordo com companhias seguradoras que, nas vésperas das eleições anunciaram grandes aumentos nas prestações a serem pagas pelos cidadãos que aderiram ao novo esquema, facto que revela quem na realidade controla o esquema.

(3) Um estudo (citado em The Atlantic, 10.1.13) refere que os EUA têm os piores indicadores de saúde entre os 19 países desenvolvidos estudados, incluindo a maior mortalidade de crianças até aos 5 anos de idade.

(4) Fonte: www.povertyprogram.com/usa.php

(5) Washington Post, 8.12.16.

(6) RT, 9.12.16, citando um estudo do CDC – Centro para o Controlo e Prevenção das Doenças.

(7) Wikipedia, United States incarceration rate, onde se citam as fontes destes dados e dos seguintes.

(8) Em Paridade de Poder de Compra (PPP). Fonte: www.quandl.com/collections/economics/gdp-as-share-of-world-gdp-at-ppp-by-country

(9) O FBI parece ser excepção.

(10) Chicago Tribune, 8.8.16.

(11) A realizar em 19 de Dezembro, data posterior à escrita deste artigo.

(12) New York Times(10.12.16). O absurdo da campanha que acusa a Rússia de ingerência é ilustrado pela mesma notícia, que tenta justificar o segredo sobre o alegado relatório da CIA dizendo: «a CIA e a NSA não querem revelar as suas fontes humanas ou capacidades técnicas, incluindo o software americano implantado nas redes de computadores russas».

(13) Em www.globalresearch.ca, 9.12.16.

(14) Mais de um mês após as eleições ainda não existem números oficiais definitivos, mas tudo aponta para que Clinton tenha obtido mais 2,5 milhões de votos do que Trump. Pena é que só agora alguns assinalem a natureza anti-democrática do sistema eleitoral indirecto e do Colégio Eleitoral.

New York Time expõe que Empresas de Trump devem o dobro do que ele diz

As empresas que pertencem ao candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, devem ao menos US$ 650 milhões, ou seja, o dobro do que admitiu em sua campanha – relatou o jornal The New York Times neste sábado (20).

O jornal recorreu a um instituto de estudos especializado no setor imobiliário para buscar dados sobre as propriedades do candidato republicano, particularmente prédios comerciais e campos de golfe.

Além dos US$ 650 milhões em dívidas, “uma parte substancial de sua fortuna está vinculada a três associações que ainda devem US$ 2 bilhões”. Se essas dívidas não foram saldadas, Trump não será responsável, mas o valor dos investimentos em seu conjunto cairia, garante o NYT.

O magnata faz campanha com base em seu bem-sucedido negócio no setor imobiliário, alegando que vale cerca de US$ 10 bilhões, e faz referência a sua perspicácia para o mundo empresarial como sua maior qualidade para ser presidente.

Trump desconsiderou as crescentes pressões, inclusive de seu próprio partido, para que divulgue sua declaração de impostos e permita uma taxação independente de seus ativos.

A campanha de Trump sustenta que suas empresas têm dívidas de cerca de US$ 315 milhões, afirma o “Times”, acrescentando que os números divulgados por ele parecem ser precisos, mas que não se exigiu do candidato republicano que revele tudo que diz respeito às suas atividades empresariais.

Embora o jornal não o acuse de nada ilegal, a investigação “destaca o mistério que continua cercando suas atividades empresariais”.

Entre os credores de Trump figura, segundo o jornal, um dos principais bancos da China – país acusado pelo candidato republicano de ser o inimigo comercial dos Estados Unidos – e o banco Goldman Sachs, ao qual Trump acusa de favorecer sua oponente democrata, Hillary Clinton.

Seguidores de Trump atribuem seus tropeços à mídia e pesquisas de opinião

Problemas? Que problemas? Os simpatizantes de Donald Trump desconsideram as pesquisas de opinião que revelam um declínio na campanha do candidato republicano à Casa Branca e culpam a mídia, pesquisadores e o establishment de prejudicar o rebelde magnata.

Para os que apoiam Trump, essa situação é o melhor exemplo de “todos contra um”.

Desde o fim de julho, Trump aparece atrás nas pesquisas, segundo o site Real Clear Politics que continuamente realiza essas sondagens. A democrata Hillary Clinton tem uma média de 6 pontos de vantagem, uma boa margem a menos de três meses das eleições de 8 de novembro.

Mas esses números não preocupam os seguidores do milionário.

“Realmente não acredito neles, porque todos com que eu conversei disseram que votariam no Trump”, fala à AFP Peggy Overman em um centro de convenções em Charlotte, Carolina do Norte, onde Trump fez sua primeira aparição pública desde que mudou sua equipe de campanha.

Overman opina que muitos eleitores escondem seu apoio a Trump nas pesquisas para evitar “zombarias, ser considerado ignorante ou racista”.

Mesmo que Trump tenha liderado com folga durante as primárias republicanas, seus simpatizantes agora acreditam que essas pesquisas estejam sendo manipuladas para aumentar as oportunidades de Hillary.

“A única coisa que me ocorre é que não estão dizendo a verdade sobre isso”, disse Cheryl Hughes, uma funcionária autônoma de 55 anos. “Veja o tamanho das multidões”, acrescenta para ilustrar sua opinião.

“Se você for aos comícios da Hillary Clinton, tem cerca de 60 pessoas, e depois você vem pra cá e tem milhares de pessoas, simplesmente (os resultados das pesquisas) não fazem sentido”, disse a mulher.

– “O establishment” –

O establishment republicano e os líderes do partido que resistem em apoiar Trump também não responsáveis, opina Michael Scholz, de 36 anos, gerente de vendas de uma emissora.

Mas o autêntico alvo do desprezo dos seguidores de Trump é a grande mídia.

Apesar de aceitarem que seu candidato tenha cometido alguns deslizes, sentem que os meios de comunicação transformam esses incidentes em polêmicas.

As notícias “só pegam uma parte, são cortadas” para ficar com os elementos mais controversos, critica Hughes.

Ela se informa em emissoras como Fox News, sites conservadores e páginas do Facebook onde o nome de Hillary comumente é seguido por um adjetivo como “mentirosa” ou “desonesta”.

“Mesmo que algumas vezes ele não seja politicamente correto, ele tem boas ideias”, afirma Dan Wallace, 62 anos, um dos fãs do magnata, que acrescenta que a arena política “é nova” para Trump, “mas que ele é suficientemente inteligente para saber que precisa tomar certas posturas”.

Muitos admiram o milionário de 70 anos por sua incorreção política, apesar de alguns admitirem que gostariam de vê-lo baixando o tom de seus comentários.

“Só queria que algumas vezes ele ficasse à margem das bobagens e realmente se dedicasse a suas políticas, que são muito boas”, expressa Mark Gonzales, 40 anos, dono de uma empresa de jardinagem.

A ideia de uma briga desigual contra o sistema esteve no coração da mensagem de Trump durante o comício de quinta-feira à noite.

“Os meios de comunicação do establishment irão tirar minhas palavras de contexto e passarão uma semana obcecados com cada sílaba e depois tentarão descobrir algum significado secreto no que eu disse”, afirmou Trump em Charlotte.

“Cada história é contada a partir da perspectiva dos de dentro (do sistema)”, acrescentou. “É a narrativa daqueles que manipulam o sistema, nunca a voz dos que são manipulados”.

Gonzales viu seu desejo realizado em Charlotte, pois Trump leu seu discurso em um teleprompter e se apegou ao roteiro, inclusive afirmando seu arrependimento por ter feito comentários ferinos.

O candidato republicano mostrou um enfoque mais disciplinado, mas só o tempo dirá se tem algum efeitos nas pesquisas.

Chefe de campanha de Donald Trump renuncia

Paul Manafort, chefe de campanha do candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta sexta-feira sua renúncia, dois dias depois de o empresário ter reformulado sua equipe para a reta final da corrida eleitoral.

“Esta manhã Paul Manafor me apresentou sua renúncia, e eu a aceitei”, disse Trump em comunicado, no qual agradeceu o “grande trabalho” realizado por seu chefe de campanha durante o processo de primárias e na Convenção Nacional Republicana.

A saída de Manafor acontece alguns dias depois de o jornal “The New York Times” ter relatado que o agora ex-chefe de campanha de Trump recebeu quase US$ 13 milhões de um partido pró-Rússia na Ucrânia durante um período de seis anos.

Trump reformulou sua equipe de campanha dois dias depois e Stephen Bannon, diretor de um veículo de imprensa conservador conhecido por defender seu estilo provocador, e Kellyanne Conway, que trabalhava como assessora e analista de pesquisas da candidatura, foram colocados na chefia.

De acordo com o “New York Times”, os pagamentos a Manafort, feitos entre 2007 e 2012, aparecem em livros de contabilidade secretos do Partido das Regiões, do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, que estão sendo investigados pelo Departamento de Combate à Corrupção em Kiev.

O jornal nova-iorquino garantiu que entre as transações duvidosas há um acordo de US$ 18 milhões para vender ativos de uma emissora de televisão para um consórcio montado por Manafort e o oligarca russo Oleg Deripaska, aliado do presidente Vladimir Putin.

Manafort passou a fazer parte da campanha em março, três meses antes da demissão do até então responsável pela mesma, Corey Lewandowski, por suas relações “hostis” com a imprensa e o mal-estar de alguns membros do Comitê Nacional Republicano.

Fonte: EFE

Trump cria grupo de assessores hispânicos para impulsionar baixa popularidade

Washington, 20 ago (EFE).- O candidato republicano Donald Trump reúne-se neste sábado com seu recém-criado “Conselho Nacional Hispânico de Assessoramento”, um conjunto de líderes empresariais, civis e religiosos, com o qual o magnata procura relançar sua debilitada posição nas pesquisas entre essa comunidade.

A campanha de Trump e o Comitê Nacional Republicano (RNC, em inglês) apresentou hoje o Conselho como “um grupo diverso de líderes nacionais hispânicos que assessoram a campanha e compartilham as propostas de Trump com a comunidade hispânica”.

“Sua participação é só um dos componentes de nosso esforço expansivo para nos comprometermos com a comunidade hispânica, e sua colaboração nos ajudará a competir por cada voto em cada comunidade até o dia das eleições”, apontou Reince Priebus, presidente do Comitê Nacional Republicano.

Após o encontro que será realizado em Nova York, o Conselho de Assessores discutirá estratégias para assegurar que “a comunidade hispânica compreende as propostas de Trump para dar a volta a uma anêmica economia, revitalizar a cada vez mais reduzida classe média e pôr fim ao terrorismo internacional”.

Entre eles, figuram a representante estadual Clarice Navarro, do Colorado, e os pastores evangélicos Mario Bramnick e Alberto Delgado, da Flórida.

Com esta iniciativa, o Partido Republicano buscar estabelecer pontes com a comunidade hispânica, que, de acordo com as pesquisas, parece inclinada de maneira majoritária a votar em Hillary nas eleições de 8 de novembro.

Várias pesquisas nacionais situam Trump 60 pontos abaixo de Hillary em intenções de voto entre os hispânicos, cujo crescente peso demográfico nos EUA faz com que seu apoio seja fundamental para conseguir vencer nas eleições.

Durante a campanha eleitoral, o magnata republicano realizou várias declarações controversas que fizeram os hispânicos nos EUA lhe darem às costas.

Trump qualificou os imigrantes provenientes do México de “violadores” e responsáveis pelo tráfico de drogas, e prometeu a construção de um muro na fronteira sul americana para conter a imigração irregular.

O magnata também causou rebuliço ao criticar o juiz federal encarregado do caso da suposta fraude da Universidade Trump de ser parcial pelo fato de ter origens mexicanos, apesar de ter nascido em Indiana. EFE

Fonte: EFE

‘O que vocês tem a perder?’, pergunta Donald Trump a comunidade negra dos EUA

O candidato republicano à Casa Branca Donald Trump dedicou nesta sexta-feira um discurso à comunidade negra dos Estados Unidos, em uma tentativa de ampliar sua base eleitoral, ao afirmar que o Partido Democrata traiu seus eleitores deste grupo.

“Nenhum grupo nos Estados Unidos sofreu mais com as políticas de Hillary Clinton que os negros”, disse fazendo referência a sua adversária democrata na corrida presidencial, em um comício em Dimondale, Michigan.

“Se o objetivo de Hillary Clinton era prejudicar a comunidade negra, não podia ter feito um trabalho melhor”, acrescentou.

“Hoje peço o voto de cada cidadão negro deste país que quer ter um futuro melhor”, falou o magnata imobiliário.

Em 2012, os negros representaram 13% dos votantes na eleição presidencial e 93% deles votaram em Barack Obama, segundo as pesquisas de boca de urna.

Hillary Clinton, a candidata democrata na eleição de novembro, demonstrou sua popularidade entre os afro-americanos durante as primárias do partido, em que obteve 90% do apoio frente ao senador Bernie Sanders.

Trump, que durante as primárias assegurou que seria capaz de recuperar o voto hispânico, parece ter decidido que a vitória de novembro depende mais do voto negro.

“Vocês vivem na pobreza, suas escolas não são boas, vocês não têm trabalho, 58% dos jovens estão desempregados. O que vocês têm a perder?”, perguntou aos espectadores.

Segundo Trump, sua adversária quer “abrir as fronteiras” e os imigrantes “ficariam com o trabalho de vocês”.

“Hillary Clinton preferiria dar trabalho a um refugiado estrangeiro antes de dar a jovens negros desempregados em cidades como Detroit, onde se tornaram refugiados em seu próprio país”, disse o milionário.

Este foi o primeiro discurso de Trump desde a espécie de “apaga e começa de novo” de quinta-feira, quando pediu desculpas, ainda que generalizadas, por suas declarações ferinas durante a campanha.

Fonte: Agence France-Presse