Tarefas imediatas, internacionalismo e perspectiva revolucionária

Perante a tragédia provocada pelos incêndios no concelho de Pedrógão Grande e numa vasta região do Centro do País, as primeiras palavras desta Abertura são para testemunhar profunda tristeza pela perda de numerosas vidas humanas e exprimir a activa solidariedade do PCP, desde o primeiro momento protagonizada pelo Secretário-geral do Partido, para com as populações atingidas. Simultaneamente, sendo necessária uma séria reflexão sobre as causas estruturais que estão na origem de tão dramáticos acontecimentos, é impossível não apontar desde já as maiores responsabilidades à política de direita de sucessivos governos e às suas opções de fundo em relação à floresta.

O Partido tem sublinhado que vivemos no plano nacional uma situação particularmente exigente, num quadro internacional em que a contra-ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo, inseparável do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, faz pesar grandes perigos sobre o futuro da Humanidade, exigindo a intensificação da luta contra o militarismo e a guerra e em defesa da paz.
A indispensável prioridade às tarefas especificamente nacionais, a concentração de esforços na luta quotidiana em defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo, pela ruptura com a política de direita e com os constrangimentos externos que impedem o desenvolvimento do país e que têm servido ao governo do PS para justificar graves limitações aos direitos laborais e a direitos sociais básicos, não só não é contraditória como exige uma redobrada atenção ao enquadramento internacional da luta do povo português e à solidariedade para com os povos vítimas da ingerência e agressão do imperialismo, nomeadamente com os povos da Síria e da Venezuela bolivariana. Nunca é demais insistir que na identidade do PCP patriotismo e internacionalismo são inseparáveis, são duas faces de uma mesma moeda. Valorizando as múltiplas iniciativas que em Portugal têm tido lugar na frente da paz e da solidariedade e o combate às operações de desinformação e manipulação ideológica do imperialismo, em que a chamada «guerra ao terrorismo» está a ser utilizada para o ataque a direitos e liberdades fundamentais e para intensificar operações imperialistas de agressão, o PCP não poupará esforços para reforçar a unidade do movimento comunista internacional e a frente mundial anti-imperialista.

Sim, a prioridade vai para a luta em torno de objectivos concretos e imediatos, para levar o mais longe possível a necessária reposição de direitos, salários e rendimentos, pela contratação colectiva, pela eliminação do trabalho precário e sem direitos, por todo um vasto leque de reivindicações populares que têm dado lugar ao crescimento da luta nas empresas e na rua. Nada pode substituir o desenvolvimento da acção popular de massas para o avanço da consciência política dos trabalhadores e do conjunto da sociedade. Qualquer subestimação desta realidade, que exige um judicioso trabalho de organização e muita perseverança política, é profundamente prejudicial. A impaciência não é boa conselheira. Não há proclamações «revolucionárias» que possam substituir com êxito o trabalho de formiguinha, de propaganda e agitação audaciosa, de organização paciente. Ao mesmo tempo é indispensável, como frequentemente temos sublinhado, que a muito exigente dinâmica de intervenção que caracteriza a acção partidária nunca obscureça a perspectiva revolucionária em que tal acção se insere, não faça esquecer os objectivos supremos e a razão de ser do Partido, e que tenhamos sempre, como colectivo e no plano individual de cada militante, a noção clara de onde vimos e para onde queremos ir.

É com este espírito que o PCP está a comemorar o Centenário da Revolução de Outubro, com o Comité Central e as Organizações de todo o Partido fazendo um grande esforço para encontrar, no seu exigente calendário de intervenção, espaço e tempo para promover um amplo conjunto de iniciativas que, com o lema «Centenário da Revolução de Outubro, exigência da actualidade e do futuro», visa pôr em evidência aquele que foi o maior acontecimento libertador da história da humanidade, o valor das extraordinárias conquistas e realizações do socialismo na União Soviética, a exigência da superação revolucionária do capitalismo. Realizado no passado dia 17 de Junho na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Seminário, que contou com uma intervenção de abertura do Secretário-geral do Partido e reuniu cerca de quatro centenas de participantes e valiosas contribuições de perto de vinte oradores convidados, foi uma valiosa iniciativa que muito contribuirá para a elevação da preparação e o fortalecimento da confiança de todo o Partido para a realização das tarefas que temos por diante. A reedição, entre outras obras alusivas à Revolução de Outubro, de Dez Dias que Abalaram o Mundo de John Reed deve ser aproveitada para divulgar e promover a mais larga leitura possível deste belíssimo e impressionante fresco sobre a conquista do poder, pela primeira vez na história, pelo proletariado.

O Comité Central na sua reunião de 25 de Junho fez a análise da situação nacional e internacional e aprovou o comunicado que neste número publicamos, e que, no quadro das decisões do XX Congresso, deve constituir a base para a intervenção do colectivo partidário no futuro imediato. Valorizando o que com a actual solução política foi conseguido em matéria de reposição de direitos, salários e rendimentos, o CC sublinha uma vez mais o seu carácter limitado perante as necessidades e expectativas das massas chama a atenção para «a cada vez mais visível convergência em matérias de relevância entre o Governo do PS e o PSD e o CDS», uma «convergência demonstrativa de que quando se trata de interesses marcantes o PS não se desvia daquela que tem sido a sua vinculação de décadas com a política de direita». A intensificação da luta pela ruptura com a política de direita e com os constrangimentos externos e por uma política patriótica e de esquerda, tendo como núcleo a luta de massas, confirma-se como orientação necessária e indispensável para alcançar a alternativa que o progresso económico e social e a soberania do país exige. Sublinhando «a importante dinâmica de luta de massas atingida nos últimos meses, envolvendo centenas de milhar de trabalhadores», o Comité Central, entre as múltiplas tarefas apontadas, destacou particularmente a  Festa do Avante! que terá lugar a 1, 2 e 3 de Setembro e as Eleições Autárquicas. São tarefas da maior importância que devem ser conjugadas com um permanente empenhamento no reforço do Partido.

Entramos, entrámos já, no período estival, período em que grande parte dos membros do Partido tirarão férias para um merecido e necessário descanso. Mas procuramos que tudo se processe da maneira mais coordenada possível, de modo a assegurar a continuidade de uma dinâmica partidária que não pode parar. A luta de classes não conhece pausas. E as exigências que estão colocadas aos comunistas no plano nacional e internacional são realmente grandes. Mas com sentido de responsabilidade e correctos métodos de organização vamos criar condições para, entre outros objectivos, ter a grande e bela Festa do «Avante! que precisamos e a dinâmica, já em curso, para alcançar nas Autárquicas o resultado eleitoral da CDU de que o País precisa.

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