Dia da Vitória da URSS sobre a Alemanha nazista

9 de Maio

Dia da Vitória da URSS sobre a Alemanha nazista

Documentário “A Batalha da Rússia”

Na comemoração dos 72 anos da Vitória da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS contra o nazi-fascismo, na 2ª Guerra Mundial, com a capitulação incondicional da Alemanha em 9 de maio de 1945, o Dia da Vitória, o CeCAC exibirá o documentário “A Batalha da Rússia”.

A Batalha da Rússia” é um documentário realizado com imagens exclusivas, filmadas pelos soviéticos ou capturadas do inimigo. É a história da heroica resistência do povo soviético diante da agressão e da barbárie nazista.

Em 22 de junho de 1941 a Alemanha invadiu a URSS. Hitler e os nazistas pensavam numa guerra relâmpago, em poucos meses. Antes do inverno imaginavam aniquilar as principais forças do exército soviético e ocupar a parte europeia do território com o objetivo de destruir o Estado Socialista e se apoderar de suas riquezas. Subestimavam a capacidade de resistência do povo soviético e de seu Estado, do Exército Vermelho e da liderança do Partido Comunista e do seu secretário-geral, Josef Stalin. A história mostrou que estavam profundamente enganados.

Ao avaliar que os alemães tinham forças superiores, penetravam no território soviético e era impossível derrotá-los num primeiro confronto, em linhas gerais a estratégia da URSS era realizar uma guerra prolongada e de todo povo. Isso significava resistir ao máximo, recuar destruindo tudo que não pudesse ser levado para não deixar nada para o inimigo, a política de “terra arrasada”, e formar grupos guerrilheiros, a cavalo ou a pé, para desencadear a guerra de guerrilhas nos territórios invadidos.

Essa estratégia era fundamental para desgastar o inimigo e ganhar o tempo suficiente para organizar a retaguarda e prestar todo apoio às Forças Armadas soviéticas a fim de produzir cada vez mais equipamentos, armas, tanques e aviões, assim como provisões de alimentos e preparar a contraofensiva e a vitória. Ganhar tempo para a defesa do Estado Socialista e derrotar o nazismo. Este era, inclusive, o caráter principal do pacto de não agressão firmado com a Alemanha diante da posição traiçoeira da França e Inglaterra de não realizarem um acordo com URSS para a defesa da Europa contra as agressões nazistas.

Em outubro de 1941 a situação era crítica, com os nazistas às portas de Moscou. Mesmo assim, Stalin e o governo permanecem em Moscou e participam das comemorações do 24º aniversário da revolução socialista de outubro. A histórica defesa de Moscou impôs a retirada do exercito alemão impingindo-lhe a primeira derrota na 2ª guerra mundial. Acabava a lenda da invencibilidade do exército de Hitler.

A Batalha da Rússia” registra aquela que foi a maior na história de todas as guerras, a Batalha de Stalingrado. A ordem de guerra 227 do governo soviético era: “Nenhum passo atrás, Stalingrado não deve render-se ao inimigo”. Em fevereiro de 1943 todo o 6º exército e parte do 4º exército alemães foram capturados. O Exército Vermelho fez mais de 330 mil prisioneiros, entre eles o Marechal Von Paulus e 20 generais.

A partir de Stalingrado iniciou-se a contraofensiva geral que foi liberando, uma a uma, todas as regiões da URSS que os alemães haviam ocupado desde o inicio da guerra.

Em 1943 e 1944 a Alemanha segue sofrendo uma derrota atrás da outra na URSS. Hitler havia concentrado ali 95% de todas suas tropas. Assim, foi justamente o povo soviético que aniquilou o nazi-fascismo.

Em 16 de abril de 1945, o Exército Vermelho lançou a última ofensiva sobre Berlim. Após uma dura batalha pelas ruas da capital alemã, a bandeira vermelha tremula na capital do território inimigo. O alto comando alemão, em 9 de maio de 1945, assina a capitulação total e incondicional. 9 de maio é declarado o Dia da Vitória.

O povo soviético na “Grande Guerra Pátria” escreveu algumas das maiores epopeias da história da humanidade, como por exemplo, o transporte de toda a indústria do ocidente para o oriente, toneladas de máquinas foram transportadas por milhares de quilômetros. O heroísmo do Exército Vermelho e dos guerrilheiros, o trabalho abnegado de todo o povo, velhos e jovens, homens, mulheres e crianças, a justa direção do Partido Comunista unindo o povo, superaram as dificuldades na resistência à invasão alemã. Mais de 25 milhões de soviéticos deram suas vidas em defesa da URSS, do socialismo e da humanidade.

A Batalha da Rússia”, ressalvando alguns pequenos pontos, como, por exemplo, o destaque exagerado dado ao inverno como fator da derrota alemã e a informação incorreta de que o governo soviético se retirou de Moscou junto com o corpo diplomático durante o cerco à cidade, é um documentário de inestimável valor. É uma produção do próprio governo norte-americano capaz de oferecer os elementos para desmentir as “acusações” de que a URSS não havia se preparado para a guerra, porque não acreditava na invasão e por isso foi pega de surpresa pelos alemães.

O documentário “A Batalha da Rússia” foi realizado pelo Departamento de Guerra norte-americano, em 1943, quando já ficava insustentável a não participação dos EUA na guerra aos nazistas, na Europa, onde se decidia a 2ª Guerra Mundial. (Os países imperialistas “Aliados” manobravam para o enfraquecimento da URSS. Os EUA já haviam se comprometido a combater na Europa em 1942, com o objetivo de abrir uma nova frente de guerra contra a Alemanha, e lá chegaram apenas em junho de 1944). Era preciso sensibilizar os norte-americanos, tentar neutralizar o anticomunismo tão presente e tão estimulado na sociedade estadunidense.

A Batalha da Rússia” é um dos raros filmes progressistas realizados nos EUA sobre a 2ª Guerra Mundial (lembramos aqui de outros três: “O grande ditador”, de Chaplin (1940); “Casablanca”, de Michel Curtis (1942) e “O Sabotador”, de Hitchcock (1942). Particularmente da década de 50 em diante, num artifício nazista de repetir mil vezes uma versão mentirosa de um fato, gastaram rolos e rolos de filmes para fazer as novas gerações acreditarem (até os dias de hoje) que foram os norte-americanos que derrotaram os nazistas.

A vitória da URSS demonstrou toda a superioridade do socialismo sobre o capitalismo e o acerto do Partido Comunista da União Soviética em colocar em primeiro plano a questão política, a mobilização de todo o povo e não ver a guerra meramente como uma questão militar.

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A Batalha da Rússia. (The Battle of Russia). Documentário. EUA. Direção: Frank Capra, Anatole Litvak. Ano: 1943. Duração: 80 min. Preto e branco

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PCP celebra o dia da vitória e apela pela à luta pela paz

Vozes ao alto pela paz contra o imperialismo

A sessão «Pela Paz, Amizade e Cooperação entre os Povos», realizada anteontem à noite no Seixal, evidenciou um dos objectivos centrais da luta dos comunistas – a luta pela paz, contra o imperialismo –, hoje mais actual e urgente do que nunca.

O PCP escolheu o dia 9 de Maio, no qual se assinala a vitória sobre o nazi-fascismo, para, no âmbito das comemorações do centenário da Revolução de Outubro, abordar as questões da luta pela paz e dos princípios da soberania e igualdade que, segundo os comunistas, devem reger as relações entre estados. Estas foram, a par da solidariedade à luta e resistência dos povos ao imperialismo, as dimensões valorizadas na iniciativa, na qual participaram centenas de pessoas, vindas dos vários concelhos da Margem Sul do Tejo, e não só, que encheram por completo o auditório do Fórum Municipal do Seixal.

Para os comunistas, a paz, tal como a guerra, está estreitamente ligada à luta de classes. Esta ideia, recordada no filme com que se iniciou a sessão, remetia para a convicção de que a paz se conquista e se defende, cabendo aos trabalhadores e aos povos, com a sua unidade, determinação e luta, fazê-lo. Os comunistas, hoje como ao longo do século XX, têm perante si a decisiva tarefa de estimular, organizar, alargar e dar sentido a esta luta.

Se o capitalismo, na sua fase imperialista, é o gerador das guerras que afligem a humanidade, é o socialismo que «abre a perspectiva de um mundo de paz, amizade e cooperação entre os povos», afirmou-se igualmente no filme transmitido anteontem à noite. Daí Lénine ter dito, o que foi igualmente recordado, que a Revolução Socialista de Outubro de 1917 constituía a «primeira vitória da luta para suprimir as guerras»: os princípios da sua política externa, aplicados desde o primeiro dia de poder soviético e muitos dos quais consagrados no direito internacional nascido após a vitória sobre o nazi-fascismo, aí estão a demonstrá-lo.

Palavras resistentes

O Coro Lopes-Graça da Academia dos Amadores de Música, que subiu em seguida ao palco, interpretou oito temas, uma canção popular e sete Heróicas – estas últimas escritas por alguns dos mais consagrados poetas portugueses e compostas por Fernando Lopes-Graça em meados do século passado. Mas as suas palavras e melodias, bem como a combatividade e sensibilidade que delas emanam, são já intemporais, colocando as Canções Heróicas, justamente, na galeria das grandes cantigas de combate pelas mais justas e empolgantes causas da Humanidade: a paz, a liberdade, o progresso, a justiça social, a cultura. Estas causas, como um dia afirmou Álvaro Cunhal, são também invencíveis.

Tal como na dura luta contra o fascismo, a que Lopes-Graça e o seu coro tanto deram, também hoje, nas batalhas em que se forja o futuro, é necessária a determinação expressa no poema «Combate», da autoria de Joaquim Namorado: «Guerras perdidas e ganhas/ Marcaram o nosso corpo/ Mas nunca em nós foi vencida/ Esta certeza sabida/ De saber aonde vamos.» Sempre com as «vozes ao alto» e «unidos como os dedos da mão», como José Gomes Ferreira descreveu na sua «Jornada».

Em seguida, os cantores Samuel e Janita Salomé, os pianistas Nuno Tavares e Filipe Raposo, a actriz Luísa Ortigoso e o escritor Domingos Lobo deram voz, através da música e da poesia, às aspirações mais profundas dos trabalhadores e dos povos do mundo e às lutas que travam pela sua efectivação e defesa: a solidariedade aos povos que se batem pela sua emancipação e soberania, a exigência de dissolução da NATO e do fim das armas nucleares, a luta contra a guerra foram destacadas em poemas e canções como «Rosa de Hiroxima», «Menina dos Olhos Tristes», «Lágrima de Preta», «Utopia», «Pequeña Serenata Diurna» ou «Pra não Dizer que não Falei de Flores», esta última de Geraldo Vandré, que impele à acção e à luta: «Vem, vamos embora, que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.»

Luta e resistência

E foi precisamente perante uma sala repleta de muitos daqueles que «fazem a hora», na luta de todos os dias, que Jerónimo de Sousa reafirmou o compromisso dos comunistas portugueses com o reforço da luta pela paz e o progresso social. Na sua intervenção, que transcrevemos na íntegra nas páginas seguintes, o Secretário-geral do Partido abordou os perigos colocados pela actual situação internacional, realçando que «é possível resistir, conter e mesmo impor recuos aos intentos de domínio do imperialismo».

A Internacional, cantada em uníssono por todos os presentes, foi uma bela e emotiva demonstração de que o colectivo partidário comunista está unido e empenhado em contribuir decisivamente para a causa da paz e da liberdade dos povos.

Cinco canções soviéticas que marcaram a Segunda Guerra

No Dia da Vitória, relembre os versos que melhor traduziram o sentimento da época.

“Na casamata”

Quando o poeta e correspondente de guerra do jornal “Komsomolskaia Pravda” Aleksêi Surkov foi designado para escrever sobre a 9ª Divisão de Guardas de Rifle, ele se viu sob fogo. Tendo escapado, Surkov e vários outros jornalistas e oficiais se esconderam em uma casamata (abrigo), onde escreveu um poema.

Uma semana depois, a música estava pronta e, em 25 de março, as notas e o texto foram publicados no veículo. Os versos “Você está longe, mas a morte – a quatro passos” logo se tornaram famosos. Em 1945, após a batalha de Berlim, Lidia Ruslanova cantou “Na casamata” nos entornos do edifício do Reichstag e do Portão de Brandemburgo.

“Noite Escura” 

O filme “Dois soldados”, de Leonid Lukov, foi filmado durante a evacuação em 1943. A cena em que o protagonista Mark Bernes canta para seus companheiros soldados em um esconderijo subterrâneo precisava de uma canção. Primeiro surgiu a melodia e, depois, repentinamente, as letras foram improvisadas: “Na noite escura/só as balas assoviam pela estepe/apenas o vento vibra nos telégrafos, as estrelas cintilam vagamente/Na noite escura, eu sei que você, meu amor, não está dormindo/E está furtivamente enxugando uma lágrima ao lado do berço”.

No dia seguinte,  a cena foi filmada, e a música ficou famosa antes mesmo de o filme ser lançado. O renomado cantor soviético Leonid Utiosov soube da música e fez sua própria versão. Mas esta gravação não mudou o destino de “Noite Escura”: embora interpretada por muitos cantores, a versão original de Mark Bernes continuou sendo a favorita de todos.

“Espere por mim”

O prosador e poeta Konstantin Simonov escreveu os versos “Espere por mim e eu vou voltar, mas espere bastante” no verão de 1941, após o início da guerra, dedicando-os à sua amada, a atriz Valentina Serova. Ele leu os versos aos soldados durante suas viagens ao fronte e, em breve, as frases penetrantes, cheios de saudade pela amada, ficaram famosas. “Espere por mim” não seria publicada, mas, vendo o quão popular o poema se tornou, Simonov decidiu fazê-lo. Vários jornais se recusaram a publicá-lo, porém, até que “Espere por mim” saiu, em 1942, nas páginas do “Pravda”. Nos dias mais negros da guerra, o poema lírico era uma salvação para muitos soldados, bem como para aqueles que estavam a sua espera em casa.

No filme “Paren iz nashego goroda” (“O rapaz da nossa cidade”, em tradução livre), que foi baseado em peças de Simonov, o poema se tornou uma canção. É cantado pela protagonista feminina em um hospital onde ela encontra o marido entre os feridos.

“O lenço azul”

A história desta música começou não muito tempo antes da guerra, quando, em 1940, a Orquestra Polonesa de Jazz estava em turnê na Rússia. Durante as apresentações, o pianista e compositor Jerzy Peterburgski tocou uma de suas novas melodias, e o poeta Iakov Galitski imediatamente escreveu a letra. Quando a mostrou para Peterburgski, o último compôs a música e assim nasceu a famosa valsa “O lenço azul”.

Muitas cantoras russas passaram a interpretá-la a partir de então, mas a fama nacional veio em 1942, quando cantada pela primeira vez pela lenda dos palcos soviéticos Klavdia Chuljenko. Durante suas apresentações no fronte, ela apresentou uma versão com letras mais contextualizadas do ponto de vista militar. E, assim, surgiu a versão “Lenço”, mais tarde interpretada em concertos e inúmeras gravações.

“Katiucha”

Esta música foi cantada pela primeira vez em 1938. A intérprete soviética de canções folclóricas Lidia Ruslanova ouviu-a durante a apresentação de um conjunto estatal de jazz e, em seguida, resolveu cantá-la durante um show no no Salão de Colunas da Casa dos Sindicatos, em Moscou.

Durante a guerra, a canção ganhou diversas versões; na época, entretanto, “Katiucha” era vista como uma menina real, e não como uma imagem coletiva. A música ainda é uma das populares daquele período – e não só na Rússia, mas também no exterior.

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