O conceito de nação em Mariátegui

O conceito de nação em Mariátegui

• Por Elvis Humberto Poletto

José Carlos Mariátegui (1895-1930)

O presente artigo está dividido em três partes. A primeira é uma contextualização histórica. A segunda trata da questão do imperialismo, para esse debate aponta-se a contraposição entre a formulação de Mariátegui e o pensamento de Victor Raúl Haya de La Torre e o APRA. Na terceira parte discute-se as questões do índio, da raça, da educação e da terra como elementos de formação da nação. Elementos que a nosso ver sustentam o pensamento de Mariátegui.

Palavras-chave: Mariátegui, Nação, Imperialismo.

Introdução 

O conceito de nação que José Carlos Mariátegui desenvolve é trabalhado a partir do  processo da apropriação da terra, do imperialismo, do papel do indígena e da educação no Peru. José Carlos Mariátegui (1895-1930) segundo ele mesmo: 

nasci em 1895. Aos catorze anos entrei como auxiliar de tipógrafo em um periódico. Até 1919 trabalhei no jornalismo, primeiro em La Prensa, depoisEl Tiempo, finalmente em La Razon. Neste último diário patrocinamos a reforma universitária. Depois de 1918, enojado com a política nativa, orientei-me decididamente para o socialismo, rompendo com meus primeiros tenteios de literato infeccionado de decadentismo e bizantinismo de fim de século, em pleno apogeu. Dos fins de 1919 a meados de 1923, viajei pela Europa.. Residi mais de dois anos na Itália, onde desposei uma mulher e algumas idéias. Andei pela França, Alemanha, Áustria e outros países. Minha mulher e meu filho me impediram de chegar até a Rússia. Da Europa me entendi com alguns peruanos sobre a ação socialista. Meus artigos dessa época assinalam as estações de minha orientação socialista. Em minha volta ao Peru, em 1923, através de reportagens, de Conferências na Federação dos Estudantes e na Universidade Popular, de artigos etc., expliquei a situação européia e iniciei meu trabalho de investigação da realidade nacional, de uma perspectiva marxista. [2] 

1. Contexto Histórico

Mariátegui passa os três primeiros anos da década de 1920 na Europa acompanhando de perto os principais acontecimentos deste período conturbado e ao mesmo tempo efervescente do século XX. O nascimento do fascismo principalmente na Itália e do nazismo na Alemanha, as consequências e reflexos da Revolução Bolchevique na Rússia, o crescimento e organização do movimento operário no mundo. No livro “El Alma Matinal Y Otras Estaciones Del Hombre de Hoy”, Mariátegui vai descrever o clima que imperava na Europa naquele momento “Cuando la atmosfera de Europa, próxima la guerra, se cargó demasiado de eletricidad,  los nervios de esta generación sensual, elegante e hiperestésica, sufrieron un raro malestar y una extraña nostalgia”. Parte desta geração “sensual e hiperestética” pedia a guerra, mas logo após se viu no meio de um grande horror, descrito na seqüência “Pero la guerra no correspondió a esta previsión frívola y estúpida. La guerra no quiso ser tan medíocre. Paris sentió, em su entraña, la garra del drama bélico. Europa, conflagrada, lacerada, mudo de mentalidad y de psicologia.” [3].

Os impactos causados pela Revolução Mexicana (1910) também estão presentes nas análises de Mariátegui. Esta Revolução teve grande impacto nos países de nosso continente nos mais variados aspectos, sendo um dos mais significativos o início de uma nova fase de desenvolvimento. A aliança entre as burguesias liberais e os camponeses organizados, na luta pelo processo de repartição de terras e pelo fim da predominância da exploração feudal, desencadeou o avanço do capitalismo industrial, ainda que de forma lenta, desigual e subordinada. A economia agrária baseada no modelo de concentração da terra e produção de monoculturas destinadas à exportação começava a se transformar. A Revolução Mexicana foi responsável pelo início da derrocada das oligarquias agrárias no conjunto do continente Latino Americano, o que não passou despercebido pela análise de Mariátegui.

Dentro deste cenário, atento aos acontecimentos mundiais, Mariátegui elaborou seu pensamento político e ao mesmo tempo posicionou-se ideologicamente. Participou de vários momentos importantes da organização do movimento operário mundial. Em 1921 assistiu ao congresso de fundação do Partido Comunista da Itália. Definiu-se como socialista e passou a empregar em suas análises o materialismo histórico e dialético enquanto ferramenta de análise da sociedade.

Mariátegui tomou como ponto de partida o caráter universal do socialismo:

O socialismo não é, certamente, uma doutrina indo-americana. Mas nenhuma doutrina, nenhum sistema contemporâneo o é ou pode sê-lo. E o socialismo, embora tenha nascido na Europa, tal como o capitalismo, tampouco é específica ou particularmente europeu. É um movimento mundial, ao qual não se subtrai nenhum dos países que se movem dentro da órbita da civilização ocidental. Esta civilização conduz, com uma força e com meios de que nenhuma civilização dispôs, à universalidade.[4] 

Ao voltar da Europa em 1923, debruçou-se na formulação do conceito de nação baseando seus estudos na peruanidade, termo que ele mesmo vai repetir ao longo de sua breve, mas fecunda existência. Iniciou uma busca incessante para elaborar esta fundamentação conceitual. Em “El alma matinal y otras estaciones del hombre  de hoy” Mariátegui apresentou sua visão sobre nação e internacionalismo:

La historia contemporânea nos enseña a cada paso que la nación no es una abstracción, no es um mito; pero que la civilización, la humanidad, tampoco lo son. La evidencia de la realidad nacional no contraría, no confuta la evidencia de la realidad internacional. [5]

2. Imperialismo

Mariátegui aproximou-se de Victor Raúl Haya de La Torre[6] no processo de construção/fundação da APRA – Aliança Popular Revolucionária Americana – um movimento criado para realizar o combate ao imperialismo nos países latino americanos e que posteriormente foi transformado em partido. Colaborou com Haya de La Torre na construção das Universidades Populares que visavam a constituição de uma intelectualidade e de um pensamento autônomo no Peru. Dois anos mais tarde, Mariátegui rompeu com Haya de La Torre. Rompimento que se justificou, entre outras coisas, pela avaliação de Mariátegui das limitações da APRA. Para ele, a perspectiva de construção de alianças com as burguesias nacionais e a elevação do combate ao imperialismo a um programa e uma doutrina eram insuficientes para armar o proletariado no processo de transformações sociais. Não acreditava que esta aliança de classes ajudaria na constituição da nacionalidade peruana. A burguesia no Peru não tinha traços nem feições nacionalistas e a questão do imperialismo, em que pese sua importância no processo de dominação e expansão do capitalismo, era apenas uma das faces/etapas deste modo de produção. Portanto, não bastava a derrota do imperialismo, era preciso realizar a transformação socialista no Peru.

Mariátegui defendia que a elite peruana, por seu papel subserviente ao imperialismo inglês e estadunidense e sócio de segunda categoria destes, não tinha capacidade de forjar uma identidade nacional e, portanto, não seria capaz construir uma nação independente. A APRA e, consequentemente, suas formulações não conseguiam apresentar um projeto de nação para o Peru. Para Mariátegui: 

el anti-imperialismo, no constituye ni puede constituir, por sí solo, un programa político, un movimiento de masas apto para la conquista del poder. El anti-imperialismo, admitido que pudiese movilizar al lado de las masas obreras y campesinas, a la burguesia y pequena burguesia nacionalistas (ya hemos negado terminantemente esta posibilidad) no anula el antagonismo entre las clases, no suprime su diferencia de intereses.[7] 

Mariátegui defendia que as lutas de cunho nacionalistas nos países que sofriam a dominação pelos imperialismos poderiam adquirir caráter revolucionário, pois estavam baseadas numa visão de resgate da integralidade do seu povo e na busca por autonomia. Identificou as diferenças entre os movimentos nacionalistas que ocorriam naquele momento, principalmente na Europa, com a dissolução dos grandes “impérios multinacionais”. Afirmou ele:

el nacionalismo de las naciones europeas – donde nacionalismo y conservatismo se identifican y consustancian – se propone fines imperialistas. Es reaccionario y anti-socialista. Pero el nacionalismo de los pueblos coloniales – si, coloniales economicamente, aunque se vanglorien de su autonomia política – tiene um origen y um impulso totalmente diversos. En estos pueblos, el nacionalismo es revolucionario y, por ende, concluye con el socialismo. En estos pueblos la idea de la nación no ha cumplido aún su trayectoria ni ha agotado su misión histórica.[8]

Em “Temas de Nuestra América”, Mariátegui escreveu sobre a unidade da América Indo-Espanhola e abordou a questão de nação e dos níveis de avanços desiguais nos países de nosso continente da seguinte forma:

Presentemente, mientras unas naciones hán liquidado sus problemas elementales, otras no han progresado mucho em su solución. Mientras unas naciones han llegado a una regular organización democrática, en otras subsisten hasta ahora densos resíduos de feudalidad. El proceso del desarrollo de todas estas naciones sigue la misma dirección; pero en unas se cumple más rapidamente que en otras.[9] 

Em 1928, após seu rompimento com a APRA, criou o Partido Socialista Peruano. Estava convencido que o caminho para as necessárias e profundas mudanças no Peru só seriam completas no socialismo. Para isso o proletariado deveria construir a aliança com o camponês indígena para que o Peru se constituísse em uma nação soberana.

No livro “Ideologia Y Politica” em “Punto de Vista Anti-Imperialista”, Mariátegui abordou a constituição do enfrentamento ao imperialismo apontando sua visão de raça e luta social. Sustentou que na China, onde se desenrolava naquele período a primeira etapa da revolução chinesa, havia uma aliança entre os revolucionários comunistas e a burguesia chinesa numa frente popular contra a aristocracia chinesa. Para Mariátegui, a burguesia chinesa se considerava “chinesa” e tinha um ímpeto anti-feudal e capitalista. Já burguesia do Peru não se sentia peruana. O criollo* peruano, a elite nacional, não desejava ser peruana, ter identidade nacional. O elemento raça não era considerado pelo chinês como impeditivo para uma aliança de classes, mas para a burguesia peruana era um elemento que a afastava da luta pela construção da nação.

Em “Ideologia Y Política”, Mariátegui tratou deste tema no artigo “El Problema de Las Razas En La América Latina”. Defendeu que a questão fosse observada com profundidade por aqueles que lutavam pela construção da nação, pois o imperialismo Inglês e Estadunidense utilizava o desprezo com que a raça indígena era tratada no Peru para reforçar seu processo de exploração e de dependência.

La raza tiene, ante todo, esta importância em la cuestión del imperialismo. Pero tiene tambíen outro rol, que impide asimilar el problema de la lucha por la independência nacional em los países de la América con fuerte porcentaje de población indígena, al mismo problema en el Ásia o el África. Los elementos feudales o burgueses, en nuestros países, sienten por los índios como por los negros y mulatos, el mismo desprecio que los imperialistas blancos. El sentimiento racial actúa en esta clase dominante en un sentido absolutamente favorable a la penetración imperialista. Entre el señor o el burguês criollo y sus peones de color, no hay nada de común. La solidariedad de clase, se suma a la solidariedad de raza o de prejuicio, para hacer de las burguesias nacionales instrumentos dóciles del imperialismo yanqui o britânico.[10] 

3. Elementos constituidores da Nação 

3.1 –  O Índio e a questão da Raça

Para Mariátegui, o processo de desenvolvimento da luta de classes tinha um claro componente racial. Portanto o caráter da transformação social no Peru teria que compreender este elemento e disto dependeria a constituição da nação.

La colaboración com la burguesia, y aun de muchos elementos feudales, em la lucha anti-imperialista china, se explica por razones de raza, de civilización nacional que entre nosotros no existem. El chino noble o burguês se siente entrañablamente chino. Al desprecio del blanco por su cultura estratificada y decrépita, corresponde con el desprecio y el orgullo de su tradición milenaria. El anti-imperialismo en la China puede, por tanto, descansar en el sentimiento y em el factor nacionalista. Em Indo-America las circunstancias no son las mismas. La aristocracia y la burguesia criollas no sienten solidarizadas com el pueblo por el lazo de una historia y de una cultura comunes. En el Peru, el aristocrata y el burguês blancos, desprecian lo popular, lo nacional. Se sienten, ante todo, blancos.[11]

Mariátegui no livro “Peruanicemos al Peru”, em “El Hecho Econômico en La Historia Peruana”, aborda assim esta questão: “La actual economia, la actual sociedad peruana tienen el pecado original de la conquista. El pecado de Haber nacido y haberse formado sin el índio y contra el índio”. [12]

No mesmo livro, “Peruanicemos al Peru”, reforçou a posição  que estava no cerne do atraso no processo de constituição da nação peruana: a desigualdade no desenvolvimento das regiões do País. Isto era representado pela separação entre serra e litoral, o que aprofundava as já enormes desigualdades sociais e econômicas no Peru.

En el Peru hemos tenido un nacionalismo mucho menos intelectual, mucho más rudimentario e instintivo que los nacionalismos accidentales que así definen la Nación. Pero su práxis, si no su teoria, há sido naturalmente la misma. La política peruana – burguesa en la costa, feudal en la sierra – se ha caracterizado por su desconocimiento del valor del capital humano. Su rectificación, en este plano como en todos los demás, se inicia con la asimilación de una nueva ideologia. La nueva generación siente y sabe que el progreso del Peru será ficticio, o por lo menos no será peruano, mientras no constituya la obra y no signifique el bienestar de la masa peruana, que en sus cuatro quintas partes es indígena y campesina.[13] 

Mariátegui afirmou que a classe dominante no Peru, majoritariamente formada por criollos, alimentava uma concepção de que o índio representava um indivíduo desprovido de qualidades intelectuais. Esse rótulo, que a elite peruana tinha atribuído ao indígena, servia como uma “lei social” que franqueava à classe dominante o poder de explorar o índio em certas circunstâncias como um escravo.

Dessa forma, a classe dominante peruana estava reproduzindo sobre a maioria da população os mesmos preconceitos aos quais ela própria fora submetida pela Espanha e pelo restante da Europa.

Por mais que a classe dominante, dentro de um movimento que era comum entre os países que tinham suas economias predominantemente agrárias, com grandes extensões de terras desabitadas, e que se inseriam na ordem mundial no início do século XX como economias de monocultura, buscassem romper a dependências dos centros imperialistas, esbarrava, ela mesma, em sua concepção racista “decalque e cópia”.

Portanto, sem a aceitação do índio como elemento constituidor da peruanidade, não haveria nação. A negação do índio, além da exploração econômica, através principalmente da expropriação das terras e do não acesso à educação, tinha o elemento racial como mais um componente da exploração. Os mecanismos de expropriação perpetrados pelo conquistador/colonizador e, posteriormente, pela elite criolla/mestiça em relação aos povos originários, constituiu-se na base de seu poder, o que significou a negação da nação. 

3.2 – A Educação 

A afirmação de que o povo peruano “convive sem assimilar-se” refletia a concepção de que a nação não se completou. A não assimilação, para Mariátegui, era determinada por vários elementos que, ao longo da formação do Peru, não conseguiram fundir-se para constituir uma nação. O que Mariátegui afirmava era que o processo de convivência não se deu de modo que a elite peruana aceitasse de forma pacífica a fusão das culturas. O que ocorreu, segundo ele, foi uma negação permanente.

Isso também ocorreu no processo de desenvolvimento da educação no Peru. Na colônia, o acesso à educação só possível para a aristocracia e ficava a cargo da Igreja Católica. Após a independência, esse mecanismo de opressão permaneceu inalterado para a elite que ascendeu ao poder, pois as classes dominantes peruanas “necessitavam” que os índios permanecessem como uma grande massa de braços para o trabalho.

Para Mariátegui, a economia ditou o processo de desenvolvimento da sociedade e, portanto, determinou sua direção também na educação do país. O modelo econômico não garantiu a participação do índio na formação da nação e a educação que vigorava contribuiu para manutenção dessa opressão. Em seu artigo “La enseñanza y la economia” afirmou que:

El problema de la enseñanza no puede ser bien comprendido al no ser considerado como un problema económico y como un problema social. El error de muchos reformadores ha residido en su método abstractamente idealista, en su doctrina exclusivamente pedagógica. Sus proyetos han ignorado el íntimo engranaje que hay entre la economia y la enseñanza y han pretendido modificar ésta sin conocer las leyes de aquélla. Por ende, no han acertado a reformar nada sino en la medida que las leyes econômicas y sociales les han consentido.[14]

Ao ligar a subordinação do processo de ensino no país às engrenagens econômicas, Mariátegui apontou também que o indígena não estava inserido no processo educacional pensado pelas classes dominantes. As classes subalternas – trabalhadores e camponeses indígenas ou não – não tiveram acesso a uma formação educacional que possibilitasse sua inserção social e, por consequência, foram alijados do processo de construção da nação.

Em relação ao índio, a questão racial era um componente definidor da opressão. Para as classes dominantes, o indígena não necessitava de formação educacional regular, sendo a ele reservado os trabalhos menos qualificados. Foi também associado o componente discriminatório à questão da superexploração da força de trabalho dos indígenas. Esse fator era determinante para garantir a condição de competição, nos mercados mundiais, das mercadorias produzidas no Peru – açúcar, algodão, minérios –, pois dessa forma podiam ser vendidas abaixo dos preços praticados nesses mercados.

Assim, o não acesso do índio de forma regular e massiva ao processo educacional do Peru garantiu a manutenção da reprodução do capital e dostatus quo das classes dominantes peruanas. Ao analisar o processo de constituição do modelo educacional no Peru, Mariátegui afirmou que a educação era uma herança da educação espanhola que sofreu influência francesa e norte-americana, o que determinou a conformação de uma mentalidade colonizada.

Essa mentalidade colonizada se refletiu na renúncia das classes dominantes peruanas de se inserirem de forma soberana perante a ordem internacional vigente. E a formação da nacionalidade do povo peruano através da educação não se completou, pois levou em consideração apenas o peruano não índio. O índio foi considerado raça inferior no vice-reinado e manteve-se na mesma condição na república.

A ênfase que Mariátegui deu ao “Processo da educação”, como definiu no capítulo do livro 7 ensaios de interpretação da realidade peruana e no conjunto de artigos que estão reunidos em suas Obras Completas, “Temas de Educación”, demonstrou, entre outras questões, a importância da educação para o desenvolvimento de uma nação soberana. Mariátegui criticou o que definiu como “A persistência da orientação literária e retórica […] no culto das humanidades confundiam-se os liberais, a velha aristocracia latifundiária e a jovem burguesia urbana. Uns e outros deleitavam-se concebendo as universidades e os colégios como fábricas de pessoas de letras e de leis […]” [15]

Ao criticar essa mentalidade colonial que preponderava na educação peruana, Mariátegui afirmou que a construção da nação era naquele momento um empreendimento que carecia de vitalidade. Era um corpo que sofria de raquitismo. Dizia Mariátegui: “somos um povo em que se infiltrou a mania das nações velhas e decadentes, a doença de falar e escrever e não de agir, de ‘agitar palavras e não coisas’, doença lamentável que constituiu um sinal de lassidão e fraqueza”[16]. Sem forjar uma educação baseada na história do povo peruano que incorporasse as contribuições da maioria da população que constituía o Peru, essa tarefa já teria nascido incompleta.

Um dos principais pontos de conflito entre Mariátegui e o Governo de Leguía[17] foi a adesão de Mariátegui à causa dos estudantes em 1919, que naquele momento no Peru e em toda a América Latina lutavam por reformar o ensino universitário[18]. A luta pela reforma universitária, que se estendeu pelos vários países da América Latina no final da segunda década do século XX e prolongou-se até meados da terceira década, teve importante influência na juventude, principalmente das classes médias dos países onde esse movimento foi mais forte.

O mundo atravessava um momento de fortes mudanças (fim da Primeira Guerra Mundial, Revolução Bolchevique, Revolução Mexicana, Revolução Nacionalista na China, descenso da hegemonia do imperialismo britânico e ascenso do imperialismo estadunidense). Nesse contexto em que as lutas para reformar o ensino superior ocorreram, Mariátegui apresentou a conjuntura da seguinte forma:

Las crisis mundial invitava a los pueblos latinoamericanos, con insólito apremio, a revisar y resolver sus problemas de organización y crecimiento. Lógicamente, la nueva generación sentia estos problemas con uma intensidad y un apasionamiento que las anteriores generaciones no habían comocido. Y mientras la actitud de las pasadas generaciones, como correspondia al ritmo de su época, había sido evolucionista –  as veces con un evolucionismo completamente pasivo – la actitud de la nueva generación era espontáneamente revolucionaria.[19]

Mariátegui identificou no movimento da reforma universitária o sentimento próprio da juventude, caracterizado pelo impulso de causas muitas vezes vagas, sem uma concepção aprofundada. Porém, mesmo tendo essa leitura, reputou a luta pela reforma universitária como determinante para o avanço no ensino superior dos países em que esse movimento ocorreu.

Um dos principais pontos reivindicados por essa nova geração era que a educação deveria se pautar pelos problemas reais desses países. Seus componentes entendiam que o que se ensinava nas universidades não os estava preparando para enfrentar os grandes dilemas do desenvolvimento da sociedade. Segundo Mariátegui, os profissionais que saíam da universidade peruana saíam homens de letras e de leis; as universidades estavam preparando apenas literatos e advogados.

Para Mariátegui, isso era fruto da “herança espanhola” que não incorporou apenas uma herança psicológica e intelectual, mas também uma herança econômica e social. Afirmava assim que tal herança, que determinou a educação peruana, não servia para a formação dos homens que deveriam construir a nação. Isso se traduziu em um país sem homens capazes de levar adiante um desenvolvimento autônomo, em que a exigência era de “vontade enérgica e espírito de luta” para fazer avançar na construção do bem-estar e da independência.

E no intuito de melhor compreender a formação estrutural da nação, Mariátegui lançou mão da formulação de Manuel Vicente Villarán, intelectual representante do pensamento liberal peruano:

La América – escrebía el doctor Villarán –, no era colônia de trabajo y poblamiento sino de explotación. Los colonos españoles venían a buscar  la riqueza fácil, ya formada, descubierta, que se obtiene sin la doble pena del trabajo y el ahorro, esa riqueza que es la apetecida por el aventurero, por el noble, por el soldado, por el soberano. Y en fin, ¿para qué trabajar si no era necesario? ¿No estaban allí los indios? ¿No eran numerosos, mansos, diligentes, sóbrios, acostumbrados a la tierra y al clima? Ahora bien, el indio siervo produjo al rico ocioso y dilapidador. Pero lo peor de todo fue que uma fuerte asociación de ideas se estableció entre el trabajo y la servidumbre, porque de hecho no había trabajador que no fuera siervo.[20]

Portanto, para Mariátegui, a nação só completaria sua formação se rompesse com a herança colonial, herança que perdurava na república e se manifestava em todos os âmbitos da sociedade peruana. Isso foi aprofundado pelo novo colonialismo submetido à ainda incompleta nação peruana, um colonialismo que se manifestou como a fase imperialista do capitalismo.

Por entender a importância da educação para constituição da nação, Mariátegui se envolveu profundamente com o tema. Dedicou-se ao acompanhamento dos desdobramentos da reforma universitária, que teve início em 1918, em Córdoba, na Argentina.  A universidade e a intelectualidade peruana entraram no debate e Mariátegui teve papel importante na observação crítica e participativa do processo. Defendeu que a educação precisava construir uma identidade própria, não abrindo mão do conhecimento universal, mas embrenhando-se nos elementos nacionais e na história dos povos que constituíram o Peru. Identificou que a Educação foi uma das portas que foram fechadas pelo espanhol conquistador, e manteve-se fechada pelo criollo, após a independência. Buscava com isso o reconhecimento da tradição, do resgate histórico do povo incaico e dos elementos que deveriam constituir o projeto de nação.

“Não somos um povo que assimila as idéias e os homens de outras nações, impregnando-os com seu sentimento e seu ambiente, e que desta maneira enriquece, sem deformá-lo, o espírito nacional. Somos um povo em que convivem, sem assimilar-se mutuamente, sem entender-se ainda, indígenas e conquistadores… ”[21].

No livro “7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana”, Mariátegui discutiu o caráter da educação no Peru. No ensaio “O Processo da Educação” ele apresentou o “problema” da não ligação da educação às raízes da conquista. 

3.3 – A Terra

A questão da terra era central para Mariátegui, pois determinou o caráter das relações de produção no Peru e, por conseqüência, o problema do índio e a posição de inferioridade e subserviência a que este estava submetido. Mariátegui viu na estrutura agrária peruana as raízes da fragilidade da nação[22]. Para a constituição da nação era necessário transpor esta barreira, que mesmo a república não havia logrado conseguir.

O mundo passava pelo processo de avanço e de nova fase de desenvolvimento do capitalismo, sua etapa imperialista estava em franca expansão. No momento em que Mariátegui estava debruçado em sua pesquisa e elaboração de suas idéias, o “capital imperialista de origem norte-americano no setor das exportações primarias e das finanças” ampliava sua penetração e se firmava no Peru.[23]

Era preciso ter uma leitura deste novo período de expansão do capitalismo mundial e como este se inseria no contexto dos países sul-americanos. Para isso, Mariátegui dedicou-se a estudar profundamente a formação social e econômica do Peru que resultou, entre outras, na que é considerada a sua mais completa obra “7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana”. Nela ele dedicou três ensaios para aprofundar as razões do atraso e profunda dependência do Peru frente a economia mundial. Estes três ensaios são: “Esquema da Evolução Econômica”, “O Problema do Índio” e “O problema da Terra”.

A importância deste intelectual peruano e a atualidade dos temas que se propôs a pensar, estudar e debater coloca-se hoje na pauta de todos os países da América-hispânica e mesmo da América Latina. Países que apresentam as mesmas características nos processos de colonização (Peru, Bolívia, Venezuela, Equador etc) e que passaram por lutas semelhantes que desembocaram na independência da coroa espanhola também conviveram, ao longo do seu desenvolvimento, com o comportamento semelhante de suas elites dirigentes, sejam os Espanhóis durante o período colonial, seja o criollo e o mestiço no momento seguinte. Em grande medida, após a independência, no período da República, excluíram da construção destas nações os povos indígenas que eram, e são, maioria da população em seus territórios.

Essas “nações” que serviram e ainda servem, em boa medida, de fornecedores de produtos primários e de suas riquezas naturais para as nações denominadas “desenvolvidas” e que estiveram ao longo da história dos últimos dois séculos envolvidas neste mecanismo de trocas desiguais e de subordinação, seja do imperialismo, seja do sub-imperialismo exercido por países como o Brasil dentro de nosso continente.

A última década em especial revelou de forma mais cabal o grande abismo entre as elites dirigentes dos países hispano-americanos e a maioria de suas populações que, como dissemos acima, é de índios. Esse abismo levou a situações como a derrubada de oito presidentes no Equador em dez anos. Processos estes, que na sua maior parte, foram organizados e tiveram a frente organizações indígenas que lutavam pela manutenção de sua cultura e tradições tendo a terra como elemento central. A eleição de um presidente índio na Bolívia de origem Aymara, que se define ideologicamente como socialista.  Na Venezuela, um militar nacionalista, com forte apoio popular e também de origem mestiça, lidera um movimento de afastamento dos países latinos da órbita estadunidense com um discurso de forte apelo nacionalista e anti-imperialista. No Peru, tivemos na última década a eleição de um cholo* que fez um governo que saiu desgastado, terminando seu mandato sob muitas críticas, principalmente da população pobre e dos indígenas daquele país. Hoje governado por um militar que elegeu-se com o discurso nacionalista na esteira dos vizinhos boliviano e equatoriano e num contexto de governos latinoamericanos que dão suporte a esta posição política.

As causas históricas que “determinam” este papel de subordinação, este comportamento, merecem ser aprofundadas. Investigar esses processos que na última década e neste início do século XXI vem ocorrendo nestes países, com seus povos buscando, através dos mecanismos da “democracia formal”, eleger representantes oriundos de sua “classe/etnia” e tentando afirmar enquanto povos e nações soberanas perante o mundo, é o grande desafio que esta posto. Estes processos tem sido apresentados como a construção de sociedades plurinacionais. Compreender este plurinacionalismo e o momento atual passa pelo aprofundamento do conhecimento da história de nosso continente.

4 – Conclusão 

Ao definir os mecanismos que eram dominantes naquele momento Mariátegui conseguiu, de forma precisa, identificar que o Peru já estava inserido na cadeia de dominação do imperialismo. Apontou que o predomínio do capitalismo britânico perdia espaço e que os Estados Unidos assumiam a hegemonia da dominação imperialista no continente latino-americano e, por consequência, no Peru.

No entanto, por si só, a identificação do papel que o Peru cumpria na cadeia de domínio do imperialismo não conseguia explicar o atraso em que se encontrava o país e, consequentemente, o desenvolvimento da nação. Mariátegui identificou, contra a visão eurocêntrica, e a visão que começava a predominar na esquerda mundial já na década 30 do século XX, através das diretrizes da 3ª. Internacional (ascensão do stalinismo)[24], que o Peru, para além de já estar inserido no processo de dominação imperialista, não podia ser considerado um país onde as relações econômicas e sociais eram predominantemente capitalistas. Para Mariátegui, o Peru era um país que tinha parte de suas relações econômicas e sociais dominadas pelo feudalismo onde o componente racial era determinante neste processo de dominação. O esforço intelectual e militante de Mariátegui foi empreendido no sentido de desvendar esses mecanismos, que implicavam no atraso e dependência econômica do Peru, e que não permitiam que a nação peruana se completasse.  

5 – Bibliografia

Livros .–

* ALIMONDA, Héctor. José Carlos Mariátegui – Redescobrir a América. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983;

* ALMEIDA, Lúcio Flávio de. Ideologia Nacional e Nacionalismo. São Paulo: Editora da PUC, 1995;

* BELLOTO, Manoel Lelo e CORRÊA, Anna Maria Martinez. A América Latina de colonização espanhola: antologia de textos históricos. São Paulo: Hucitec , 1979;

* BELLOTO, Manoel Lelo e CORRÊA, Anna Maria Martinez. Coletânea José Carlos Mariátegui: política. São Paulo: Ática, 1982;

* ANDERSON, Benedict. Nação e Consciência Nacional. SÃO PAULO: Editora Ática, 1989;

* BOBBIO, Norberto.  O conceito de Sociedade Civil. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1982;

* BOND, Rosana.Peru do império dos incas ao império da cocaína. Rio de Janeiro: Coedita, 2004;

* CORDELLIER, Serge (coordenação).  Nações e Nacionalismos. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998;

* GELLNER, Ernest. Nacionalismo e Democracia. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1981;

* HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos – O breve século XX – 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995;

* HOBSBAWM, Eric. Nações e Nacionalismo desde 1780. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1990;

* HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998;

* HOBSBAWM, Eric (org.) História do Marxismo II: o marxismo na época da Segunda Internacional. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982;

* HOBSBAWM, Eric (org.). História do Marxismo III o marxismo na época da Segunda Internacional: segunda parte. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984;

* HOBSBAWM, Eric (org.). História do Marxismo IV: o marxismo na época da Segunda Internacional. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984;

* LÊNIN, Vladimir Ilich. O imperialismo: fase superior do capitalismo. São Paulo: Global Editora, 1985;

* LÖWY, Michael. Por um socialismo indo-americano – seleção e introdução, Rio de Janeiro: editora UFRJ, 2005;

* LÖWY, Michael (org.). O Marxismo na América Latina – Uma antologia de 1909 aos dias atuais. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 1999;

* LÖWY, Michael. Nacionalismos e Internacionalismos da época de Marx até nossos dias. São Paulo: Xamã Editora, 2000;

* MARIÁTEGUI, José Carlos.  Mariátegui Total -Tomo I –  Primera Edición. Conmemorativa del Centenário del Nacimiento de José Carlos Mariátegui. Lima: Ed. Amauta, 1994;

* MARIÁTEGUI, José Carlos. 7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana. São Paulo: Ed. Alfa-Omega, 1975;

* MARTÍ, José. Nossa América. São Paulo: Hucitec, 1991;

* PEREGALLI, Enrique.  A América que os europeus encontraram. São Paulo: Atual Editora, 1994;

* SPILIMBERGO, Jorge Enea. La cuestión nacional en Marx y otros ensayos políticos. Buenos Aires: Fondo Editorial Simon Rodríguez, 2003;

Capítulo em Libros. –

* BOLIVAR, Simon. Carta de Jamaica – in. José Marti – Nuestra América. Habana: Casa de Las Américas, 1979;

* COTLER, Julio. Peru: Estado oligárquico e reformismo militar. In: CASANOVA, Pablo González (Org.). América Latina: história de meio século. Brasília: Editora da UnB, 1988;

Revistas. –

* Anuario Mariateguiano – Vol. VII – no. 7 – 1995 – Publicación Periódica de Empresa Editora Amauta S.A. – Lima-Peru;


[1] – Este artigo é resultado da Dissertação de mestrado apresentada à Banca Examinadora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2011. Teve como orientador o Prof. Dr. Waldir José Rampinelli. * Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

[2] – José Carlos Mariátegui. *7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana*. São Paulo, 1975 pags. XIII e XIV.

[3] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p.  496.

[4] – José Carlos Mariátegui. *Por um socialismo indo-americano – seleção e introdução Michael Löwy*. Rio de Janeiro, 2005 p. 23.

[5] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 511

[6] – Victor Raúl Haya de La Torre, líder estudantil,  foi um dos fundadores da Federação Estudantil Peruana em 1917. Após 1923, funda a APRA – Aliança Popular Revolucionária Americana.

[7] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 197.

[8] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 250.

[9] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 197.

* criollo – diz-se da pessoa de raça branca nascida nas colônias européias de além-mar, particularmente da América (pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, A. Buarque de Holanda Ferreira, 11ª. Edição, 1969).

[10] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 170.

[11] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 196.

[12] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 303.

[13] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 306.

[14] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 365.

[15] – José Carlos Mariátegui. *7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana*. São Paulo, 1975 pags. 74 e 75.

[16] – José Carlos Mariátegui. *7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana*. São Paulo, 1975 p. 75.

[17] – Augusto Bernardino Leguía y Salcedo, presidente do Peru de 1908 a 1912 e 1919 a 1930. Durante o segundo período de governo, conhecido com Oncenio, forçou Mariátegui ao exílio na Europa.

[18] – Movimento latino-americano que passou para a história. A reforma universitária foi desencadeada em Córdoba, Argentina. A geração universitária latino-americana, nos países de língua espanhola, principalmente Argentina, Chile, Uruguai e Peru, organizou-se para lutar contra uma estrutura que predominava no sistema de ensino universitário que não respondia aos anseios dos estudantes, principalmente os oriundos das classes médias, que naquele momento começam a ingressar no ensino superior. Foi principalmente na década de 20, do século passado, que o processo do capitalismo sofreu grandes abalos e ocorreu uma nova divisão do mundo entre as potências imperialistas.  Ocorreu a ascensão das camadas médias das populações a alguns benefícios, dentre eles um maior acesso à educação. Os filhos destas classes médias chegaram à universidade. Os países latino-americanos, bem como todo o continente americano, com exceção dos Estados Unidos, inseriam-se na divisão internacional do trabalho como meros exportadores de produtos primários. Isso os inseria de forma subordinada aos interesses do imperialismo internacional, que nesse período, na América Latina, passava o controle do Imperialismo Britânico para o Imperialismo Estadunidense. Neste contexto são desencadeadas as lutas por reforma universitária, nas quais Mariátegui, juntamente com jovens limenhos, dentre eles César Falcon e Victor Hugo Haya de La Torre, entre tantos outros, irão se inserir.

[19] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 56.

[20] – José Carlos Mariátegui.*Mariátegui Total – Tomo I*. Lima, 1994 p. 50.

[21] – José Carlos Mariátegui. *7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana*. São Paulo, 1975 p. 73.

[22] – Belloto, Manoel Lelo e Corrêa, Anna Maria Martinez . * A América Latina de colonização espanhola: antologia de textos históricos*. São Paulo, 1979 p. 30.

[23] – COTLER, Julio. *Peru: Estado oligárquico e reformismo militar. In: CASANOVA, Pablo González (Org.). América Latina: história de meio século*. Brasília, 1988 p. 175. * mestiço de sangue espanhol e ameríndio.

[24] – Segundo Michael Löwy, a concepção de Mariátegui da revolução socialista latino-americana não coincide com a ortodoxia do Comintern e será criticada por seus porta-vozes na América Latina. In Löwy, Michael – seleção e introdução – Por um socialismo indo-americano – Rio de Janeiro, 2005 p. 8.

Fonte: http://socialismo.org.br

Anúncios