História do Livro “Os dez dias que abalaram o mundo”

História do Livro “Os dez dias que abalaram o mundo”

“Os dez dias que abalaram o mundo”, livro escrito por John Reed, se tornou um verdadeiro clássico. Sabendo-se que Reed presenciou a Revolução que colocou Lênin no poder na Rússia, percebe-se que o texto que narra o desenrolar dos fatos que culminaram na deposição do governo Menchevique tem corpo e alma.

John Reed já havia escrito um livro de grande importância, relativo a outro momento marcante da história do século XX, a Revolução Mexicana (o título da obra é “México Rebelde). Trata-se, sem dúvida, de um dos grandes jornalistas de sua época, já realizando entre os anos 1900 e 1920 o trabalho de correspondente internacional.

O livro sobre a Revolução Russa acabou servindo como base para a composição da história do filme “Reds”, produzido, dirigido e estrelado pelo astro Warren Beatty. “Reds”, diferentemente do livro que o inspirou, concentra suas atenções e esforços na apresentação do romance de Reed com a intelectual americana Louisie Bryant (personagem de Dianne Keaton). O movimento dos Bolcheviques fica em segundo plano, entretanto, há espaço para que acompanhemos os movimentos de Lênin, Stálin, Trótsky e companhia.

A participação efetiva do jornalista nos eventos que promoveram a mudança de sistema na Rússia, fazendo surgir a União Soviética, a primeira grande nação socialista do planeta, dão enorme crédito a narrativa de Reed. A alma está presente na qualidade do texto (apesar de ser um tanto quanto rebuscado para os leitores de hoje em dia), nas minúcias e detalhes dos encaminhamentos políticos e na própria empatia do jornalista pelas idéias defendidas pelo novo governo.

O sentimento das massas, os acontecimentos de uma revolução, documentos e fatos transcritos com vivacidade compõem a obra, que “está longe de ser uma narrativa neutra. Militante socialista, Reed tem uma visão apaixonada a favor dos revolucionários – e por isso é parcial e muitas vezes ingênuo. Mas há que se fazer justiça: seu livro continua a ser um documento de um dos momentos-chave do século XX.

Contexto Histórico do filme:

O início do século XX foi marcado por tragédia e transformação com a “Grande Guerra” e a Revolução Russa. A disputa de mercados promovida pelo neocolonialismo, associou-se à corrida armamentista e às questões nacionalistas na península Balcânica, resultando na Primeira Guerra Mundial. A Grande Guerra, como ficou conhecida, ocorreu entre os anos de 1914 e 1918 e deixou destruída grande parte do continente europeu, com um saldo de cerca de 13 milhões de mortos.

O ano de 1917, já na fase final do conflito foi considerado singular na história, em razão da saída da Rússia e da entrada dos Estados Unidos. Os Estados Unidos resolveram participar do conflito somente em sua fase final. Era um grande negócio para o capitalismo norte-americano, pois as dívidas de França e Grã-Bretanha aumentavam a cada dia. Na Rússia, Lênin, líder bolchevique, tomava o poder juntamente com o povo organizado em “soviets”, os conselhos revolucionários que representaram a mobilização popular para viabilizar a formação do primeiro Estado socialista da história.

A Nova Política Econômica (NEP) de Lenin, que adotou medidas provisoriamente capitalistas e a morte prematura do comandante bolchevique em 1924, levaram o secretário do Partido Comunista, Josef Stálin ao poder. Inicia-se o stalinismo, a ditadura, que em nome do socialismo foi marcada pelo terror, expurgos e mortes.

1) História do filme

O filme começa com Reed fazendo a cobertura jornalística da Revolução Mexicana (na qual teve contato com Emiliano Zapata e Pancho Villa, líderes daquele movimento). Ao retornar a América, John (que durante o filme é chamado de Jack, seu apelido) é informado dos acontecimentos que fizeram precipitar a queda do czarismo russo. Apesar das restrições do governo americano quanto a entrada de cidadãos norte-americanos num país que passava por sérias conturbações políticas e, para piorar a situação, ainda envolvido na Primeira Guerra Mundial, Jack resolve viajar para a Rússia e presenciar/participar dos acontecimentos locais.

A jovem intelectual Louise Bryant (Dianne Keaton) tenta demovê-lo da idéia. Apesar de casados, a forte paixão que sente pelo impetuoso jornalista a faz colocar-se entre ele e sua vontade de realizar a cobertura jornalística dos acontecimentos russos. Fracassada em sua tentativa, Louise vê Jack partir. Semanas depois fica sabendo que Reed havia sido preso em sua tentativa de transpor as fronteiras que separavam a Rússia de países vizinhos.

Libertado do cárcere a que tinha sido submetido, Reed chega à Rússia e estabelece contato com as principais personalidades do país, especialmente com os líderes da ala radical bolchevique. Logo estaria acompanhado de Louise que também foi à Rússia. Os bolcheviques, insatisfeitos com os rumos que o país estava tomando quanto às políticas interna e externa aplicadas pelos mencheviques, preparavam nos bastidores a verdadeira revolução socialista. Louise e Reed se reencontram na Rússia, mas ele logo morre de Tifo.


Aspectos do filme que envolvem o jornalismo:

A OBJETIVIDADE NO JORNALISMO: FALÁCIA OU IDEAL?

“As notícias apenas refletem o mundo exterior porque os jornalistas são observadores neutros que se limitam a recolher a informação e a relatar os fatos, devido serem simples mediadores que reproduzem o acontecimento na notícia.”

01. A escrita denota a tendenciosidade.

Um jornalista, ao escrever um texto qualquer, carrega uma parcela considerável de subjetividade. Mas existe uma linha muito tênue entre aquilo que é subjetivo e o que é tendencioso.

A subjetividade não pode ser excluída do homem e muito menos do jornalista. Todos carregamos uma bagagem cultural diferenciada, o que faz diversa a nossa visão de realidade. No meio jornalístico, existem regras que elucidam a maneira correta de se expressar que, entretanto, não conseguem uniformizar o discurso de cada um. O discurso do homem pode ter pontos em comum (uso de determinadas construções sintáticas, por exemplo), mas deve-se notar que existe um estilo ímpar.

A tendenciosidade não é estilo de ninguém, é um artifício subliminar de convencer alguém, tentativa do jornalista fazer com que os leitores compartilhem forçosamente de seu ponto de vista. Deve ser evitada do Jornalismo, uma vez que a função básica do jornalista é fornecer os subsídios para a construção de uma realidade mais próxima do fato ocorrido.

Um exemplo de construção que denota tendenciosidade: “Demonstrando mais uma vez seu caráter volúvel, o deputado Fulano mudou de partido”. Percebe-se que há emissão de juízos de valor questionáveis, visto que não há um aprofundamento da notícia como ponto de partida de reflexão da atitude inicial. O mais correto seria: “O deputado Fulano filiou-se ao partido X. É a terceira vez que ele faz isto neste ano”. Sem emissão de juízo de valor, o jornalista diria ao leitor que o deputado tem esta característica.

A objetividade não pode ser atingida, é um ideal que merece ser buscado sempre. O jornalista deve ser capaz de dar conta, discursivamente, do fato ocorrido a partir das significações suscitadas pelo próprio fato.

Para se obter uma faceta mais próxima do objetivo, tomam-se as seguintes ações:

– Um procedimento de distanciamento, que norteia a adoção de uma visão externa aos contextos do acontecimento. O jornalista, ao adotar este tópico, fica livre de inferências promovidas pelo ocorrido, ficando isento de tomar partido;
– A consciência ética de não se envolver com aquilo que se trabalha. Deve partir do próprio jornalista o ímpeto de apenas ver o fato no lugar e no tempo que se desenrolou.

A teoria da objetividade, comumente chamada Teoria do Espelho, entrou em questão a partir do advento da sociedade de massas, nos EUA. A preocupação com a objetividade é realçada como um dos pressupostos para a edificação de uma sociedade democrática.

02. A objetividade tem dois mundos.

A idéia de objetividade tem dois aspectos: a objetividade com relação ao acontecimento e aquela vinculada à quem “conta” este acontecimento.

A objetividade do acontecimento é definida como a possibilidade de percebê-lo completamente, sem conotações quaisquer. É diretamente relacionado com a autonomia do acontecimento na esfera cotidiana.

Já a objetividade no Jornalismo é a capacidade do jornalista de contar este acontecimento segundo a maneira pela qual irrompe no tempo e no espaço. Um acontecimento difuso ou ainda não compreendido é mais difícil de ser relatado que um explícito.

O ideal da pragmática jornalística é a objetividade que permeia ambas as esferas de seu trabalho (o acontecimento explícito facilitaria sua exposição). Estando perfeitamente explícito o acontecimento, a prática é alvo de mais rigor.

03. A construção da objetividade no Jornalismo.

A questão da objetividade repousa sobre uma série de fatores que fornecem um campo propício para tal prática. Os pilares a serem ressaltados são:

– Independência Þ uma imprensa apoiada em bases econômicas sólidas e próprias, que obtém lucros sem ser subvencionada, não tem motivos para servir a partidos ou interesses de outrem. Somente segue o que reza a deontologia da prática jornalística;

– Imparcialidade Þ todas as partes devem ter seu espaço resguardo na imprensa. O cruzamento de diferentes pontos de vista é primordial para uma prática objetiva de Jornalismo. O dever do jornalista é semelhante ao do historiador – procurar a verdade acima de tudo e apresentar aos leitores / público a verdade tão profunda quando ele a tenha podido atingir. A imparcialidade evita os erros (estatísticos, gráficos, etc.), tendenciosidades, preconceitos e sensacionalismo.

– Exatidão Þ a verdade difundida produz a objetivação dos fatos. Porém, o fator tempo influi na exatidão da imprensa diária, como muito bem observou Louis Wiley, ex-gerente do New York Times: “(…) Se o jornal tivesse que esperar até confirmar todos os detalhes, talvez o mundo ainda ignorasse acontecimentos históricos de séculos passados, sobre os quais os historiadores ainda não concordam totalmente.”;

– Honestidade Þ é uma virtude adquirida pelo esforço diário, já que o Jornalismo está sujeito a uma multiplicidade de contatos com diferentes pessoas e a tantos problemas variados pedindo decisões imediatas;

– Responsabilidade Þ a imprensa serve ao público que a sustenta. A declaração de M. H. de Young, fundador do San Francisco Chronicle, sintetiza este pilar: “Um grande jornal deve destinar-se muito mais à consecução de elevados fins para o benefício do público do que simplesmente a ganhar dinheiro para o benefício dos acionistas da empresa.”;

– Decência Þ a linguagem – verbal e visual – precisa atender ao senso de discernimento, assim como deve ser esclarecida e justificada a maneira pela qual a imprensa obtém as notícias.

A imprensa tem regalias em âmbito constitucional devido ao pacto selado de teor social de “comunicar ao gênero humano o que seus membros fazem, sentem e pensam” (Sociedade Americana de Diretores de Jornais).

04. A influência no Jornalismo brasileiro.

A imprensa brasileira deste século é sobremaneira influenciada pela experiência ianque. A objetividade, o uso dos 5W e 1H da teoria jornalística, lead e sub-lead, pirâmide invertida são exemplos óbvios desta assertiva.

A objetividade, deflagrada pela imprensa dos EUA – sempre vinculada à maturação do país – reformulou o que se praticava no Jornalismo. As notícias passaram a ser mais exigidas no quesito veracidade por um público cada vez mais politizado. É notório que a objetividade jornalística é sustentada pelo esforço deliberado e cotidiano de um público ubíquo, detentor de razoável cultura.

05. A objetividade é um ideal

A objetividade é um ideal inatingível para o jornalista, no entanto, o profissional deve insistir em alcançá-la. Esse paradoxo é garantia de qualidade dos veículos de comunicação. Nunca existirá um texto isento de subjetividade, de tons íntimos do autor. Quando alguém se propõe a redigir (seja um conto, uma cobertura de acidente automobilístico), é sabido que a intenção é sempre convencer os leitores que o ponto de vista presente é o mais apropriado.

As provas de que a subjetividade se embrenha no Jornalismo encontram-se muitas vezes dentro de um jornal. A seleção de notícias pelo gatekeeper obedece a um critério subjetivo (ressalta-se, neste caso, a influência da política implantada pelo veículo). Um acidente, por exemplo, é representado visualmente pelas imagens escolhidas ao gosto do jornalista.

O que se quer com o paradoxo da objetividade é dirimir cada vez mais a emissão de juízos de valor, cujo teor pessoal arraigado à cultura do jornalista pode impedir que os leitores possam extrair da notícia o essencial. Por isso, no Jornalismo atual, fontes de categorias diversas são acionadas para montar um quadro amplo de notícia.

06. Os graus de objetividade.

Os gêneros jornalísticos têm graduações de objetividade, uma vez que obedecem a espaços distintos no veículo e a leituras diferentes.

O gênero informativo é presumidamente objetivo por excelência: a exposição do fato como pintura aproxima-se mais do ideal anteriormente explicitado. O interpretativo tem a maior chance de elucidar o leitor acerca do fato, embora ceda às incursões pessoais dos jornalistas. Tal virtude em relação aos outros gêneros deve-se à preocupação de montar não apenas uma pintura, mas um mosaico do fato em questão, valendo-se de intensiva pesquisa em outras áreas com objetivo de assentar o fato na ordem vigente. O opinativo detém a objetividade em menor grau, dado seu caráter de apenas comentar os gêneros anteriores.

Postado por Profa. Carolina Assunção e Alves
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s