1º de maio: a riqueza é daqueles que a produzem

(Nota Política do Secretariado Nacional do PCB)

Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?

Nos livros estão nomes de reis;

os reis carregaram as pedras?

E Babilônia, tantas vezes destruída,

quem a reconstruía sempre? Em que casas

da dourada Lima viviam aqueles que a construíram?

No dia em que a Muralha da China ficou pronta,

para onde foram os pedreiros?

A grande Roma está cheia de arcos-do-triunfo:

quem os erigiu? Quem eram

aqueles que foram vencidos pelos césares? Bizâncio, tão

famosa, tinha somente palácios para seus moradores? Na

legendária Atlântida, quando o mar a engoliu, os afogados

continuaram a dar ordens a seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou a Índia.

Sozinho?

César ocupou a Gália.

Não estava com ele nem mesmo um cozinheiro?

Felipe da Espanha chorou quando sua armada

naufragou. Foi o único a chorar?

Frederico 2º venceu a Guerra dos Sete Anos.

Quem partilhou da vitória?

A cada página uma vitória.

Quem preparava os banquetes?

A cada dez anos um grande homem.

Quem pagava as despesas?

Tantas histórias,

Tantas questões

Bertolt Brecht in ‘Perguntas de um trabalhador que lê’ Continuar lendo

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MILITANTE COMUNISTA: CAPITAL SOCIAL E POLÍTICO DO PCB

MILITANTE COMUNISTA: CAPITAL SOCIAL E POLÍTICO DO PCB

Camaradas:

Essa é a nossa impressão sobre o capital social e político do PCB.

O XIV Congresso do PCB impulsionará a partir de outubro/09, todas as instâncias partidárias e, entre elas, o trabalho de formação de militantes e quadros revolucionários dentro da educação marxista-leninista. Cabe aqui examinar as nossas estratégias de formação de militantes e quadros comunista que ao nosso prisma precisa ser revista e priorizada. Nos organismo de base, local de trabalho, na academia, na escola, no sindicato e dentro de nossos Comitês Municipais, Regionais e no Comitê Central. Buscando uma formação socialista revolucionária e solidaria que é uma necessidade permanente para o Partido.

Diante do processo de (re) construção da democracia no Brasil, nossa formação fica fragmentada do ponto de vista leninista (A compreensão do centralismo democrático). É preciso ter regras definidas de cima para baixo da organização partidária e a flexibilidade de seu cumprimento na base, sem perder de vista as visões dinâmicas e dialéticas do momento histórico e político local da base.

Essa impressão aponta para a compreensão da formação de novos quadros e militantes do PCB, a partir de uma Escola de Formação Nacional. Onde sua regra principal é a eficácia, na formação de Quadros Nacionais, Regionais e Municipais, capazes de sustentar teoricamente e na sua prática democrática e no principio do socialismo revolucionário o patrimônio do PCB, fortalecendo assim nossa linha de formação ideológica Partidária.

Não podemos deixar de promover as sabatinas, palestras e conferências educativas, bem como os círculos de estudo e verificar a percepção destes militantes e novos quadros diante de sua historia de vida e engajamentos nos movimentos sociais. E zelar pela responsabilidade no cumprimento das tarefas partidárias como elemento de ascendência dentro das instancias partidárias do PCB.

A solidariedade, reciprocidade e a confiança nos relacionamentos partidários, resoluções de problemas na base e participação nas instancias partidárias do PCB, fatores que podem contribuir com acréscimo do estoque de capital social e político do PCB. Assim, o referencial teórico da formação deverá priorizar regras definidas e estágios (níveis) de conhecimento/formação e domínio das teorias marxista e leninista, a superação destes estágios se dará dentro das instancias, que abordara à socialização, cultura política (internacional, nacional e municipal) e o capital social do PCB.

O perfil do militante comunista do PCB e dos novos quadros revolucionários será um processo que levará em conta a cultura política que alicerça sua rede de relacionamentos sociais e seu desempenho dentro de seu organismo de base, no local de trabalho, na escola (grêmio) no movimento de massa, na academia (DCE e CA), nos sindicatos, organizações confederativas e nas suas instancias partidárias.

A Proposta de uma Escola Nacional de Formação Militantes e Quadros Revolucionários, com regras definidas e ferramenta de intervenção na formação do capital social e político do PCB.

1 A reflexão crítica da classificação na formação será pautada por três estratégias:

a)  Militante de Base ( formação básica, especifica e assistida ), promoção para outras instâncias com acompanhadas de assistente e regras para cumprimento de tarefas partidárias; isto estabelecerá a diferença entre filiado e militante.

b)  Militantes de Instancias Partidárias Comitês Municipais e Regionais. (formação intermediárias e temporais) e comprovadamente com conhecimento teóricos satisfatório e ou tempo de militância na base e elaborador de conjunturas (cenários políticos) e formulador dos princípios socialistas.

c)   Quadros Revolucionário: MILITANTES INTELECTUAIS, (responsáveis pelas elaborações da critica ao capitalismo e a socialização dos conhecimentos dentro das instâncias partidárias e na sociedade, através dos instrumentos e ferramentas midiáticas e tecnológicos disponíveis) e ou MILITANTES REVOLUCIONÁRIOS, preparados para “tarefas especificas” do PCB em qualquer lugar ou época do globo. Ex. Escola do MST. E ainda, MILITANTES CARTÓRIAIS, preparados para representar o partido nos espaços públicos de poder, sendo destacados e escolhidos de qualquer base partidária do PCB e ainda, promovido de dentro da intelectualidade, celebridades que se identificam com nosso campo partidário. Esses últimos deverão ter no mínimo dois anos de militâncias e registro cartorial para serem indicados, escolhidos e promovidos para representar o partido.

Essa nossa impressão busca uma discussão nos modos da formação do PCB e na promoção de novos militantes.

“Conforme apontam as resoluções da Conferência Nacional de Organização de Praia Grande, realizada em março de 2008, os desafios do PCB no limiar do século XXI são: ORGANIZAR, ESTUDAR E LUTAR. A conjuntura atual exige de nós, comunistas, que estejamos preparados para assumirmos a vanguarda das lutas populares em nosso país. A teoria marxista é o nosso principal guia para a ação revolucionária.” Ricardo Costa (Rico) – Secretário Nacional de Formação Política.

Josivaldo Corrêa

Militante do PCB . São José de Ribamar/MA e Membro do Comitê Regional

A experiência extraordinária no primeiro de maio grego

 PRIMEIRO DE MAIO NA GRÉCIA: Uma experiência extradordinária!

*Ivan Pinheiro (de Atenas, Grécia)

Ivan Pinheiro

Vivi, no dia de ontem, momentos que reforçaram minhas convicções ideológicas e minhas esperanças na luta dos povos contra a opressão do capital e na construção do socialismo. Estive em dois atos de grande emoção. De manhã bem cedo, estive num bairro perto de Atenas (Kesarianí), onde, em nome do Partido Comunista Brasileiro, depositei flores no local em que, não por acaso no dia 1 de Maio de 1944, soldados do exército alemão que ocupavam a Grécia fuzilaram exatamente 200 militantes do Partido Comunista Grego, retirados da prisão e entregues aos nazistas pelo governo burguês de turno, para serem mortos como exemplo para a resistência, que os comunistas lideravam.

No local do extermínio, há hoje um memorial com os nomes dos duzentos militantes. No dia do massacre, eles foram colocados de pé, um ao lado do outro, em dez grupos de vinte, à disposição do pelotão de fuzilamento nazista. Ao evento, compareceram vários comunistas que participaram da resistência armada contra a invasão alemã, militantes e membros do Comitê Regional e Central do KKE (Partido Comunista Grego).

Durante a ocupação nazista, o KKE tornou-se esteio, organizador e líder principal da resistência nacional. Tomou a iniciativa de construir a Frente de Libertação Nacional e o Exército Nacional Popular Libertador, os quais abarcaram a grande maioria do povo grego.

O Primeiro de Maio promovido pela PAME, uma central sindical classista chamada FRENTE MILITANTE DE TODOS OS TRABALHADORES, a segunda força no ambiente sindical, que reúne centenas de entidades de trabalhadores formais e autônomos, foi muito maior em quantidade de presenças e muito mais combativo que aquele promovido pela Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos, de orientação oficial e social-democrata, que reúne mais Federações. Foi grande também a presença de associações de agricultores, da intelectualidade, de artistas e do movimento estudantil, onde tem um peso decisivo a Juventude Comunista da Grécia.

O ato, para além das intervenções políticas marcadas por discursos de conteúdo anticapitalista e antiimperialista, contou com a apresentação ao vivo de canções revolucionárias, por parte de músicos e cantores militantes. Os manifestantes, que se contavam por dezenas de milhares, chegaram ao local do ato central em colunas organizadas por categoria ou organização social. Após o ato, todas as colunas se reorganizaram e os militantes, em caminhada, foram fazer um protesto antiimperialista em frente à embaixada norte-americana.

Toda a imprensa européia no dia de hoje coincide em informar que o de Atenas foi o maior Primeiro de Maio de toda a Europa. E note-se que o Primeiro de Maio de Atenas não foi o único organizado na Grécia pela PAME. Este ano, resolveu-se descentralizar, tendo ocorrido manifestações expressivas em 75 localidades gregas!

Ficarei na Grécia mais seis dias, a convite do Partido Comunista Grego, conhecendo de perto a experiência daquele que talvez seja o partido comunista mais forte e revolucionário do mundo capitalista e que está à frente da maior resistência dos trabalhadores ao capitalismo. Pretendo, na volta, escrever algumas linhas a respeito.

*Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB, 2 de maio de 2011

Fonte: PCB

Primeiro de maio. Dia de luta e resistência da classe trabalhadora

PRIMEIRO DE MAIO: DIA DE LUTA E RESISTÊNCIA DA CLASSE TRABALHADORA

imagemCrédito: PCB

NOTA POLÍTICA DO PCB

Crescem os desafios da classe trabalhadora neste ano de 2011. A crise econômica mundial continua a fazer estragos em vários países, como resultado do regime de economia de mercado, o qual coloca em risco a sobrevivência da espécie humana, ao desprezar as necessidades básicas dos trabalhadores, apenas para garantir a manutenção dos enormes lucros obtidos por bancos e grandes corporações capitalistas. O recrudescimento da crise internacional do capitalismo deverá encontrar no Brasil um governo não mais disposto a liberar crédito para aumentar o consumo (na verdade, uma política de endividamento crescente da população em favor do lucro dos bancos e da cooptação das camadas populares para a ilusória sensação de melhoria das condições de vida).

O Governo Dilma, em suas primeiras ações, voltou a atender prioritariamente as vontades e necessidades dos grandes banqueiros e empresas nacionais e multinacionais, optou por um salário mínimo de R$ 545,00 (praticamente 0% de reajuste, em termos reais) e, sob os argumentos de combate ao “retorno da inflação” e ao desequilíbrio das contas públicas, cortou cerca de R$ 50 bilhões no orçamento (atingindo, como sempre, as despesas com investimentos na área social) e aumentou as taxas de juros, jogando nas costas dos trabalhadores todo o peso dos efeitos do déficit promovido pelo governo.

O que não se cortou e, pelo que tudo indica não será cortado, são os gastos com o pagamento de juros da dívida brasileira. Só no ano de 2010, o Brasil retirou cerca de 200 bilhões de reais dos cofres públicos para pagar a dívida interna, deixando de investir grande parte do PIB na melhoria das condições de vida da população. Se a economia brasileira cresceu a uma taxa recorde de 7,5% em 2010, conforme anunciado pelo IBGE, alçando o país ao posto de sétima economia do mundo, a desigualdade social aprofundou-se e o Brasil ocupa hoje a 70ª posição no ranking mundial do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano).

Lula deu continuidade à política macroeconômica da era FHC, aplicando apenas uma política compensatória mais agressiva. Dilma segue a cartilha de Lula, com a diferença de que porá o pé no freio em relação aos gastos sociais, atendendo aos ditames do mercado mundial, em que a palavra de ordem é o ajuste fiscal, política esta que só faz rebaixar ainda mais a qualidade de vida dos trabalhadores em todo o mundo para salvar os grandes capitalistas da crise criada por eles mesmos.

O Governo Dilma já anunciou a retomada dos leilões dos campos de petróleo e de áreas de exploração no pré-sal, mantendo a política de dilapidação dos recursos naturais brasileiros, no momento em o presidente dos Estados Unidos reafirma para o mundo a intenção de recuperar a primazia dos interesses estadunidenses e de suas empresas no mercado global, dando provas desta intenção ao mandar bombardear a Líbia, precisamente quando estava em visita ao Brasil.

Os primeiros meses do Governo Dilma foram também demonstrativos da crescente insatisfação de diversos grupos sociais, tais como as manifestações de estudantes e de trabalhadores em protesto contra a elevação dos preços das passagens de ônibus em várias cidades do Brasil, nas quais a violência policial sempre se faz sentir. Os trabalhadores da construção civil ligados às obras do PAC também reagiram às condições de superexploração e semiescravidão impostas pelas empreiteiras – empresas multinacionais, como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e outras – muitas delas financiadoras das campanhas eleitorais do PT e de seus aliados. Mais de 80 mil trabalhadores já cruzaram os braços nas obras espalhadas pelo Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. As centrais sindicais governistas, cumprindo o papel de conciliadoras, foram chamadas a combater o ânimo dos trabalhadores para assegurar a continuidade das obras, sem mais conflitos, nas obras onde estão trabalhando mais de um milhão de operários.

Essas mesmas centrais irão repetir este ano as grandes festas no 1º de Maio, com artistas famosos, distribuição de brindes, bebidas e sorteios, além de muito discurso a favor do Governo e do “pacto entre trabalhadores e patrões”. A velha máxima do “pão e circo” será a tônica em muitos centros urbanos do país, buscando desarmar ideologicamente a classe trabalhadora brasileira no enfrentamento ao patronato e ao sistema capitalista.

Denunciamos esse tipo de manipulação e promoção de alienação junto à classe trabalhadora, como se tudo estivesse bem e não houvesse contradições a serem denunciadas sobre o Governo e o sistema capitalista, que continua retirando direitos e desmantelando a rede de proteção social da classe trabalhadora.

O PCB entende que é hora reforçar a unidade dos movimentos populares, das forças de esquerda e entidades representativas dos trabalhadores, no caminho da formação de um bloco proletário capaz de contrapor à hegemonia burguesa uma real alternativa de poder popular, com a organização da Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, que possa ordenar ações unitárias contra o poder do capital e do imperialismo, rumo à construção da sociedade socialista.

Pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários.

Salário mínimo do Dieese.

Fim do imposto de renda sobre os salários.

Solidariedade internacionalista à luta dos trabalhadores.

Unidade da classe trabalhadora numa Frente Anticapitalista e Anti-imperialista.

COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

Maio 2011